Renda fixa

Tesouro Direto: prêmios dos títulos públicos operam sem direção única nesta 2ª feira, com maior expectativa de inflação e crise política

Investidores monitoram ainda tensão entre governo e entidades empresariais brasileiras, além do resultado do IGP-M de agosto

Por  Bruna Furlani -

SÃO PAULO – Investidores acompanham com atenção nesta segunda-feira (30) os desdobramentos do confronto político entre o Executivo e entidades empresariais, além de revisões para cima nas projeções do mercado financeiro para a inflação apresentadas pelo relatório Focus, do Banco Central, e repercussões sobre o discurso do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na última sexta-feira (27).

No Tesouro Direto, os prêmios dos títulos públicos disponíveis para compra operam sem direção única na tarde desta segunda-feira (30). Na atualização após o almoço, as taxas pagas pelos papéis prefixados apresentam alta, enquanto as taxas oferecidas pelos títulos atrelados à inflação recuam ou operam perto da estabilidade.

O juro pago pelo título com vencimento em 2031 caía de 10,26%, no começo da manhã, para 10,23%, na atualização da tarde. Um dia antes, a taxa paga pelo papel era de 10,18%. No mesmo horário, o prêmio do título com vencimento em 2026 era de 9,67%, em linha com os 9,68% vistos no começo da manhã. Anteriormente, no entanto, o mesmo título oferecia um retorno de 9,62%.

Já entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,71%, abaixo dos 4,74% vistos no início da manhã. O percentual, porém, estava em linha com os 4,72% registrados na sexta-feira. O prêmio real pago pelo Tesouro IPCA com vencimento em 2040 e pagamento de juros semestrais, por sua vez, estava estável em 4,63%, mesmo valor visto na sessão anterior.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto oferecidas na tarde desta segunda-feira (30):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Radar local

O foco na agenda econômica está nos dados apresentados pelo relatório Focus, no qual o mercado financeiro voltou a elevar suas projeções para a inflação deste ano, pela 21ª semana consecutiva, desta vez, de 7,11% para 7,27%.

Também houve revisão nas projeções para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2022, que subiram de 3,93% para 3,95% – o sexto aumento seguido.

Em meio às pressões inflacionárias, o mercado financeiro tem esperado juros mais altos do que o estimado no início do ano. Para dezembro, as apostas apontam para uma taxa Selic de 7,50% ao ano, com a manutenção neste patamar até o fim de 2022 – sem alterações em relação à semana anterior.

Assim como no último levantamento, é esperado o aumento de um ponto percentual da Selic em setembro, para 6,25% ao ano, seguido de um aumento de 0,75 ponto na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de outubro.

De olho nos impactos que a crise hídrica deve ter na inflação e nos juros, investidores aguardam o anúncio do valor que será cobrado na bandeira vermelha patamar 2 em setembro. Hoje, os consumidores pagam uma taxa adicional de R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidor, mas esse valor deve ser reajustado.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) poderá convocar reunião extraordinária para analisar o tema até amanhã (31) para que o reajuste já passe a valer em setembro. Outra opção é que a diretoria se reúna ao longo da próxima semana e defina a correção com efeitos retroativos a 1º de setembro.

Ainda na seara inflacionária, o mercado monitora a desaceleração no Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta manhã. O índice teve alta de 0,66% em agosto, abaixo dos 0,78% do mês anterior. O resultado ficou abaixo da mediana de mercado apurada pelo Projeções Broadcast, que indicava alta de 0,78% para o índice.

Com esse resultado, o IGP-M acumula inflação de 16,75% no ano e de 31,12% em 12 meses. Em agosto de 2020, o índice havia subido 2,74% e acumulava alta de 13,02% em 12 meses.

Cena política

No noticiário político, destaque para matéria do jornal O Estado de S.Paulo e do O Globo que diz Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, entrou em campo para atenuar o impacto político de um manifesto escrito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Após a atitude de Lira, segundo os jornais, a divulgação do documento foi adiada para depois do feriado de 7 de setembro.

De acordo com as publicações, a decisão de adiar a publicação do manifesto, no entanto, não foi comunicada a entidades que assinaram o documento.

Diante da polêmica, o deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, disse neste domingo (29) que vai apresentar um requerimento para ouvir Paulo Guedes, ministro da Economia, Pedro Guimarães, presidente da Caixa, e Fausto Ribeiro, presidente do Banco do Brasil (BBAS3). O deputado quer entender a decisão dos bancos de deixar a Febraban.

Ainda na cena política, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira que a quase “obsessão” do governo de Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, com a questão ambiental atrapalha “um pouquinho” o Brasil. Em entrevista ao programa Fábio Sousa, Bolsonaro falou, contudo, que a relação com a gestão norte-americana é boa.

Destaque também para as discussões envolvendo o pagamento de precatórios. Paulo Guedes, ministro da Economia, afirmou nesta segunda-feira que a solução proposta por Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), para o tema dos precatórios é considerada “extremamente eficaz” e conta com apoio da sua pasta.

Após reunião com Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, Guedes reconheceu que o Executivo havia tentado uma saída, mas destacou que a solução aventada por Fux seria “mais efetiva, mais rápida e mais adequada juridicamente”.

Cena internacional

Já na cena externa, o mercado segue de olho nas repercussões sobre o discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em Jackson Hole, feito na última sexta-feira (27), no qual ele não deu detalhes sobre a retirada de estímulos e ressaltou que não tem pressa para subir juros.

Para Jeffrey Lacker, ex-presidente do Fed de Richmond, Powell corre o risco de que a inflação saia do controle e sua garantia de que ela permanecerá nos trilhos deixa de mencionar que isso poderia exigir uma cirurgia traumática. “Acho que o Fed está em uma situação difícil”, disse Lacker na segunda-feira em entrevista a Michael McKee, Lisa Abramowicz e Tom Keene na Bloomberg Television. “O perigo que eles enfrentam com esse aumento da inflação – temos uma inflação em seis meses mais alta desde 1983 – é que isso persista.”

Entre as commodities, o petróleo zera ganhos conforme o furacão Ida perde força. Os investidores estão atentos à reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que ocorre na próxima quarta-feira (1).

Além disso, investidores estão atentos ao crescimento das tensões no Afeganistão, após ataque de drone em represália ao atentado do ISIS na sexta.

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