Renda fixa

Tesouro Direto: taxas avançam com Super Quarta e aversão ao risco global

Prefixados oferecem até 12,93%; Tesouro Prefixado 2029 segue em patamar recorde

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos púbicos apresentam um movimento de alta na tarde desta segunda-feira (13). Nos prefixados, as taxas avançam até 17 pontos-base, já nos títulos atrelados à inflação os ganhos na rentabilidade são moderados.

Segundo Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, a sessão de hoje apresenta um movimento altista para a curva de juros local, refletindo o cenário de piora dos juros globais e maior aversão ao risco, que acabou impulsionando o dólar. “Em semana de Super Quarta, investidores acompanham possíveis mudanças de plano de voo no Copom e Fomc –comitês de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente”.

Para o economista, há chances significativas de o Copom sinalizar uma extensão do ciclo de aperto monetário. Já no Fomc, que publicará o relatório de projeções (SEP), o tom deve ser mais hawkish – preocupado com a inflação.

Ainda no cenário local, temores sobre uma política de preços domésticos de combustíveis impactam o mercado. Segundo noticiado no Valor Econômico, a equipe econômica do governo espera novo reajuste nos preços dos combustíveis pela Petrobras.

“Se concretizado, isso provocaria uma nova rodada de alta nas projeções de inflação dos analistas e investidores de mercado reforçando a tendência de alta nas taxas de juros locais”, avalia Borsoi.

Já no exterior, ele destaca que os juros seguem sentindo os efeitos do CPI – Índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos – que veio acima do esperado na sexta, elevando temores de um Federal Reserve mais agressivo.

“Além disso, a mensagem de alta de juros emitida pelo Banco Central Europeu na quinta tem levado à forte reprecificação dos juros internacionais, resultando também no aumento de prêmios de risco locais”, destaca o economista-chefe da Nova Futura.

Dentro do Tesouro Direto, a maior alta era do título prefixado de curto prazo. O Tesouro Prefixado 2025 oferecia na última atualização desta segunda-feira (13), um retorno anual de 12,79%, superior aos 12,62% vistos na sexta-feira (10).

Já o Tesouro Prefixado 2029 entregava às 15h23 uma rentabilidade anual de 12,89%, acima dos 12,76% da sessão anterior.  O juro oferecido pelo título segue em patamar recorde. Esse papel começou a ser negociado em fevereiro deste ano.

Enquanto o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentava um retorno anual de 12,93%, superior aos 12,84% da sexta-feira.

Nos títulos atrelados à inflação, todas as taxas avançavam 3 pontos-base.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta segunda-feira (13): 

Fonte: Tesouro Direto

Copom, combustíveis e TSE

Na cena local, as atenções estão voltadas para o Copom. Analistas estão divididos sobre os próximos passos do colegiado: se esta deve ser a última alta do ano, ou se há necessidade de mais uma elevação em agosto.

O Itaú, por exemplo, prevê que a taxa seja elevada em 0,50 ponto percentual nesta reunião. “Em nossa visão, a elevação estaria de acordo com a mensagem passada após a reunião do mês de maio, na qual a autoridade monetária falou em um ajuste adicional de menor magnitude, em relação aos 100 pontos-base implementados até então”, escreveram os analistas.

O banco acredita ainda que o Copom deve sinalizar que fará mais um aumento moderado na reunião de agosto. “Um aspecto adicional que deve ser considerado desta vez no balanço de riscos do comitê é a possibilidade de redução de impostos que, se implementada, pode implicar em um viés de baixa à inflação projetada para este ano”, complementou a equipe de análise.

Sobre esse assunto, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, marcou para esta segunda-feira (13) a votação do projeto que limita em 17% a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte público.

O projeto já foi aprovada pela Câmara, mas pode retornar aos deputados, caso os senadores mudem o texto inicial. A proposta sofre resistência por parte dos governos estaduais, que temem que a queda da arrecadação comprometa investimentos e o custeio dos serviços públicos.

Também na cena política, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou as etapas de auditoria dos sistemas que serão utilizados nas eleições de outubro, com cronograma de atuação, e definiu as entidades fiscalizadoras do processo de votação. As informações foram enviadas pelo presidente da Corte, Edson Fachin, aos ministros do TSE e do Superior Tribunal Federal (STF).

O documento lista 16 entidades que poderão participar das etapas do processo de fiscalização. Segundo o texto, as Forças Armadas estão entre as entidades fiscalizadoras do processo de votação e de auditoria das urnas, junto com outros órgãos e entidades, como partidos políticos, federações e coligações; Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); Ministério Público; Congresso Nacional; STF; Controladoria-Geral da União (CGU) e Polícia Federal.

Federal Reserve

O Federal Reserve, banco central americano, começou a sinalizar que taxas de desemprego mais altas podem ser uma consequência necessária na luta contra inflação

É uma reversão em relação ao ano passado, quando suas políticas forneceram forte estímulo econômico destinado a estimular a recuperação do mercado de trabalho dos efeitos prejudiciais da pandemia. De acordo com o Wall Street Journal, nas projeções econômicas a serem divulgadas esta semana pelo Fed, mais diretores devem indicar aumentos das taxas este ano para níveis altos o suficiente para desacelerar deliberadamente as contratações e o crescimento econômico em um esforço para esfriar a inflação.

Assim, os formuladores de políticas podem projetar taxas de desemprego um pouco mais altas nos próximos dois anos do que haviam previsto no início deste ano.

Debênture incentivada no radar

Enquanto o cenário turvo para a renda variável reduz as ofertas de ações na Bolsa, as emissões de títulos de dívida – como as debêntures incentivadas, isentas de Imposto de Renda – têm chamado a atenção de investidores, especialmente os de varejo.

Com a Selic a 12,75% ao ano e a renda fixa cada vez mais atrativa, as pessoas físicas responderam por 30,4% do volume captado com debêntures incentivadas entre janeiro e maio de 2022. Os números são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e fazem referência ao momento da oferta. É o dobro dos 15,1% de participação registrados no mesmo período de 2021. Os dados não levam em conta se o investidor se desfez do ativo após a compra.

Além da isenção de IR, outro grande chamariz para os investidores individuais é tipo de remuneração desses papéis. Em um cenário de inflação elevada e persistente, Catherine Menezes, head de alocação da Braúna Investimentos, destaca que as emissões agradam porque boa parte oferece a inflação acrescida de uma taxa de juros prefixada, sendo uma forma de proteção do patrimônio e do poder de compra.

“Numa NTN-B [Tesouro IPCA+], eu pago imposto sobre o percentual de inflação. Numa debênture incentivada, eu tenho juro real na mão, não há imposto sobre a inflação”, conta a especialista, segundo quem aumentou o percentual de alocação nesse tipo de ativo neste ano.

Investimentos do tipo ganham importância agora que o governo tenta aprovar medidas para reduzir o preço dos combustíveis. Embora elas busquem diminuir a inflação neste ano, a expectativa é que renovem a alta de preços no próximo. Cálculos de agentes financeiros indicam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode encerrar 2022 de 2 a 3 pontos abaixo das projeções, caso as medidas sejam aprovadas. Parte disso, no entanto, deve voltar para o indicador no futuro – já se projeta até 1 ponto percentual a mais no IPCA de 2023.

Saiba mais em:

Investimento isento, debênture incentivada atrai com retorno atrelado à inflação; veja setores promissores

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