Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos avançam com maior pressão inflacionária e prefixados chegam a oferecer até 11,58% ao ano

Agentes financeiros repercutem revisão para cima nas projeções para a inflação oficial em 2022 e 2023, além de números do IBC-Br

Por  Bruna Furlani -

O mercado de títulos públicos negociados no Tesouro Direto segue em alta na tarde desta segunda-feira (17). Agentes financeiros repercutem as revisões para cima das projeções de inflação para este ano e o próximo apresentadas hoje no Relatório Focus, do Banco Central.

De acordo com o documento, os economistas consultados pela autoridade monetária agora estimam alta de 5,09% para a inflação oficial neste ano, acima dos 5,03% projetados anteriormente. O mesmo vale para o indicador em 2023, cujas estimativas foram elevadas de 3,36% para 3,40%.

Apesar disso, não houve alteração nas projeções para a Selic neste ano e no próximo, que se mantiveram em 11,75% ao ano e 8% ao ano, respectivamente.

Destaque também para os números do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) medido pelo Banco Central, que subiram acima do previsto pelo mercado em novembro. Analistas, no entanto, ponderam que os dados reforçam que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ficar estável no quarto trimestre.

Dentro do Tesouro Direto, papéis prefixados chegam a avançar até 12 pontos-base (0,12 ponto percentual), como é o caso do Tesouro Prefixado 2026, que oferecia juros de 11,30%, na segunda atualização de hoje. O percentual também é maior do que os 11,26% ao ano vistos na abertura dos negócios.

No mesmo horário, o retorno pago pelo papel com vencimento em 2024 subia de 11,47% ao ano, na sessão anterior, para 11,58%, às 15h20. No começo da manhã, a remuneração oferecida era de 11,53%.

Entre os papéis atrelados à inflação, na segunda atualização da tarde, o Tesouro 2040 e o 2055 com pagamento de cupom semestral ofereciam remuneração real de 5,64% e 5,69%, contra 5,61% e 5,66%, respectivamente, na sessão de sexta-feira (14).

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta segunda-feira (17): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Relatório Focus e IBC-Br

Na cena econômica local, o dia é de agenda cheia. Entre os destaques do Relatório Focus de hoje estão a ligeira piora nas projeções para o crescimento da economia brasileira em 2022.

Agora, os economistas consultados pela autoridade monetária veem leve crescimento de 0,29% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, ante estimativa de 0,28% no levantamento anterior.

Já para 2023, as apostas recaem sobre expansão de 1,75% da atividade, acima dos 1,70% projetados anteriormente.

Agentes financeiros monitoram ainda os números do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que avançou 0,69% em novembro na comparação mensal. Os dados foram apresentados hoje pela autoridade monetária e são dessazonalizados.

A projeção, segundo pesquisa Refinitiv, era de alta de 0,65% em relação a outubro. Na comparação anual, o IBC-Br subiu 0,43%, enquanto no acumulado em 12 meses houve um avanço de 4,30%, de acordo com os números observados.

Para analistas, o dado é positivo, mas ainda não há espaço para euforia. Mirella Hirakawa, economista sênior da AZ Quest, por exemplo, diz que o IBC-Br de novembro reforça uma estabilidade do PIB no quarto trimestre, colocando um viés altista nas projeções da casa, dada uma dinâmica melhor do que a esperada, principalmente em veículos. A AZ Quest projeta um crescimento de 4,4% do PIB em 2021.

Leia mais
IBC-Br de novembro reforça projeções de PIB estável no 4º trimestre de 2021 e em 2022

Com projeção preliminar de crescimento de 0,4% para o IBC-Br de dezembro na base mensal, a XP estima um PIB estável em 2022 (0%) após ter crescido 4,4% em 2021. Para 2023, a expectativa é de recuperação moderada da economia doméstica (expansão de 1,2%).

“Se nossa projeção para dezembro estiver correta, o IBC-Br exibirá estabilidade (0%) no 4º trimestre de 2021 em comparação ao trimestre imediatamente anterior, com ajuste sazonal (e recuo sutil de 0,1% ante o 4º trimestre de 2020)”, escreve Margato, da XP, em relatório.

Paralisação de servidores e pressão por gastos

Enquanto isso, na frente política, investidores acompanham as negociações em torno da paralisação de servidores federais na defesa por reajuste salarial. A manifestação está marcada para amanhã (18). Até o momento, a Receita Federal é o órgão com o movimento mais forte.

De acordo com informações de bastidores obtidas pela Folha de S. Paulo, entre auxiliares do presidente há temor de que a expansão dos atos e o possível contágio para outras categorias além da Receita impactem ainda mais a rejeição do presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em 60%.

Também na seara política, agentes financeiros monitoram a pressão de setores do governo para mais aumento de gastos, de olho na corrida eleitoral.

Segundo notícia publicada hoje no Blog da jornalista Andréia Sadi, no G1, partidos do centrão e militares do governo que integram a coordenação de campanha à reeleição de Jair Bolsonaro (PL) estão cobrando “flexibilidade” e “sensibilidade” do ministro Paulo Guedes nas decisões econômicas da pasta durante 2022, para que Bolsonaro consiga colher benefícios eleitorais.

De acordo com a publicação, Guedes tem sido alvo de críticas entre os partidos do centrão pois não estaria disposto a fazer novas concessões na área social, por exemplo, tido como importante pelo núcleo da campanha para angariar votos junto a eleitores que, hoje, preferem o ex-presidente Lula.

Onde Investir 2022

InfoMoney – em parceria com a XP Investimentos – reúne alguns dos principais especialistas do Brasil e do mundo no evento Onde Investir 2022, online e gratuito, transmitido no canal do InfoMoney no YouTube. Confira a programação desta segunda-feira:

18h15 – O boom ainda não acabou? Como investir em commodities em 2022, com Sylvio Castro (Grimper), Ylan Adler (SPX Capital) e Ruy Alves (Kinea). Acesse aqui o link da transmissão.

19h – As criptomoedas mais promissoras para o ano, com Samir Kerbage (Hashdex) e Gustavo Cunha (Resetfunds). Acesse aqui o link da transmissão.

Agenda internacional

Em dia de menor liquidez no mundo com os mercados americanos fechados por causa do feriado em homenagem a Martin Luther King Jr., as atenções estão voltadas para os dados da economia chinesa.

Números divulgados hoje pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China indicaram que a economia chinesa cresceu 8,1% em 2021. No quarto trimestre, no entanto, a alta foi de 4%, acima da expectativa de alta de 3,6% de analistas ouvidos pela Reuters, enquanto a projeção do consenso era de alta de 8%.

A produção industrial também cresceu acima da expectativa, mas as vendas no varejo tiveram um crescimento mais moderado.

Também nesta segunda-feira, o banco central da China cortou a taxa de juros de empréstimos de 1 ano em 10 pontos-base, para 2,85%, a primeira redução desde abril de 2020.

A autoridade monetária também reduziu a taxa de sete dias de recompra e injetou o equivalente a US$ 31 bilhões no sistema financeiro, refletindo preocupação com os mais recentes sinais de desaceleração da economia chinesa.

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