Renda fixa

Tesouro Direto: taxas operam mistas com IPCA-15, câmbio e à espera do Fed

Prefixados oferecem até 13,35% ao ano; ganho dos papéis de inflação chega a 6,23%

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam mistas na tarde desta terça-feira (26). Nos prefixados, as taxas recuam até 11 pontos-base, enquanto nos títulos atrelados à inflação as taxas avançam até 4 pontos-base.

Segundo Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, a queda nas taxas ocorre por conta das divulgações de índices de inflação – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) e Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) – que vieram abaixo do esperado.

“A combinação de um IPCA-15, prévia da inflação de julho, e o IPC-S em baixa reforçam a tese de um IPCA negativo em julho”, destaca.

O IPCA-15 avançou 0,13% em julho na comparação mensal – percentual que veio abaixo dos 0,17% esperados pelo mercado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o número mostra certo alívio, mas a divulgação do IPCA cheio deve oferecer “mais indícios sobre os efeitos das medidas tributárias” aprovadas pelo Congresso. A casa espera que haja uma leve deflação – quando há uma queda generalizada de preços e se trata de uma tendência recessiva – da inflação oficial em julho.

Além dos índices de inflação, Borsoi, da Nova Futura, cita a queda do dólar e do risco país nesta terça-feira (26), que também contribuíram com a queda dos prêmios na curva de juros.

No exterior, as taxas de juros também apresentaram um movimento de baixa, com o mercado precificando uma possível recessão e diante de um sentimento de cautela dos investidores por conta da reunião do Federal Reserve, banco central americano, nesta quarta-feira (27).

No radar dos investidores e que pode impactar futuras sessões na curva de juros, Borsoi destaca também os dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, que serão divulgados na quinta-feira (28).

Já na sexta-feira (29), o economista lembra dos dados da inflação de preços ao consumidor (CPI) na zona do euro e índice de preços de gastos com consumo (PCE) nos Estados Unidos.

Dentro do Tesouro Direto, a rentabilidade oferecida pelos prefixados chegava a 13,35% ao ano, por volta das 15h18. Já o maior ganho real dos papéis de inflação era de 6,23%.

Nos prefixados, a maior queda era nas taxas dos títulos de curto e médio prazo. O Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2029 ofereciam um retorno anual de 13,14% e 13,23%, respectivamente, abaixo dos 13,25% e 13,34%, registrados ontem.

Já o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentava uma rentabilidade anual de 13,35%, inferior aos 13,41% da sessão anterior.

Nos títulos atrelados à inflação, o movimento era de alta nas taxas, de entre 3 e 5 pontos-base.

Apenas a taxa do Tesouro IPCA+ 2055 permanecia estável.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta terça-feira (26):

Fonte: Tesouro Direto

Falta de demanda em leilões

O Tesouro Nacional brasileiro vem enfrentando dificuldades acima da média ao colocar títulos da dívida pública em leilão. Segundo comentários de analistas ouvidos pelo InfoMoney, a demanda caiu consideravelmente nos últimos eventos do tipo, pelo fato de o mercado estar cobrando taxas superiores às oferecidas para comprar os passivos federais. Investidores estariam insatisfeitos com os rendimentos em meio ao disparo do risco Brasil, principalmente com os dos títulos mais longos.

Nesta terça-feira (26), por exemplo, apenas cerca de um terço da Notas do Tesouro Nacional de série B (NTN-B) para 2043 ofertadas foram emitidas, isso mesmo pagando o IPCA + 6,247%, a segunda maior taxa do ano.

Já na última quinta, o lote de 4,5 milhões de letras do Tesouro Nacional (LTNs) colocado em leilão oferecia as maiores taxas desde 2016. Mesmo em quantidade menor do que a registrada uma semana antes, quando 7,5 milhões de títulos foram ofertadas, apenas 4,1 milhões de LTNs foram vendidas – ante 7,15 milhões da semana anterior.

Saiba mais em:

PIB dos EUA

Em semana de decisão de política monetária, a agência Moody’s cortou as previsões para o crescimento da economia dos Estados Unidos neste ano e no próximo, como resultado da política monetária cada vez mais restritiva.

Na visão da agência, a desaceleração da atividade reflete fatores fora do controle do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), como gargalos de oferta e avanço dos preços de energia.

Segundo relatório, a instituição reduziu a projeção para alta do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA em 2022, de 2,8% a 2,1%, e em 2023, de 2,3% a 1,3%. De acordo com a análise, a taxa de desemprego deve subir do “baixo nível” atual de 3,6% a 4,0% no ano que vem, por causa do enfraquecimento do ritmo de contratações e aumento da força de participação no mercado de trabalho.

IPCA-15

O destaque da agenda econômica está nos números da prévia da inflação, medida pelo IPCA-15. Segundo o IBGE, o índice desacelerou para 11,39% na comparação com julho de 2021. A expectativa, segundo o consenso Refinitiv, era de alta de 11,41% na base anual.

Nesta terça-feira, o índice registrou a menor variação mensal para o IPCA-15 desde junho de 2020, durante a primeira onda da pandemia (quando ficou em 0,02%).

A inflação desacelerou puxada pelos grupos de transportes (-1,08%) e habitação (-0,78%), que segundo o IBGE contribuíram conjuntamente com uma redução de 0,36 ponto percentual no IPCA-15 de junho.

Embora o índice tenha registrado certo alívio, seis dos nove grupos pesquisados tiveram alta de preços no mês. No ano, o indicador já acumula avanço de 5,79%.

Para a economista da XP Tatiana Nogueira, os números de serviços também voltaram a preocupar ao mostrar que estão sob pressão. Nos cálculos da casa, o grupo acelerou 0,84%, ante projeção de 0,64%. Os serviços subjacentes aumentaram 0,91% (estimativa: 0,84%).

“A aceleração foi generalizada, com surpresas na alimentação fora de casa. Por outro lado, a alimentação em casa subiu menos do que o esperado, com surpresas de itens mais voláteis, que se beneficiam da sazonalidade do meio do ano, como tubérculos e frutas”, destacou a especialista.

Para a economista, a leitura de hoje foi neutra para que o Banco Central adote uma postura mais hawkish (mais inclinada ao aperto monetário). “Enquanto a maior deflação da eletricidade deve ter sido apenas antecipada, a pressão sobre os preços dos serviços pode durar mais”, ponderou.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, também alertou que os números de hoje apontaram que o índice de difusão – que mede a quantidade de produtos e serviços que subiram no mês – segue elevado. Nos cálculos do profissional, o indicador permanece acima dos 67%, o que indica que a inflação continua bastante disseminada.

Antecipação de dividendos, auxílio de R$ 600

Para entregar as contas do governo no último ano do mandato do presidente Jair Bolsonaro (PL) no azul, o Ministério da Economia pediu para que companhias como Petrobras (PETR3;PETR4), Caixa, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil (BBAS3) antecipem o pagamento de dividendos à União.

Agora, o governo estima que pode ter um superávit no fim do ano, mesmo com o aumento de R$ 41,2 bilhões de gastos com a aprovação da PEC dos Auxílios, que ampliou e criou novos benefícios sociais até 31 de dezembro.

Embora a previsão do governo é de que as “benesses” sejam pagas até o fim do ano, cientistas políticos e economistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que o Auxílio Brasil de R$ 600 por mês deve ser mantido pelo próximo governo, a despeito da delicada situação fiscal do país.

Tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o atual presidente Jair Bolsonaro (PL), líderes das pesquisas de intenção de voto até então, já disseram publicamente que pretendem manter os R$ 600 em 2023.

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