Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos revertem queda e têm alta nesta 5ª, mesmo com melhora na cena externa e Copom

Investidores monitoram situação da Evergrande, além de negociações sobre precatórios e sinalizações do Copom

SÃO PAULO – Mesmo sem grandes surpresas no anúncio feito ontem (22) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e de uma melhora no exterior com a situação da Evergrande e com a decisão do Fed na véspera, o mercado de títulos públicos apresenta alta nas taxas na tarde desta quinta-feira (23). Com isso, os papéis revertem a leve queda vista no começo do dia.

A remuneração do título prefixado com vencimento em 2026 avançava de 10,03%, no começo da manhã, para 10,22%, na atualização da tarde. Um dia antes, o mesmo título oferecia um retorno de 10,10% vistos um dia antes. O juro pago pelo título com vencimento em 2031, por sua vez, subia de 10,60% para 10,86% durante a tarde, contra 10,62%, na sessão anterior.

Entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2026 era de 4,58%, contra 4,52% registrados na quarta-feira. Já o retorno real do Tesouro IPCA com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,90%, acima dos 4,86% da sessão anterior.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (23): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Copom, arrecadação e precatórios

Assim como era amplamente esperado pelo mercado, o Copom elevou ontem (22) a taxa básica de juros, de 5,25%, para 6,25% ao ano. No comunicado, o colegiado também disse que vai manter o mesmo ritmo de ajuste para a próxima reunião, ou seja, deve elevar novamente os juros em 1 ponto.

O mercado já aguardava esse nível de ajuste após sinalização feita por Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em eventos nas últimas semanas, de que não iria acelerar o movimento. Analistas, no entanto, estão divididos sobre a indicação emitida pela autoridade monetária.

Enquanto alguns agentes do mercado destacaram que o BC não indicou aceleração do ritmo de alta da Selic, outros economistas apontam que o Copom foi hawkish (mais inclinado ao aperto monetário) ao afirmar que o ciclo de aperto deve avançar no “território contracionista”.

Em live promovida ontem (22) pelo InfoMoney, Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria, disse que essa citação de avanço no território contracionista pode indicar que a Selic encerre o ciclo de alta em patamares um pouco mais elevados do que se projetava no último comunicado. Reveja a live aqui.

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Os analistas destacaram ainda a intenção do Copom de ganhar tempo para avaliar a conjuntura e o impacto dos choques.

Investidores também acompanham divulgação dos dados de arrecadação federal em agosto, que chegou a R$ 146,463 bilhões, uma alta real (descontada a inflação) de 7,25% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

A projeção do consenso Refinitiv era que a arrecadação federal em agosto chegaria a R$ 144,7 bilhões.

Já em relação a julho deste ano, houve queda real de 15,22% no recolhimento de impostos. O valor arrecadado no mês passado foi o maior para meses de agosto da série histórica, que tem início em 1995.

Na cena política, o mercado monitora matéria do jornal O Estado de S.Paulo que diz que Paulo Guedes, ministro da Economia, amarrou a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios com a votação da reforma do Imposto de Renda.

Segundo o jornal, o ministro da Economia e o presidente da Câmara esperam que Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, acelere a votação do projeto.

Radar externo

Na cena internacional, o mercado monitora com cautela a situação da Evergrande. Nos últimos dias, declarações dadas pelo presidente da companhia e por uma de suas unidades acalmaram um pouco os ânimos dos investidores.

Mas a situação ainda inspira cuidado. Nesta quinta-feira (23), as autoridades chinesas estão pedindo a governos locais que se preparem para eventual colapso da gigante do setor imobiliário, Evergrande. As informações são da Agência Estado.

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Segundo a agência, fontes com conhecimento no assunto sinalizaram a relutância em resgatar a empresa e evitar que a crise na companhia atinja outros setores e mercados.

De acordo com a publicação, agências de governos locais e empresas estatais foram instruídas a intervir apenas em último caso, se a Evergrande não conseguir superar as dificuldades de forma ordenada.

Já nos Estados Unidos, o destaque está nos pedidos de auxílio-desemprego apresentados na semana encerrada em 18 de setembro, que atingiram 351 mil pedidos, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Departamento de Emprego do país.

O resultado ficou acima da previsão dos analistas consultados pela Refinitiv, que esperavam 320 mil pedidos.

Na Europa, o destaque está na divulgação do índice do gerente de compras (PMI em inglês) da Zona do Euro composto Markit relativo a setembro, que marcou 56,1 pontos, abaixo da expectativa de analistas, de 58,5 pontos, e do patamar anterior, de 59 pontos.

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