Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos operam mistas acompanhando movimento dos Treasuries e novas pressões inflacionárias

Prefixados oferecem até 12,19% na tarde desta terça-feira

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam em direção mista na tarde desta terça-feira (19), enquanto as taxas dos títulos prefixados avançam, há um movimento de queda na maioria dos títulos atrelados à inflação.

Segundo Cristiane Quartalori, economista do Banco Ourinvest, os juros apresentaram uma tendência de alta durante o dia acompanhando o movimento dos Treasuries – títulos do Tesouro Americano. Os Treasuries subiram repercutindo fala de James Bullard, presidente do Federal Reserve de St. Louis, que não descarta um aumento de 75 pontos-base nos juros dos Estados Unidos em 2022.

O retorno do Note de 10 anos chegou a 2,91590% mais cedo, enquanto o título com vencimento de 30 anos atingiu a maior alta desde 2019.

A economista destaca também que as projeções de crescimento global, divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), acabaram reforçando este movimento. O FMI cortou a projeção do PIB global de 2022 em 0,8 ponto percentual.

“Embora o IPC da Fipe tenha um peso menos relevante no mercado, o indicador também ficou acima do esperado reforçando um cenário de preços mais pressionado como a gente viu no IPCA de março e no IGP-10 de abril”, afirma Cristiane.

Segundo a economista, no radar do mercado para as próximas sessões está o reajuste dos servidores e a greve do Banco Central, além de novos desdobramentos sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Dentro do Tesouro Direto, as taxas dos títulos prefixados subiam, com destaque para o título de médio prazo.

O Tesouro Prefixado 2029 oferecia um retorno anual de 12,08% na última atualização desta terça-feira (19), superior aos 12,04% vistos ontem.

Enquanto o Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentavam uma rentabilidade anual de 12,17% e 12,19%, respectivamente, acima dos 12,14% e 12,16% da sessão anterior.

Nos títulos atrelados à inflação, o movimento era de queda nas taxas. A maioria dos títulos experimentava baixa entre 2 e 3 pontos-base nas taxas.

O Tesouro IPCA+ 2035 e o Tesouro IPCA+ 2045 ofereciam um retorno real de 5,60%, abaixo dos 5,63% registrados na segunda-feira (18).

O movimento era semelhante no Tesouro IPCA+ 2032, com juros semestrais, que oferecia um ganho real de 5,56%, inferior aos 5,59% da sessão anterior.

Os títulos com vencimento em 2026 e 2055 apresentavam estabilidade nas taxas.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (19): 

FMI

A tragédia humanitária que ocorre na Ucrânia causada pela invasão do exército da Rússia gera consequências econômicas em todo o planeta e levou o Fundo Monetário Internacional a uma substancial redução da estimativa do crescimento global para 2022: de 4,4%, realizada em janeiro antes do conflito, para 3,6%.

O FMI adverte que a guerra no leste europeu tornará mais elevados os preços de commodities e ainda mais persistente a alta inflação pelo mundo, que já estava elevada devido às rupturas em cadeias de produção intercontinentais geradas pela pandemia. Para 2023, a instituição multilateral reduziu a previsão do PIB global de 3,8% para 3,6%.

A catástrofe vivida pelo povo da Ucrânia com os bombardeios russos provocaram uma depressão econômica no país. O FMI estima que o Produto Interno Bruto (PIB) daquela nação cairá 35% neste ano e não arriscou fazer nenhuma previsão para 2023, um fato inédito, como aponta o capítulo 1 do relatório Perspectiva Econômica Mundial.

As sanções internacionais que a Rússia enfrenta devido às agressões bélicas também gerará um preço alto para as autoridades em Moscou em termos de crescimento. O Fundo prevê que o PIB do país liderado por Vladimir Putin deverá cair 8,5% neste ano e terá uma retração de 2,3% em 2023.

Brasil e estagflação

O Instituto Internacional de Finanças (IIF) avalia que o Brasil enfrenta quadro de estagflação, com crescimento econômico lento e taxas de inflação elevadas.

Segundo o relatório do IIF, México, Indonésia e Índia também se enquadram nessa categoria. Adicionalmente, destaca que, em muitas países emergentes, a escalada inflacionária coexiste com uma recuperação incompleta de recessões anteriores à emergência da covid-19.

Isso significa que a demanda não é a fonte principal das pressões inflacionárias. “Choques de oferta provavelmente explicam a alta da inflação”, pontuou. Na contramão, o IIF entende que Chile e Colômbia exibem desempenho marcado por atividade forte e inflação alta. (Estadão Conteúdo).

Petróleo

O banco JP Morgan alertou que o banimento total de petróleo russo pode levar preço do barril Brent a US$ 185.

Se a União Europeia interromper totalmente a compra do petróleo russo, o mercado internacional pode ver a oferta mundial da commodity minguar em cerca de 4 milhões de barris por dia.

O JP Morgan, no entanto, não vê a Europa cortando o fornecimento totalmente, mas sim, no máximo, diminuir as compras em cerca de 2,1 milhões de barris por dia até o fim do ano – algo parecido vem sendo feito com o carvão proveniente da Rússia, com uma eliminação gradual.

A França, recentemente, defendeu um embargo ao petróleo russo, após o que está sendo visto em Donbass. Os horrores da guerra são vistos pelo banco como um impulso que pode levar a UE a tomar medidas mais duras.

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