Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos operam mistas com alta da Selic já precificada e tensões Rússia X Ucrânia

Apesar de o IPCA-15 ter vindo acima do esperado, os juros cederam como sinal de que o mercado já precificava uma taxa básica de juros maior para 2022

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas de títulos públicos do Tesouro Direto operam mistas nesta quarta-feira (23). Enquanto os juros dos títulos prefixados recuam, alguns títulos atrelados à inflação sobem.

Cristiane Quartalori, economista do Banco Ourinvest, observa que nem mesmo com dados de inflação acima do esperado e alta disseminada entre os grupos, a curva de juros avançou durante o dia. “Isso sinaliza que o mercado já precificava uma Selic mais alta no final de 2022”, afirma.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 voltou a acelerar em fevereiro ao ficar em 0,99%, na comparação mensal. O valor surpreendeu por estar acima do esperado pelo consenso de mercado, que aguardava que o indicador avançaria 0,85%, segundo economistas consultados pela Refinitiv.

Trata-se da maior variação para um mês de fevereiro desde 2016 (1,42%). Em 12 meses, a prévia oficial da inflação está em 10,76%, acima dos 10,20% registrados nos 12 meses anteriores.

Contudo, Cristiane esclarece que esse comportamento de baixa nos juros pode ser pontual, por causa da crise entre Rússia e Ucrânia. Segundo a economista, o agravamento do conflito implicaria em mais pressões inflacionárias ao redor do mundo, o que poderia pressionar ainda mais as taxas de juros de vários países.

Dentro do Tesouro Direto, todas as taxas dos títulos prefixados apresentavam queda na última atualização desta quarta-feira (23). A maior baixa era do Tesouro Prefixado 2025 que entregava uma rentabilidade anual de 11,32%, inferior aos 11,43% vistos ontem.

Já o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro Prefixado 2031, com juros semestrais, apresentavam uma rentabilidade anual de 11,44% e 11,52%, abaixo dos 11,47% e 11,58%, registrados na terça-feira (22).

Nos títulos atrelados à inflação, apenas o Tesouro IPCA+ 2026 subia com uma rentabilidade real de 5,40%, superior aos 5,38% vistos ontem.

Enquanto o Tesouro IPCA+ 2035 e o Tesouro IPCA+ 2045 recuavam, ambos os títulos tinham às 15h23 um retorno real de 5,69%, inferior aos 5,71% da sessão anterior.

Já os títulos atrelados à inflação, com juros semestrais, estavam estáveis.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta quarta-feira (23): 

IPCA-15

O destaque da agenda econômica está na prévia oficial da inflação. Em fevereiro, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram variação positiva. Apenas saúde e cuidados pessoais recuaram 0,02%, após a alta de 0,93% verificada em janeiro.

A maior variação (5,64%) e o maior impacto (0,32 p.p.) vieram do grupo educação. Na sequência, o impacto maior veio do grupo alimentação e bebidas (1,20% e 0,25 p.p.), que acelerou na comparação com o mês anterior (0,97%), e transportes, que subiu 0,87% após queda de 0,41% em janeiro e contribuiu com 0,19 p.p. em fevereiro.

Arrecadação federal recorde

Destaque também para a arrecadação federal, que cresceu 18,3% em janeiro, valor recorde para o mês. Foram arrecadados R$ 235,3 bilhões em janeiro, melhor desempenho para o mês da série corrigida pela inflação, que tem início em 1995.

Conforme a Receita, a expansão é atribuída a fatores macroeconômicos, mas também a recolhimentos atípicos e à alta do petróleo, que afeta o pagamento de royalties.

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, afirmou que o setor de commodities também tem um peso importante na arrecadação tributária, para além dos royalties.

“Se esse desempenho (das commodities) continuar em 2022, vamos ter desse setor também um desempenho extraordinário na arrecadação, ainda que a economia possua outro ritmo de crescimento”, disse.

Radar externo

Atenção também para a reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, em que os membros estão reunidos para discutir a crise entre a Rússia e Ucrânia.

Segundo o The Guardian, o chefe da ONU, o ex-primeiro-ministro de Portugal António Guterres, disse que “se o conflito na Ucrânia se expandir, o mundo poderá ver uma escala e gravidade de necessidades não vistas por muitos anos”.

Já o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, alertou duramente que a crise afeta a todos: “o que está acontecendo agora no leste da Ucrânia deve ser uma preocupação para todos. Para todos vocês. Ninguém poderá ficar de fora desta crise”.

O governo dos EUA alertou presidente ucraniano sobre uma provável invasão em larga escala da Rússia nas próximas 48 horas, diz Newsweek.

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