Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos prefixados avançam nesta 5ª feira; papéis voltam a pagar até 10,65%

Mercado monitora destaques do texto-base da reforma do Imposto de Renda, além de dados de produção industrial no Brasil e de emprego nos Estados Unidos

Hands holding Brazilian real notes - Money from Brazil - Notes of Real - Brazil BRL banknote
(Sidney de Almeida/Getty Images)

SÃO PAULO – As atenções do mercado estão voltadas nesta quinta-feira (02) para os desdobramentos da aprovação do texto-base da reforma do Imposto de Renda e aprovação de alguns destaques da proposta. Investidores também monitoram os dados da produção industrial de julho que vieram abaixo do esperado.

No mercado de títulos públicos negociados pela plataforma do Tesouro Direto, os papéis prefixados seguem em alta na tarde desta quinta-feira, com prêmios que avançando até 14 pontos percentuais em relação a sessão anterior. Já os papéis atrelados à inflação são negociados próximos da estabilidade.

O juro pago pelo título com vencimento em 2031, por exemplo, avançava de 10,61%, no começo da manhã, para 10,64%, na atualização da tarde. Um dia antes, o mesmo título pagava retorno de 10,50%. No mesmo horário, o prêmio do título prefixado com vencimento em 2026 era de 10,03%, contra 9,99% no início desta quinta-feira. Anteriormente, o papel oferecia juro de 9,91%.

Entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,82%, contra 4,86% vistos no começo da sessão. Na sessão anterior, contudo, o título pagava um prêmio real de 4,81%. Da mesma forma, o juro real do papel com vencimento em 2040 recuava de 4,78%, na abertura dos negócios, para 4,74%, na atualização da tarde. Percentual que se manteve estável na comparação com os 4,73% registrados ontem.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto oferecidas na tarde desta quinta-feira (02):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Produção industrial e horário de verão

Dentro da agenda econômica, investidores repercutem os dados de produção industrial de julho apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a instituição, a produção recuou 1,3% em julho na comparação com o mês anterior. Na comparação anual, a alta foi de 1,2%.

Os dados ficaram piores do que o esperado. A expectativa de analistas ouvidos pela Refinitiv era de queda de 0,5% na comparação mensal e de alta de 1,8%, na base anual.

O IBGE também informou que revisou o dado de junho para queda de 0,2%, ante estabilidade divulgada previamente. Com o resultado, a indústria acumula crescimento de 11% no ano e de 7%, em 12 meses.

Na avaliação do Bradesco BBI, o resultado mais fraco da produção industrial em julho pode estar ligado a gargalos de oferta e ao arrefecimento da demanda, uma vez que a reabertura da economia levou a uma mudança do consumo de bens para serviços.

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“Em suma, com os dados de PIB mais fracos do que o esperado divulgados na véspera, esse resultado reforça nossa cautela com a atividade econômica no curto prazo”, aponta o BBI. Na véspera, vale ressaltar que o banco revisou para baixo as estimativas de PIB, de alta de 5,3% para 4,7% em 2021 e de 2,3% para 1,6% em 2022.

O mercado ainda acompanha de perto a piora da crise hídrica. Nesta quarta-feira (01), associações dos setores de alimentação, turismo e comércio enviaram um novo pedido ao presidente Jair Bolsonaro pela volta do horário de verão.

No documento enviado, as entidades argumentam que qualquer economia de energia seria relevante diante da gravidade da crise hídrica que o país enfrenta. Também alegam que a adoção do mecanismo pode beneficiar os setores que representam.

Reforma do Imposto de Renda e trabalhista

Na cena política, o foco está na aprovação do texto-base do projeto de lei que modifica a cobrança do Imposto de Renda para pessoas físicas, empresas e sobre investimentos e dispõe sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

O texto aprovado ontem (1) pela Câmara dos Deputados é o substitutivo feito pelo relator e deputado Celso Sabino (PSDB-PA), que fez modificações relevantes na versão original encaminhada pelo governo federal em junho.

Nesta quinta-feira (2), o plenário da Câmara dos Deputados realiza votação de destaques. Um dos pontos já aprovados é o destaque que reduz a alíquota de tributação que incidirá sobre a distribuição de lucros e dividendos. O texto votado ontem previa incidência de 20% de IR nesses casos. Com a modificação, serão cobrados apenas 15%.

O texto aprovado também traz mudanças em fundos de investimentos, negociações em bolsa, além de alterações na tabela reajustada e no desconto simplificado. Saiba mais aqui.

Após concluída a votação de destaques, o projeto de lei segue para o Senado Federal.

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Também na cena política, o mercado repercute a rejeição da proposta de “minirreforma” trabalhista pelo Senado. O texto previa a criação de novos regimes de contratação para jovens, além de um programa para contratação sem direito a benefícios, como férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Com a rejeição, o governo não poderá editar medida provisória com o mesmo teor neste ano. O texto original da MP editado pelo Executivo previa a possibilidade de redução proporcional de jornada de trabalho e de salários e a suspensão temporária do contrato de trabalho.

Cena internacional

O dia é de maior cautela nas bolsas mundiais. Nesta quinta-feira, o mercado repercute a divulgação de pedidos de auxílio desemprego nos EUA, que ficaram em 340 mil na semana encerrada em 28 de agosto, levemente abaixo da previsão dos analistas consultados pela Refinitiv, que apontava para 345 mil pedidos.

O dado antecede a divulgação do relatório de emprego nos EUA, o payroll, nesta sexta-feira (03), que pode trazer mais pistas sobre a política monetária do Federal Reserve, o banco central americano. Declarações recentes de autoridades do Fed indicam a redução do ritmo de compras mensais de títulos, contanto que o crescimento do emprego continue em ritmo forte.

Na Europa, a inflação na zona do euro medida pelo Índice de Preços ao Produtor avançou 12,1% em julho na comparação anual, frente à projeção de 11% dos analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal, e ao patamar anterior, de 10,2%. Na comparação mensal, o índice avançou 2,3%, frente à projeção de 1,1% e ao patamar anterior, de 1,4%.

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