Renda fixa

Tesouro Direto: prêmios dos títulos públicos têm alta nesta 3ª, com risco fiscal e político no radar

Taxas dos títulos públicos prefixados voltam a ultrapassar os 10,4% ao ano, com apresentação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2022

Percentual, juros, taxas e Selic
(marchmeena29/GettyImages)

SÃO PAULO – Os prêmios dos títulos públicos negociados na plataforma do Tesouro Direto disponíveis para compra operam em alta na tarde desta terça-feira (31). O destaque está nas taxas pelos papéis prefixados que chegam a subir até 20 pontos percentuais em relação aos valores vistos um dia antes.

As atenções do mercado estão voltadas para a entrega do Orçamento para 2022, reunião entre poderes para debater solução dos precatórios, além de anúncio de medidas adotadas pelo governo para garantir o fornecimento de energia.

No Tesouro Direto, entre os prefixados, o juro pago pelo título com vencimento em 2031 avançava de 10,30%, no começo da manhã, para 10,43%, na atualização da tarde. Um dia antes, o mesmo título pagava retorno de 10,23%. No mesmo horário, o prêmio do título prefixado com vencimento em 2026 era de 9,84%, contra 9,73% no início desta terça-feira. Anteriormente, o papel oferecia rentabilidade de 9,67%.

Já entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,78%, abaixo dos 4,80% vistos no começo do dia. Um dia antes, no entanto, o papel pagava um juro real de 4,71%. O prêmio real pago pelo Tesouro IPCA com vencimento em 2040 e pagamento de juros semestrais, por sua vez, era de 4,73%, acima dos 4,63% registrados na sessão anterior.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto oferecidas na tarde desta terça-feira (31):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Pnad

O destaque da agenda econômica local está nos dados de emprego apresentados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No segundo trimestre, a taxa de desocupação recuou para 14,1%, uma redução de 0,6 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre.

A mediana das expectativas compiladas pelo consenso Refinitiv previa que a taxa de desemprego fecharia o período entre abril e junho em 14,4%.

Também na agenda econômica, o Banco Central informou nesta terça-feira (31) que o setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras) apresentou déficit primário de R$ 10,283 bilhões em julho. Em junho deste ano, o déficit tinha sido de R$ 65,508 bilhões e, em julho de 2020, o déficit foi de R$ 81,081 bilhões.

O montante registrado em julho ficou dentro do intervalo das estimativas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que iam de déficit de R$ 35,500 bilhões a superávit de R$ 2,600 bilhões. A mediana estava negativa em R$ 13,400 bilhões.

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Dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central também mostraram que a Dívida Bruta do Governo Geral fechou julho aos R$ 6,797 trilhões, o que representa 83,8% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual é ligeiramente menor do que o dado revisado de junho que ficou em 83,9%.

Orçamento e precatórios

Na cena política, o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional, nesta terça-feira (31), o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2022. Como ainda não foi encontrada uma saída para parcelar os precatórios (dívidas judiciais por decisões definitivas), o texto incluiu a totalidade dos R$ 89,1 bilhões de despesas previstos pelo Poder Judiciário.

A proposta encaminhada pelo governo também prevê que o Auxílio Brasil (novo programa que deve substituir o Bolsa Família) tenha o mesmo nível de recursos previstos para o antigo programa em 2021, que foi estimado em R$ 34,7 bilhões. O texto enviado inclui ainda que o salário mínimo vá para R$ 1.169 em 2022.

Além das preocupações com o orçamento e com precatórios, investidores acompanham a divulgação do programa de incentivo à redução do consumo de energia voltado para consumidores residenciais e mais detalhes sobre bandeiras tarifárias. As informações vão ser apresentadas agora às 17h pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Às 20h30, também está previsto um pronunciamento oficial do ministro de Minas e Energia em cadeia nacional de rádio e televisão.

O radar do mercado também está atento ao agravamento das tensões entre o Executivo e entidades empresariais. Na véspera (30), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciou que o manifesto assinado por diversas entidades pedindo pacificação política teve a publicação adiada.

De acordo com a assessoria de imprensa da Fiesp, a decisão de adiar a divulgação foi tomada por Paulo Skaf, presidente da Fiesp. A nota, que pede pacificação política e estabilidade institucional, contava com o apoio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e não citava nominalmente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Mas Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, controlados pela União, ameaçaram sair da entidade, caso ela fosse publicada.

Cenário internacional

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No exterior, as atenções estão voltadas para a fala de Robert Holzmann, integrante do Conselho Geral do Banco Central Europeu (BCE), que disse nesta terça-feira que a autoridade deve começar a debater a retirada gradual do estímulo implementado na pandemia e focar em ferramentas que ajudem a instituição a atingir a meta de inflação de 2% de forma sustentável.

“Estamos agora em uma situação em que podemos pensar sobre como reduzir os programas especiais de pandemia — acho que compartilhamos essa avaliação”, afirmou Holzmann, que também comanda o banco central da Áustria. Ele participará da reunião do Conselho Geral na semana que vem. “Nós teremos a oportunidade de discutir como podemos concluir a parte da pandemia e focar na parte da inflação.”

Também na zona do euro, a taxa de desemprego na Alemanha ficou em 5,5% em agosto, abaixo da expectativa de 5,6% e do patamar de julho, também de 5,6%.

Além disso, foi divulgado o PIB da Itália, que cresceu 17,3% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o país sofria efeitos mais severos da pandemia de Covid, e em linha com a expectativa de analistas.

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