Renda fixa

Tesouro Direto: taxas de prefixados recuam para até 12,60% e revertem alta da manhã

Já os juros reais entregues pelos papéis atrelados à inflação operam em leve alta ou em estabilidade

Por  Katherine Rivas, Bruna Furlani -

As taxas dos títulos públicos operam com movimento misto na tarde desta terça-feira (31), revertendo a alta registrada no início do dia. Na última atualização do dia, os juros entregues pelos prefixados recuavam, enquanto os retornos dos papéis atrelados à inflação apresentavam leve alta ou eram negociados em estabilidade.

Segundo Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, parte da subida nos juros está ligada à divulgação de dados de inflação piores do que o esperado na Europa na véspera.

A forte subida nos rendimentos dos títulos americanos (treasuries), que avançavam mais de 3% no caso do título de 10 anos, também pesa sobre a sessão. Por outro lado, investidores monitoram a queda nos preços do petróleo.

Já no cenário local, Borsoi avalia que a divulgação do superávit primário de abril – acima do esperado pelo mercado – mantém a parte longa da curva de juros sob certo controle. No Tesouro Direto, por exemplo, essas taxas eram negociadas em estabilidade, na última atualização do dia.

Borsoi cita também a piora fiscal com a aprovação pela Câmara do projeto de lei sobre o ICMS e o leilão do Tesouro Nacional como fatores que pesam sobre os juros.

No Tesouro Direto, a maior remuneração era paga pelo Tesouro Prefixado 2033, no valor de 12,60%, às 15h20. Percentual que é inferior aos 12,64% da véspera e aos 12,69% vistos no começo da manhã de hoje.

Nos títulos atrelados à inflação, apenas os títulos de prazo mais curto apresentavam alta, caso do Tesouro IPCA+2026, que via o juro real subir de 5,57% para 5,59%. Na abertura dos negócios, a remuneração real chegou a 5,62%.

Já o retorno real entregue pelo Tesouro IPCA+2055, com cupom semestral, por exemplo, era negociado em estabilidade aos 5,82%, mesmo valor visto ontem (30).

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (31): 

taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Desemprego

A taxa de desemprego no Brasil continua em trajetória de queda e ficou em 10,5% no trimestre encerrado em abril, segundo apontaram dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgados nesta terça-feira (31). O resultado foi bem melhor do que o esperado pelo mercado, já que o consenso Refinitiv projetava que ela terminaria em 11%.

É a menor taxa para esse trimestre desde 2015 (quando estava em 8,1%) e uma queda de 0,7 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior (de novembro a janeiro) e de 4,3 pontos percentuais na comparação anual (de fevereiro a abril de 2021).

O número de pessoas ocupadas (96,5 milhões) é o maior da série histórica, iniciada em 2012, e cresceu 1,1% na comparação com o trimestre de novembro a janeiro (1,1 milhão de pessoas a mais) e 10,3% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior (9 milhões de ocupados em um ano).

A população desocupada recuou 5,8% na comparação trimestral (699 mil pessoas) e 25,3% na anual (3,8 milhões de pessoas desocupadas a menos), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar das boas notícias, 11,3 milhões de brasileiros ainda não conseguem um emprego e o rendimento real habitual caiu 7,9% na comparação anual.

O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi estimado em 55,8%, uma alta trimestral de 0,5 ponto percentual e anual de 4,8 pontos percentuais (quando estava em 51,1%).

Após a divulgação dos dados de hoje, Rodolfo Margato, economista da XP, espera que o mercado de trabalho brasileiro siga em “rota de recuperação nos próximos meses”, ainda que perca “gradualmente certo fôlego”. Nos cálculos da casa, a taxa de desemprego deve encerrar este ano em 9,5%, na série com ajuste sazonal. Já a taxa média anual deve terminar 2022 em 10,6%.

Superávit e PIB

Na cena local, investidores monitoram dados das contas públicas. Segundo o Banco Central, o setor público consolidado registrou um superávit primário de R$ 38,9 bilhões em abril. No acumulado do ano, o superávit chega a R$ 148,5 bilhões e a R$ 137,4 bilhões, nos últimos 12 meses, ou seja, 1,5% do PIB.

O resultado veio acima do consenso do mercado, de R$ 30,1 bilhões e muito acima do apurado em abril do ano passado, de R$ 24,3 bilhões. Também é o melhor para o mês da série histórica.

Os pagamentos de juros nominais totalizaram R$ 79,9 bilhões, muito abaixo de 2021 de abril (receita líquida de R$ 5,7 bilhões).

A dívida bruta do governo geral atingiu 78,3% do PIB em abril (de 78,5% em março), graças ao crescimento nominal do PIB (-0,9 pp.) e emissões líquidas (-0,2 pp). Os pagamentos de juros, por outro lado, subiram 0,8 pp. até aqui em 2022. A dívida líquida do setor público, por sua vez, atingiu 57,9% do PIB em abril de 58,2% em março.

Para analistas da XP, os resultados de abril sustentam uma tendência positiva para o setor público neste ano. “À medida que os preços das commodities permanecem em níveis historicamente altos, as receitas continuam aumentando e apoiando superávits primários, especialmente nos governos regionais”, disseram.

Os especialista da corretora, no entanto, ponderaram que a inflação mais alta está pressionando os estados.

Destaque também para falas de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. Em reunião nesta terça-feira (31), Campos Neto disse que os analistas do mercado financeiro caminham para rever suas previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano para um patamar em torno de 2%.

Atualmente, a projeção do Ministério da Economia utilizada no Orçamento é de alta de 1,5% do PIB neste ano. Já a projeção do BC permanece em 1%, mas deve subir no próximo relatório de inflação – documento que é divulgado a cada três meses com o balanço de riscos para a inflação e previsões de indicadores econômicos.

Em audiência pública extraordinária na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, Campos Neto também disse hoje que a inflação projetada para 2023 no Brasil está convergindo para as bandas da meta perseguida pela autoridade monetária. “As expectativas de 2023 estão dentro do corredor de inflação ao contrário de outros países”, afirmou.

Petrobras

Atenção também para a Petrobras. O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou hoje, em entrevista ao apresentador Ratinho, na Massa FM, que tem a ideia de “fatiar a Petrobras (PETR3;PETR4)”. “A privatização da Petrobras leva no mínimo quatro anos. Tenho uma ideia de fatiar a Petrobras. Realmente não está dando certo atualmente”, declarou.

Preocupado com o impacto do preço dos combustíveis na popularidade do governo em ano eleitoral, Bolsonaro voltou a chamar a companhia de “Petrobras Futebol Clube”, por um suposto interesse apenas no lucro em detrimento do aumento do custo de vida para a população.

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