Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos sobem com falas de Campos Neto e Bruno Serra, do BC

Prefixados oferecem até 11,98% ao ano; ganho real dos papéis de inflação chega a 5,88%.

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As taxas dos títulos público avançam na tarde desta terça-feira (6), véspera do feriado. Nos prefixados a alta nas taxas é de até 21 pontos-base; já nos papéis atrelados à inflação as taxas sobem até 13 pontos-base.

Segundo Luciano Costa, economista-chefe e sócio da Monte Bravo Investimentos, o dia foi marcado pela volatilidade, após discursos de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC) e Bruno Serra, diretor de política monetária da instituição, em eventos.

Campos Neto, sinalizou, em evento na noite de segunda-feira (5), que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) – que tem reunião agendada para os dias 20 e 21 deste mês – está em aberto e que o colegiado vai avaliar “um possível ajuste final” da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

“O mercado que tinha colocado uma possibilidade baixa disso acontecer, acabou ficando pressionado com as taxas subindo”, destaca Costa.

Para colocar mais pimenta ao cenário, nesta manhã teve ainda declarações de Bruno Serra, em live do Bradesco Asset Management, apontando que o trabalho de convergência da inflação com a meta do BC ainda não está terminado, o que segundo Costa, deu a entender que os cortes vistos na curva de juros são prematuros. “Serra questionou como poderíamos ter corte de juros em 2023, se a inflação para 2024 ainda está acima da meta. O mercado reagiu retirando essa precificação de cortes da curva”, afirma o economista.

Costa destaca que no seu discurso, Serra também manifestou preocupação com as expectativas para a inflação em 2024, como algo que o BC tem que se preocupar. “Os discursos tiveram um tom mais hawkish (preocupados com a inflação)”, avalia.

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No exterior, o economista destaca a alta das Treasuries e o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços dos Estados Unidos que veio acima do esperado.

O PMI avançou de 56,7 em julho a 56,9 em agosto. A maioria dos analistas previam recuo a 55,5.

“Isso reforça que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve seguir aumentando juros, com probabilidade de 0,75 ponto percentual na próxima reunião.

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No radar do mercado e que deve mexer com a curva de juros na quinta-feira (8), Costa cita o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed, que participa do evento “O estado da política monetária após 40 anos”, organizado pelo Cato Institute.

A conversa com o chairman está prevista para ter início às 10h10 (horário de Brasília) e será transmitida ao vivo pela internet. Esta será a primeira fala pública de Powell após seu discurso no simpósio anual de Jackson Hole, que fez com que a maioria do mercado voltasse a apostar em uma alta de 75 pontos-base nos juros.

Dentro do Tesouro Direto, a maior alta nas taxas era no título prefixado de curto prazo. O Tesouro Prefixado 2025 oferecia às 15h24 um retorno anual de 11,98%, acima dos 11,77% vistos na segunda-feira (5);

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Já o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentavam uma rentabilidade anual de 11,88% e 11,96% respectivamente, superior aos 11,75% e 11,91% registrados ontem.

Nos títulos atrelados à inflação a maior alta nas taxas era do Tesouro IPCA+ 2026. O título público oferecia um ganho real de 5,79% na tarde de hoje, acima dos 5,66% da véspera.

As outras taxas avançavam entre 5 e 13 pontos-base. O maior ganho real registrado nesta sessão era de 5,88%, do Tesouro IPCA+ 2055.

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Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta terça-feira (6):

(Fonte: Tesouro Direto)

Campos Neto hawkish?

Em evento promovido ontem pelo Valor Econômico, Campos Neto afirmou que “a gente entende que tem que passar mensagem dura”. “Aproveitamos eventos como esse para nos manifestar e a mensagem que continua valendo hoje é a do último Copom, que a gente disse que avaliaria um possível ajuste final”, disse.

Ele reforçou, em mais de uma ocasião, que o BC vai avaliar um possível ajuste final na reunião do Copom em setembro. No encontro de agosto, o BC disse que avaliaria “a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”.

Como em sua última apresentação, Campos Neto disse que a batalha da inflação não está ganha e que “não é para comemorar”, apesar da melhora recente do IPCA – índice oficial de inflação – e das expectativas de 2022. O presidente do BC voltou a destacar que o principal motivo para melhora no curto prazo são as medidas de desoneração tributária do governo, mas citou que há notícias mais favoráveis em “outros índices” na margem. Campos Neto ainda avaliou que há uma reprecificação da inércia para 2023, que fica menor com as expectativas cadentes para este ano.

Preços dos combustíveis

O preço médio do litro do diesel comum em agosto foi comercializado a R$ 7,42, e do tipo S-10 a R$ 7,51, valores 4,65% mais baratos quando comparados ao fechamento de julho. O levantamento é da Ticket Log, com base nos abastecimentos realizados em seus 21 mil postos credenciados.

Douglas Pina, diretor-geral de Mainstream da Divisão de Frota e Mobilidade da Edenred Brasil, diz que apesar do recuo e do preço do combustível estar abaixo da paridade ante o mercado internacional, quando comparado com o preço comercializado nas bombas em 2021, em que o litro do tipo comum estava R$ 4,83 e o tipo S-10 custava em média R$ 4,89, o combustível está 53% mais caro para os motoristas.

Juros nos EUA e na Europa

Segundo dados do FedWatch, do CME Group, a probabilidade de o Fed (Federal Reserve, banco central americano) elevar de forma mais agressiva a taxa de juros em sua reunião deste mês – para o patamar de 3,00%-3,25% – é de 66% nesta terça-feira (6). Ontem, o índice estava em 54%. Agora, há também 34% de chance de que o Fed eleve a taxa de juros em 0,50 pp.

A reunião de política monetária dos Estados Unidos nesse mês encerrará no mesmo dia da reunião do Copom brasileiro: 21 de setembro.

Já no Velho Continente, Yannis Stournaras, dirigente do Banco Central Europeu (BCE), avalia que a inflação está próxima do pico e deve iniciar uma “firme desaceleração”, em meio à estabilização dos preços de energia e o arrefecimento dos gargalos globais de oferta. Em artigo publicado na revista Eurofi, Stournaras argumentou que o cenário permitirá que o BCE promova uma “normalização progressiva” dos juros, com a decisão tomada a cada encontro.

“Tanto o momento quanto o ritmo dos movimentos dependerão da evolução de nossa avaliação em relação aos riscos inflacionários, que podem refletir gargalos na oferta, mas também pressões contracionistas sobre os preços”, escreveu Stournaras.


Diretora de Redação do InfoMoney


Repórter de investimentos no InfoMoney, acompanha ETFs, BDRs, dividendos e previdência privada.