Tesouro Direto: taxas ensaiam 4ª sessão de queda com dólar fraco e após IPCA-15

IPCA-15 veio com qualitativo baixo, mas suficiente para manter projeções de corte da Selic a partir de março

Paulo Barros

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As taxas dos títulos do Tesouro Direto operam em queda na manhã desta terça-feira (27), acompanhando o viés de baixa dos juros no mercado local após a divulgação do IPCA-15 de janeiro, que veio abaixo do esperado, além do recuo do dólar frente ao real. Se o movimento perdurar até o fechamento, será a quarta sessão seguida de quedas nas taxas.

Às 9h23, os títulos prefixados registravam novo ajuste para baixo. O Tesouro Prefixado 2028 passou a pagar 12,89% ao ano, ante 12,92% na segunda-feira. Já o Tesouro Prefixado 2032 recuava de 13,53% para 13,50%, enquanto o Prefixado com Juros Semestrais 2035 cedia de 13,61% para 13,58%.

Nos papéis indexados à inflação, o movimento também era de queda ao longo da curva. O Tesouro IPCA+ 2029 passou de 7,83% para 7,78% de juros reais, enquanto o Tesouro IPCA+ 2040 recuava de 7,28% para 7,27%. No longo prazo, o Tesouro IPCA+ 2050 caía de 6,90% para 6,88%, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 passava de 7,23% para 7,19%.

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O movimento ocorre após a divulgação do IPCA-15, que registrou alta de 0,20% em janeiro, desacelerando em relação a dezembro (0,25%) e ficando abaixo da mediana das projeções do mercado.

“IPCA-15 em janeiro em 0,20% ficou um pouco abaixo da expectativa, mas assim como dezembro, com qualitativo não tão bom, em parte pelo efeito sazonal”, observa Rafaela Vitória, economista chefe do Banco Inter. “Ainda assim, o espaço para corte na Selic já está presente e Copom pode vir com comunicado claro e começar em março com -50bps”, avalia, reforçando a aposta que virou majoritária no mercado.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, avalia que “para o mercado, o dado tende a reduzir a percepção de risco inflacionário no curto prazo, favorecendo maior estabilidade em juros e câmbio”.

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O dia também é de queda do dólar ante o real, com o câmbio a R$ 5,25, o que também contribui para aliviar as expectativas inflacionárias e sustentar o recuo das taxas dos títulos públicos

O mercado segue atento aos leilões de NTN-B (Tesouro IPCA+) e LFT (Tesouro Selic), previstos para esta manhã. “Dada a performance dos vencimentos mais longos na sessão anterior, não parece desprezível a possibilidade de um incremento no DV01 (risco para o mercado) ofertado, ainda que com cautela, considerando a concorrência com emissão privada relevante”, diz em relatório Luis Felipe Laudisio, co-gestor da Warren Investimentos.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h23 desta terça-feira (27):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2028SELIC + 0,0454%01/03/2028
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0983%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202812,89%01/01/2028
Tesouro Prefixado 203213,50%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203513,58%01/01/2035
Tesouro IPCA+ 2029IPCA + 7,78%15/05/2029
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035IPCA + 7,56%15/05/2035
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,27%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,19%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,88%15/08/2050

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)