Renda fixa

Tesouro Direto: taxas avançam e prefixados já pagam 10,93% ao ano, com IGP-M elevado e tensão com servidores públicos

Entre os papéis de inflação, o Tesouro IPCA+ 2026 voltou a oferecer juros superiores a 5% ao ano. Papel que vence em 2055 paga 5,37%

Por  Mariana Segala -

Com a divulgação de dados da inflação e a pressão do funcionalismo público por reajustes em 2022, as taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto – que já haviam começado a quarta-feira (29) subindo – reforçaram a alta durante a tarde.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) – também conhecido como inflação do aluguel – avançou 0,87% em dezembro, após alta de 0,02% em novembro, informou logo cedo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado ficou acima das estimativas dos economistas do mercado financeiro.

Os investidores também acompanham os desdobramentos da decisão de servidores vinculados a órgãos do governo federal de fazer pequenas paralisações e até uma greve geral como pressão para que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) conceda reajustes salariais para as categorias da administração pública.

Diante das incertezas, os juros oferecidos no Tesouro Prefixado 2024 alcançaram 10,93% ao ano na atualização da tarde, depois de terem aberto pela manhã a 10,85%. O Tesouro Prefixado 2026, por sua vez, oferecia 10,66% ao ano, nove pontos-base acima das taxas da manhã.

Entre os papéis de inflação, a variação foi menor. O Tesouro IPCA+ 2026 passou a oferecer juros de 5,05% ao ano, além da variação da inflação – a taxa era de 5,03% pela manhã. Já o Tesouro IPCA+ 2055, que paga juros semestrais, manteve a taxa de 5,37% ao ano.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta quarta-feira (29):

Taxas do Tesouro Direto na tarde de 29.12.21
Taxas do Tesouro Direto na tarde de 29.12.21 (Fonte: Tesouro Direto)

As negociações com os títulos prefixados que vencem em 2031 (Tesouro Prefixado com juros semestrais 2031) estão suspensas desde terça-feira (28) e pelos próximos dias, em função do pagamento de juros agendado para o dia 1º de janeiro de 2022 (por conta do feriado, ele ocorrerá de fato no dia 3).

Por regra do Tesouro Direto, o investimento em títulos que têm cupom de juros é suspenso quatro dias úteis antes da data do pagamento. Da mesma forma, há também mudanças nos resgates, que são interrompidos dois dias úteis antes do pagamento do cupom.

Indicadores locais

O IGP-M avançou 0,87% em dezembro, após alta de 0,02% em novembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado ficou acima das estimativas dos economistas do mercado financeiro. A pesquisa Projeções Broadcast indicava alta de 0,74% para o indicador, com estimativas variando de 0,06% a 1,02%.

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Com o resultado de dezembro, a inflação acumulada pelo IGP-M em 2021 foi de 17,74%, também acima da mediana das projeções, de 17,63%. Em 2020, o indicador fechou o ano em 23,14%.

A aceleração do IGP-M de dezembro foi puxada pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M), que inverteu o sinal e passou de deflação de 0,29% em novembro para alta de 0,95%. O índice de preços no atacado acumulou inflação de 20,57% em 2021, após 31,63% em 2020.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) desacelerou de 0,93% em novembro para 0,84% em dezembro. A inflação ao consumidor encerrou o ano com avanço total de 9,32%, bem acima dos 4,81% registrados no ano passado.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) desacelerou de 0,71% em novembro para 0,30% em dezembro, conforme já havia sido divulgado pela FGV na última quinta-feira, 23. O indicador acumulou alta de 14,03% em 2021, após 8,66% em 2020.

Reajustes para funcionários públicos

Servidores vinculados a órgãos do governo federal decidiram que farão pequenas paralisações e até uma greve geral como pressão para que o governo Bolsonaro (PL) conceda reajustes salariais de forma ampla para as categorias da administração pública.

Esse entendimento saiu de uma assembleia realizada hoje no Fonacate (Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado). A entidade congrega 37 associações e sindicatos de categorias do serviço público federal. Em quantidade de associados, o Fórum diz ter ao menos 200 mil servidores.

As pequenas paralisações, que podem durar entre um e dois dias, já seriam realizadas em janeiro. Caso os atos não surtam efeito, a greve geral, sem prazo para acabar, pode ser deflagrada em fevereiro, segundo programação do Fonacate.

A discussão tem origem na aprovação do Orçamento de 2022 pelo Congresso Nacional na semana passada. A peça prevê R$ 1,7 bilhão para reajuste de salários de policiais federais e policias rodoviários federais, beneficiados após negociação com Bolsonaro.

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Isso criou insatisfação em outras áreas do funcionalismo que estão sem reajuste desde o início da atual gestão. Auditores da Receita Federal, por exemplo, entregaram cargos de chefia e anunciaram redução das atividades para pressionar o governo a liberar recursos ao órgão e regulamentar o pagamento de bônus.

Em mensagens enviadas em grupos compostos por membros do governo Jair Bolsonaro em aplicativos de celular, o ministro Paulo Guedes afirmou, na terça-feira, que se o governo aumentar os salários “e a doença voltar”, em referência à pandemia do Covid-19, o País vai quebrar.

“Quem pede aumento agora não quer pagar pela guerra contra o vírus. Está dizendo ‘já tomei minha vacina, agora quero reposição de salário: não vou pagar pela guerra ao vírus’”, afirmou ele num trecho das mensagens, reveladas inicialmente pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo.

“Reajuste geral para funcionalismo é inflação subindo, Brumadinho e Macri nas eleições! Brumadinho: pequenos vazamentos sucessivos até explodir barragem e morrerem todos na lama”, prosseguiu o ministro.

Guedes lembrou o aumento autorizado pelo governo a policiais e citou categorias que passaram a demandar reajuste, como servidores da Receita Federal e do Banco Central, antes de pontuar que agora todos pedem o benefício.

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