Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos operam mistas com pressão inflacionária e de olho no Copom

Prefixados pagam até 12,42% com incertezas no curto prazo

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam mistas na tarde desta sexta-feira (11), enquanto os prefixados sobem, os títulos atrelados à inflação recuam.

Bruno Martins, gestor de renda fixa da Warren, aponta que isso é um reflexo do mercado frente ao IPCA de fevereiro que veio acima do esperado.  A inflação oficial no País subiu 1,01% em fevereiro de 2022 na comparação com janeiro. Nos últimos 12 meses, a alta foi de 10,54%.

Martins destaca que este é o sexto mês seguido que o IPCA supera os 10%. Ele avalia que a alta do IPCA, somada a retomada da economia -por conta das diminuições nas restrições da covid-19 – e a guerra entre Rússia e Ucrânia, são fatores que propiciam a pressão inflacionária.

“Repercutindo isso, a curva de juros segue subindo, com destaque para a parte mais curta, onde vemos sensibilidade às possíveis sinalizações do Copom que se reúne na semana que vem”, aponta.

Na visão da Warren, com a pressão inflacionária aumentando, talvez não seja a hora do Banco Central baixar a guarda.

Em relação aos títulos públicos, Martins destaca que as taxas dos prefixados curtos sobem acompanhando as surpresas negativas do IPCA. Ele acredita que o discurso mais ameno, visto na última reunião do Copom, não deve se repetir na próxima semana.

“O aumento nos preços por parte da Petrobrás e a busca de uma solução para o preço dos combustíveis por parte do governo é mais um elemento que agrega volatilidade aos papéis prefixados curtos”, completa.

Dentro do Tesouro Direto, as taxas do título público de curto prazo eram as que mais subiam. O Tesouro Prefixado 2025 entregava uma rentabilidade anual de 12,42%, superior aos 12,35% vistos ontem.

Enquanto o Tesouro Direto 2029 e o Tesouro Direto 2033, com juros semestrais, apresentavam um retorno anual de 12,35% e 12,39%, respectivamente, acima dos 12,33% e 12,36% da quinta-feira (10).

Nos títulos atrelados à inflação, alguns títulos apresentavam quedas nas taxas às 15h19. O Tesouro IPCA+ 2032, com juros semestrais, foi o que mais recuava com uma rentabilidade real de 5,81%, inferior aos 5,85% vistos ontem.

Já os títulos atrelados ao IPCA com vencimento em 2035 e 2045 viram suas taxas ceder 3 pontos-base, ambos entregavam uma rentabilidade real de 5,83% nesta sexta-feira (11), abaixo dos 5,86% da sessão anterior.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta sexta-feira (11): 

Radar externo

“Vamos defender cada centímetro do território da OTAN”, disse Joe Biden, que citou a possibilidade de “Terceira Guerra Mundial” em seu discurso.

Temos 12 mil soldados americanos nos países ao redor da Ucrânia. Se eles se movimentarem contra a OTAN, começará a Terceira Guerra”, alertou o presidente dos EUA, que fez questão de ressaltar que “nós não queremos a Terceira Guerra Mundial”.

“Estamos trabalhando pela paz e pela segurança”, completou. “Se mandarmos ofensivas, tanques e aviões pra Ucrânia, não se enganem, isso se chama Terceira Guerra Mundial (falou pausadamente e com certo ar de drama!). Vamos deixar isso bem claro, por favor. Não se enganem!”

Enquanto na Rússia, o Conselho de Segurança especula sobre a possibilidade de nacionalizar propriedades de norte-americanos e europeus no país.

O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, disse que o ato seria uma resposta às novas sanções anti-russas, segundo a agência de notícias TASS.

“É a tomada de ativos de estrangeiros e empresas estrangeiras na Rússia com base no princípio de defesa do país. Felizmente, temos uma vasta experiência e temos uma lei sobre essa questão. Uma lei dura”, acrescentou Medvedev.

Inflação

O destaque da cena local está nos números da inflação oficial em fevereiro. Com o resultado de hoje, o índice ficou 0,47 ponto percentual acima do registrado em janeiro (0,54%). No mês passado, os principais impactos vieram da educação (5,61%) e alimentação e bebidas (1,28%).

“Em fevereiro, são incorporados no IPCA os reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. Portanto esse foi o item que teve o maior impacto no mês, com peso de 0,31 ponto percentual. O outro grupo que pesou bastante no mês foi o de alimentação e bebidas, que acelerou para 1,28% e contribuiu com 0,27 ponto percentual. Juntos, os dois grupos representaram cerca de 57% do IPCA de fevereiro”, ressalta o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Os números anunciados hoje não refletem ainda o reajuste anunciado ontem pela Petrobras, que elevou o preço médio de venda da gasolina em 18,77% e do diesel em 24,93%, a partir de hoje nas refinarias. A medida, no entanto, já pôde ser sentida nas bombas.

IPCA aumenta expectativa por Copom

A alta de 1,01% na inflação de fevereiro, maior para o mês desde 2015, não só veio acima do esperado, como também trouxe uma perspectiva de agravamento do avanço de preços, com revisões nos próximos meses para cima, ainda que as altas registrem desaceleração frente o segundo mês do ano.

Além da intensidade com a qual acelerou em fevereiro, a última leitura do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ainda não abarca dois eventos importantes: o conflito na Ucrânia, que tem encarecido as matérias-primas e foi desencadeado no fim do mês passado, e o reajuste dos combustíveis, que entrou em vigor nesta sexta-feira.

“É uma inflação que, por si só, já preocuparia e provocaria revisões para cima, incentivando um debate sobre o ritmo de alta de juros do Banco Central”, afirma Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC vai se reunir nos próximos dias 15 e 16 de março e deve subir novamente a taxa de juros. Vale lembrar que, na reunião passada, a autoridade monetária chegou a sinalizar com o início de uma desaceleração no ciclo de aperto monetário. Segundo consenso Refinitiv, a projeção é de alta de 1 ponto percentual na Selic, para 11,75%.

Para Cruz, o IPCA de fevereiro coloca pressão para que a autoridade monetária mude o discurso e indique uma postura mais dura para os próximos passos. “Vai ter que passar mensagens mais hawkish, para segurar perspectivas futuras de inflação”, afirma.

Na visão de Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, a inflação de fevereiro não deve alterar expectativa para o Copom da próxima a semana – ela também projeta elevação da Selic em 1 ponto semana que vem. “Eles ainda estão identificando o melhor momento para movimentos mais elevados e traçando uma melhor estratégia para a política monetária”, afirma. A economista, no entanto, admite que o dado não é positivo para o Banco Central nem para o mercado, e sinaliza que, ao longo dos próximos meses, o Brasil vai enfrentar uma inflação bastante elevada.

O Bank of America (BofA) praticamente dobrou sua projeção para o IPCA de março, de 0,46% para 0,81%. O relatório de David Beker, estrategista do banco, destaca a pressão da categoria de alimentos e bebidas, que avançou para 1,28% entre janeiro e fevereiro, e, principalmente, do segmento de educação, no qual os preços subiram para 5,61%. O desempenho da categoria confirma o que muitos economistas temiam: mais cedo ou mais tarde, o setor de serviços, que represou preços ao longo da pandemia, cobraria sua conta.

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