Tesouro Direto: juros nominais atingem máximas do ano após dado de trabalho nos EUA

EUA criaram 172 mil vagas em maio, mais que o dobro da expectativa, aumentando temor de que o banco central americano seja obrigado a aumentar os juros

Paulo Barros

Bandeira dos Estados Unidos (Foto: Shutterstock)
Bandeira dos Estados Unidos (Foto: Shutterstock)

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O Tesouro Direto voltou do Corpus Christi com taxas nas alturas. Após abertura em leve queda, os juros prefixados atingiram as maiores taxas de 2026 nesta sexta-feira (5), em reação ao dado de mercado de trabalho americano de maio, que trouxe criação de 172 mil vagas, número bem acima das expectativas que variavam entre 80 mil e 88 mil vagas. O resultado pressionou os Treasuries e se transmitiu diretamente à curva doméstica.

No início da tarde, o Tesouro Prefixado 2029 operava a 14,70%, de 14,37% na quarta-feira, alta de 33 pontos-base. O Prefixado 2032 avançou de 14,45% para 14,69%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,48% para 14,72%, maior taxa do conjunto de prefixados nesta sessão.

Nos títulos de inflação, a abertura também foi de alta disseminada. O IPCA+ 2060 com juros semestrais subiu de 7,33% na quarta para 7,45%. O IPCA+ 2040 avançou de 7,44% para 7,55%, o IPCA+ 2045 com juros semestrais foi de 7,49% para 7,58%. No trecho intermediário, o IPCA+ 2032 avançou de 8,15% para 8,23%.

As taxas se moveram junto com uma onda de aversão ao risco devido ao temor elevado de que o Federal Reserve se veja obrigado a voltar a subir os juros americanos.

Além do resultado de maio, o dado de abril foi revisado de 115 mil para 179 mil novas vagas, reforçando a leitura de que o mercado de trabalho americano segue resiliente. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, pelo terceiro mês consecutivo.

André Valério, economista sênior do Inter, destaca que a combinação de emprego forte, inflação próxima de 3,8% e expectativas inflacionárias pressionadas reduz os incentivos para cortes de juros no curto prazo. “A principal questão agora é avaliar se o choque inflacionário provocado pelo petróleo terá caráter temporário. Caso esse movimento seja revertido, o Fed poderá manter os juros no nível atual até uma normalização do ambiente internacional. Ainda assim, na margem, ganha força o cenário em que o Fed possa ser levado a retomar o ciclo de alta de juros, caso as pressões inflacionárias persistam”, afirma.

Andressa Durão, economista do ASA, pondera que nem todos os componentes do relatório apontam para um mercado excessivamente aquecido. “Para o Fed, o relatório confirma um mercado de trabalho forte, mas a household survey, com estabilidade da taxa de desemprego e a desaceleração dos salários, não sugere um mercado suficientemente apertado para gerar riscos inflacionários relevantes. O cenário para a taxa de juros segue sendo de manutenção este ano, mas os riscos para a inflação decorrentes do prolongamento do conflito no Oriente Médio aumentam cada vez mais a probabilidade de alta de juros pelo Fed”, diz.

O Ibovespa recua na abertura com o dado americano no radar, e o dólar opera em forte alta, elemento que adiciona pressão adicional sobre os vencimentos mais longos da curva doméstica.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 15h35 desta sexta-feira (5):

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TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Reserva 2036SELIC01/01/2036
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0744%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202914,69%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203214,68%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,72%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 8,23%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,84%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,54%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,58%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,19%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,43%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos