Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos operam mistas com PPI, aperto monetário global e risco fiscal

Prefixados oferecem até 12,12% ao ano; alguns títulos de inflação recuam

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -


As taxas dos títulos públicos operam em direção mista na tarde desta quarta-feira (13). A maioria dos títulos prefixados avançam, enquanto alguns papéis atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) experimentam recuo nos retornos.

Segundo Luciano Costa, economista e sócio da Monte Bravo Investimentos, os juros curtos acompanhavam a alta do petróleo e dados positivos do varejo.

Enquanto os juros longos sobem impulsionados por três fatores: a alta do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos; questões domésticas que podem impactar no fiscal e a dúvida do mercado sobre a duração do aperto monetário no Brasil.

O PPI dos Estados Unidos subiu 1,4% em março ante fevereiro. Na comparação com março de 2021, a alta foi de 11,2%. “O dado veio acima do esperado, com pressões nos serviços e núcleo de inflação”, avalia Costa. Ele, no entanto, cita um movimento diferente que fez os juros avançarem nesta quarta-feira: a aversão ao risco.

No fiscal, o economista destaca a preocupação do mercado com reajustes de servidores e a discussão de possível reajuste da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

No radar do mercado, Costa cita a divulgação das taxas de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira (14), que podem contribuir com o sentimento de aperto monetário global.

Dentro do Tesouro Direto, a maior alta era nas taxas do título prefixado de longo prazo. O Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentava um retorno anual de 12,01%, superior aos 11,98% da sessão anterior.

Já o Tesouro Prefixado 2025 oferecia uma rentabilidade anual de 12,12%, acima dos 12,10% vistos ontem. O Tesouro Prefixado 2029 apresentava estabilidade nas taxas.

Nos títulos atrelados ao IPCA, dois títulos registravam queda nas taxas. O Tesouro IPCA+ 2040 e o Tesouro IPCA+ 2055, ambos com juros semestrais, ofereciam um retorno real de 5,60% e 5,70%, respectivamente. A rentabilidade é menor da registrada na terça-feira (12) de 5,62% e 5,74%.

Os outros títulos atrelados à inflação operavam com estabilidade nas taxas.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta quarta-feira (13): 

PPI

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 1,4% em março ante fevereiro, segundo dados com ajustes sazonais publicados nesta quarta-feira pelo Departamento do Trabalho do país. Na comparação com março de 2021, a alta foi de 11,2%.

O dado ficou acima do esperado. A estimativa do consenso Refinitiv era de alta de 1,1% do índice cheio na comparação mensal e de 10,6% na base anual.

Excluindo alimentos e energia, a alta também veio acima do esperado. O dado na base mensal mostrou avanço de 1%, ante projeção Refinitiv de 0,5%, enquanto na base anual a alta foi de 9,2%, ante projeção de variação positiva de 8,4%.

Varejo

Na cena local, agentes financeiros repercutem os dados do varejo em fevereiro. Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o setor subiu 1,3% no segundo mês do ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

A expectativa, segundo consenso Refinitiv, era de que as vendas no varejo tivessem baixa de 1,1% na comparação anual.

Segundo o IBGE, o setor está 1,2% acima do patamar pré pandemia, e 4,9% abaixo do pico da série (outubro de 2020). No ano, o varejo recua 0,1%. Já nos últimos 12 meses, houve crescimento de 1,7%.

Seis das oito atividades pesquisadas tiveram taxas positivas em fevereiro. Embora o setor de livros, jornais, revistas e papelaria tenha crescido 42,8%, os maiores impactos vieram de combustíveis e lubrificantes (5,3%), móveis e eletrodomésticos (2,3%), tecidos, vestuário e calçados (2,1%).

Rentabilidade de CDB

Com as revisões para a alta esperada da Selic no ano, a demanda por investimentos de prazo mais curto e a necessidade de financiamento de instituições financeiras, cresceram as ofertas de títulos bancários – como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs) – com vencimento em apenas 3 meses. E apesar do prazo curto, as taxas oferecidas estão mais atrativas.

Levantamento feito pelo InfoMoney com dados da Yubb, plataforma que compila informações sobre investimentos de diversas corretoras, mostra que o retorno bruto máximo oferecido por algumas LCAs com vencimento em três meses chegava a 91% do CDI na última terça-feira (12). Nesse caso, o emissor era do Banco ABC Brasil e o valor mínimo de aplicação era de R$ 1 mil.

Já entre os CDBs, era possível encontrar alguns que entregavam juros brutos de até 110% do CDI, também com resgate em três meses. Tal papel era emitido pelo Banco Bari e o investimento inicial era de R$ 50, de acordo com dados da Yubb.

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