Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos avançam com postura do BCE e falta de dados locais para ancorar inflação

Títulos Prefixados oferecem até 12,31% na tarde desta quinta-feira (14)

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam em alta na tarde desta quinta-feira (14), prefixados avançam até 23 pontos-base, títulos atrelados à inflação também sobem.

Segundo Bruno Martins, gestor de renda fixa da Warren, os juros apresentam abertura nas taxas principalmente na parte longa da curva. Entre os fatores que puxam essa alta estão: a ausência de dados oficiais do Banco Central, por conta da greve dos servidores, que dificulta a ancoragem do mercado. Impacta também a sinalização de que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode continuar com o aperto monetário até a convergência da inflação à meta.

No exterior, Martins destaca a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter as taxas de juros inalteradas, mesmo com a pressão da guerra na Ucrânia. “A autoridade preferiu manter a política acomodatícia dado que o cenário local pode mudar drasticamente a qualquer momento”, afirma o gestor da Warren.

Segundo Martins, por se tratar de um dos bancos centrais mais relevantes, a decisão do BCE pode influenciar também o banco central brasileiro.

Dentro do Tesouro Direto, o título prefixado de longo prazo apresentava a maior alta nas taxas. O Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, oferecia um retorno anual de 12,24% superior aos 12,01% vistos ontem.

Já o Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2029 entregavam às 15h20 uma rentabilidade anual de 12,31% e 12,14%, respectivamente, superior aos 12,12% e 11,93% registrados na quarta-feira (13).

Nos títulos atrelados à inflação, as taxas oferecidas avançavam entre 2 e 4 pontos-base. A maior alta era do título de curto prazo.

O Tesouro IPCA+ 2026 oferecia uma rentabilidade real de 5,39%, acima dos 5,35% da sessão anterior.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta quinta-feira (14): 

BCE e dados dos EUA

Após dois dias intensos de divulgação de números de inflação, o destaque da agenda externa está nos dados de vendas de varejo e auxílio-desemprego vindos dos Estados Unidos.

Segundo o Departamento do Comércio americano, as vendas no varejo do País cresceram 0,5% em março ante fevereiro, para US$ 665,7 bilhões, segundo dados com ajustes sazonais divulgados nesta quinta-feira.

O resultado veio abaixo da previsão dos analistas consultados pelo Wall Street Journal, que era de um avanço de 0,6% no período.

Excluindo-se automóveis, as vendas no setor varejista americano também tiveram expansão de 1,1% no confronto mensal de fevereiro. Neste caso, a projeção era de acréscimo de 0,8%. Já os dados de fevereiro ante janeiro foram revisados. No caso das vendas totais, a alta passou de 0,3% para 0,8%. Em relação ao resultado sem automóveis, o crescimento passou de 0,2% para 0,6%.

Destaque também para a decisão do BCE. Segundo comunicado do banco, a autoridade monetária manteve a taxa de refinanciamento em 0%. Da mesma forma, a taxa de depósitos segue em -0,50% e a de empréstimo continua em 0,25%.

O BCE reiterou hoje que as compras de ativos por meio do APP irão diminuir de 40 bilhões de euros em abril para 30 bilhões de euros em maio e para 20 bilhões de euros em junho.

O Banco Central Europeu disse também que planeja concluir o APP no terceiro trimestre. Neste período, os volumes de compras dependerão de futuros dados econômicos da zona do euro.

Impacto da inflação

Inflação em março foi mais acentuada para famílias mais pobres.  O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada disse que o principal motivo foi a alta dos alimentos, mais relevantes na cesta de consumo dos mais pobres.

Em março, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostrou aceleração de preços das famílias de renda muito baixa (1,74%) e de renda baixa (1,72%). Assim, a inflação dessas faixas de renda passou a acumular alta de 12% e 11,6%, respectivamente, nos últimos 12 meses.

Em comparação, a inflação das famílias de renda alta aumentou de 1,24% em março, acumulando 10% em 12 meses.

Lula e os tributos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (14) que, se for eleito, terá que fazer uma reforma tributária que aumente a taxação das camadas mais ricas da população e diminua o impacto sobre os mais pobres.

“Vamos ter que fazer uma reforma tributária que leve em conta que quem ganha mais tem que pagar mais. Uma reforma que não permite que a pessoa que viva com seu salário de 3, 4 mil reais, ao comprar um produto, pague o mesmo o que paga o presidente de um banco”, disse Lula em um evento com todas as centrais sindicais em que recebeu um documento com propostas para seu plano de governo.

Acompanhado do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), que será seu companheiro de chapa nas próximas eleições, Lula se comprometeu ainda a alterar as leis trabalhistas caso seja eleito, mas que o fará com negociações entre trabalhadores e representantes dos empresários.

“Queremos chamar as centrais sindicais e o presidente da Fiesp, da Febraban… não vamos deixar ninguém de fora”, afirmou. “Não queremos negar ao empresário, ao banqueiro, o comerciante, o fazendeiro o direito de falar. Mas eles têm que falar em uma mesa de negociação onde os trabalhadores estejam representados.”

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