Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos operam sem direção única nesta quinta-feira

Investidores monitoram desdobramentos da reforma tributária, dados sobre PIB da China e pedidos de seguro-desemprego nos EUA

Por  Bruna Furlani -

SÃO PAULO – Os prêmios pagos pelos títulos públicos indexados à inflação reverteram a alta vista no começo das negociações desta quinta-feira (15) e passaram a cair na atualização das taxas feita após o almoço pelo Tesouro Direto. Enquanto isso, as taxas dos títulos prefixados realizaram movimento contrário e passaram a subir durante a tarde depois de abrirem a sessão de hoje em queda.

Na cena local, investidores ainda monitoram os desdobramentos das revisões para cima das projeções de indicadores, como o Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano, que foram anunciadas ontem pelo Ministério da Economia.

O mercado também acompanha com atenção as discussões sobre o parecer preliminar apresentado na última terça-feira pelo deputado Celso Sabino (PSDB-PA), relator da reforma tributária, que propôs uma série de mudanças sobre o Imposto de Renda cobrada de pessoas, empresas e investimentos.

No caso dos títulos do Tesouro Direto, o parecer retirou o artigo 27 do projeto de lei, que unificava as alíquotas de tributação dos rendimentos de aplicações de renda fixa, como o Tesouro Direto, e variável em 15%. Ontem, em live feita pelo InfoMoney (confira no vídeo abaixo), o deputado disse que o pedido de mudança de tributação foi feito pelo próprio Tesouro para evitar que fossem feitas operações de trade, ou seja, de curto prazo na plataforma. A reportagem entrou em contato com o Tesouro, mas ainda não obteve resposta.

No Tesouro Direto, a taxa do título prefixado com vencimento em 2024 que paga juros semestrais avançava de 8,34% no começo da manhã para 8,37% durante a tarde de hoje, mesmo retorno visto na sessão de ontem. Também à tarde, os prêmios do título prefixado com vencimento em 2026 subiam de 8,73% na primeira atualização do dia para 8,76%, na atualização após o almoço. Ontem, o mesmo título oferecia retorno de 8,74%.

Já entre os papéis com retornos atrelados à inflação, os prêmios dos títulos reverteram a alta e passaram a cair na atualização da tarde. Os títulos do tipo Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2035 e 2045, por exemplo, pagavam juro real de 4,20% na primeira atualização do dia, contra juro real de 4,17% durante a tarde. Um dia antes, o mesmo título pagava uma taxa de 4,18%.

Títulos indexados à inflação com vencimento em 2055 e juros semestrais, por sua vez, ofereciam um juro real de 4,40% no começo da manhã e passaram a oferecer juro real de 4,37% na atualização após o almoço — mesma taxa oferecida na sessão anterior.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta quinta-feira (15):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Radar local

Em dia de agenda econômica esvaziada no Brasil, as atenções do mercado estão na recuperação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que está internado desde ontem para tratar de uma obstrução no sistema digestivo.

Investidores também monitoram o projeto de lei responsável por definir as diretrizes e prioridades para a elaboração do Orçamento do próximo ano. Hoje, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022 e colocou como prioridades: vacinas, agenda para a primeira infância, Programa Casa Verde e Amarela e ampliação da infraestrutura de atendimento oncológico. O texto agora segue para o plenário, onde deve ser votado ainda nesta quinta-feira.

O mercado também continua de olho na repercussão do parecer preliminar do projeto de lei que modifica a cobrança do Imposto de Renda para pessoas físicas, empresas e investimentos (PL 2337/2021). Veja mais detalhes na live feita ontem pelo InfoMoney com o deputado Celso Sabino (PSDB-PA), relator da reforma do Imposto de Renda (IR).

De acordo com informações que circulam em órgãos de imprensa como Estadão, Valor e Folha, o deputado Celso Sabino (PSDB-PA) afirmou que avalia ampliar a faixa de isenção na tributação de dividendos para todas as empresas, e não apenas para micro e pequenas empresas. Mas pretende reduzir esta faixa de R$ 20 mil para R$ 2.500 por mês.

O relatório de Sabino indica renúncia fiscal de R$ 30 bilhões por ano. Mas o deputado afirma que não vê risco fiscal, porque a economia melhoraria com a reforma, o que compensaria a renúncia.

Cálculos de tributaristas consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam queda de arrecadação entre R$ 23 bilhões e R$ 27 bilhões, que deve pressionar especialmente estados e municípios. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgou nota em que afirma que vê a nova versão da reforma como um “escândalo”. “É fácil fazer bondade com o chapéu alheio”, disse o diretor do Centro de Cidadania Fiscal (CCIF), Bernard Appy, ao Estadão.

Ainda no cenário político, a CPI da Covid ouve Cristiano Carvalho, representante da empresa Davati Medical Supply, a partir das 9h.

Cena externa

No exterior, James Bullard, presidente do Federal Reserve (FED, na sigla em inglês) de St. Louis, afirmou que o banco central central americano alcançou um “progresso substancial” tanto em termos de inflação quanto de emprego e defendeu que os dirigentes do banco tomem medidas para reduzir parte dos estímulos, como a compra de ativos. “Não queremos abalar os mercados nem nada, mas acho que é a hora de encerrar essas medidas de emergência”, destacou Bullard em entrevista à Bloomberg Television.

Também nos Estados Unidos, o Departamento do Trabalho americano anunciou, hoje, que o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos diminuiu em 26 mil na semana encerrada em 10 de julho em relação à semana anterior. Com isso, foram feitos ao todo 360 mil pedidos.

O resultado da semana passada veio exatamente em linha com a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal. Hoje, o órgão americano também informou que revisou o total da semana anterior de 373 mil para 386 mil pedidos. Já o número de pedidos continuados apresentou queda de 126 mil na semana encerrada em 3 de julho, a 3,241 milhões. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.

Já na Ásia, o destaque está nos dados apresentados ontem à noite pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) que mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) da China teve alta anual de 7,9% no segundo trimestre de 2021. O resultado do PIB veio em linha com o esperado por analistas do The Wall Street Journal, mas um pouco abaixo frente a projeção compilada pela Refinitiv, de alta de 8,1%.

Na comparação com o trimestre anterior, o PIB chinês avançou 1,3% entre abril e junho e, no primeiro semestre deste ano, a expansão do indicador foi de 12,7%.

Para Chaoping Zhu, estrategista de mercado global da JPMorgan Asset Management, “no geral, a economia da China parece estar no caminho da recuperação, com a meta de crescimento anual de 6% ao alcance”. Porém, reiterou que “os riscos estruturais e de baixa na demanda doméstica são preocupantes”, ao se referir ao fraco crescimento do crédito de longo prazo e a incerteza sobre a regulação do mercado.

Em outro relatório, Yi David Wang e Irene Feng, economistas do Credit Suisse, destacaram que a desaceleração da economia já estava embutida na perspectiva e, inclusive, este resultado aumenta os caminhos viáveis ​​para o crescimento anual da China atingir 8,2% para o ano (previsão atual do banco), adicionando até mesmo alguns “riscos de alta”.

“Qualquer preocupação de que o recente corte de depósitos compulsórios (que nos surpreendeu em seu escopo) indicaria que a recuperação da China está vacilando e merece mais suporte por meio de políticas do governo parece ser exagerada”, avaliam Wang e Irene em relatório divulgado a clientes. Na sexta, a China anunciou a liberação de um trilhão de yuanes, equivalente a US$ 145 bilhões, na economia.

Ontem, também foram divulgados dados sobre as vendas no varejo da China em junho, que avançaram 12,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior, acima da expectativa de 11% de analistas ouvidos pela Reuters. A produção industrial chinesa subiu 8,3% na mesma base de comparação. De acordo com a agência, a expectativa dos analistas era de 7,8%.

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