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Embraer (EMBJ3), Itaú Unibanco (ITUB4), Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) chegam a setembro empatados no topo das carteiras recomendadas de ações, com sete indicações cada entre as dez casas consultadas pelo InfoMoney. É o maior empate na liderança em 2026, e quase o dobro do verificado em julho.
O levantamento chega depois de um agosto de duas metades na Bolsa. O Ibovespa acumulava perda de 6,5% até o dia 18, após onze pregões seguidos no vermelho, e recuperou quase tudo na reta final, encerrando o mês em queda de 0,33%. A retomada aconteceu apesar da saída de estrangeiros, e da temporada de balanços decepcionante do segundo trimestre.
Para setembro, as casas olham para a reunião do Copom do dia 16, na mesma data da decisão do Federal Reserve. A Selic está em 14% ao ano e, aos poucos, os analistas vêm vendo mais espaço para mais uma redução de 0,25 ponto percentual, em meio ao clima de eleições que deve pesar na formação dos preços até outubro.
Vejas as ações mais recomendadas para o mês de setembro:
| Açao | Recomendações | Retorno no mês (%) |
|---|---|---|
| Embraer (EMBJ3) | 7 | +7,60 |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | 7 | -7,82 |
| Petrobras (PETR4) | 7 | +6,94 |
| Vale (VALE3) | 7 | +4,92 |
| Axia Energia (AXIA3) | 6 | +0,57 |
| Gerdau (GGBR4) | 6 | -4,00 |
| Rede D’Or (RDOR3) | 6 | +1,56 |
| Ibovespa | – | -0,33 |
Embraer (EMBJ3)
O segundo trimestre da Embraer obrigou a companhia a rever o guidance para cima. O Santander registra EBIT ajustado de US$ 237 milhões, 33% acima do consenso, com receita 11% superior ao esperado, e lembra que a projeção de margem EBIT para 2026 passou de uma faixa de 8,7% a 9,3% para 10,0% a 10,6%. A revisão reflete principalmente a isenção das tarifas de importação dos Estados Unidos no segundo semestre.
O BB Investimentos destaca a carteira de pedidos de US$ 35 bilhões e a alavancagem próxima de zero, além do valor da EVE, que na avaliação do banco ainda não aparece no preço da ação. Para o BTG Pactual, o momento de resultados segue forte a partir do segundo semestre, apoiado na melhora da cadeia de suprimentos e em maior eficiência operacional. O Itaú BBA carrega o papel com 20% da carteira e trabalha com preço justo de R$ 124.
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Itaú Unibanco (ITUB4)
O banco entregou lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, com retorno sobre o patrimônio de 24,3%, e a leitura predominante é de consistência. O BB Investimentos aponta crescimento saudável da carteira de crédito e estabilidade da inadimplência mesmo num ambiente seletivo para concessão. A Terra Investimentos, que incluiu o papel em setembro, destaca a carteira de R$ 1,52 trilhão em junho, com avanço de 9,6% em doze meses.
A ação caiu cerca de 10% em dólar em agosto, com o aumento dos resgates de estrangeiros diante da incerteza eleitoral, e o BTG Pactual usa a queda como argumento de entrada: “continuamos vendo o Itaú como a tese de qualidade do setor e nosso banco large-cap preferido”, diz o banco, que apoia a tese na qualidade dos ativos e na gestão de risco. A XP reduziu o peso do papel de 10% para 7,5% diante de um cenário de crédito mais desafiador, mas manteve a posição.
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Petrobras (PETR4)
A estatal aparece em sete carteiras como tese de geração de caixa e dividendos. O EBITDA ajustado recorrente somou cerca de US$ 20 bilhões no segundo trimestre, alta de 70% sobre o trimestre anterior, e a dívida líquida sobre EBITDA recuou de 1,43x para 1,14x, nos números do Santander, que elevou a recomendação para compra e o preço-alvo de R$ 35 para R$ 60.
O BTG Pactual estima yield de fluxo de caixa ao acionista próximo de 11% e dividend yield de 9% em 2027, assumindo Brent a US$ 70 por barril. A Genial Investimentos lembra que o papel negocia a 4,9 vezes o lucro dos últimos doze meses, um dos múltiplos mais baixos entre as grandes da Bolsa, com retorno sobre patrimônio de 27,8%. Para a Ágora Investimentos, a descoberta de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, é um marco técnico relevante, ainda que distante de representar produção comercial.
Vale (VALE3)
A mineradora reportou receita líquida de US$ 10,5 bilhões no segundo trimestre, alta de 19% em um ano, com EBITDA pro forma de US$ 4,1 bilhões e fluxo de caixa livre de US$ 1,5 bilhão, além de produção recorde de minério de ferro. A companhia anunciou US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio e um novo programa de recompra, pontos que a Andbank trata como sustentação da tese.
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Para a Ágora, o caso é essencialmente de valuation e retorno de caixa, com o papel negociando a múltiplo deprimido e yield elevado, o que na leitura da corretora precifica um cenário excessivamente pessimista para o minério de ferro. O BB Investimentos destaca a contribuição crescente da divisão de metais básicos para o resultado consolidado. A XP mantém a ação na carteira com peso de 5%, ainda que com recomendação neutra.
Axia Energia (AXIA3)
A elétrica volta ao pelotão de frente depois de liderar sozinha em maio e dividir a ponta em abril. O BTG Pactual a classifica como “um de nossos nomes preferidos para o ambiente atual”, com a visão otimista para os preços de energia se traduzindo em geração de caixa mais forte. O banco estima dividend yield médio de 10% entre 2027 e 2029 e taxa interna de retorno real de 13%.
O BB Investimentos aponta os ganhos da comercialização da energia descotizada das hidrelétricas com concessões prorrogadas e a expansão em transmissão, incluindo os projetos conquistados no leilão de 3 de julho, que devem somar mais de R$ 100 milhões em receita anual. Para a Ágora, a correção recente abriu oportunidade numa tese apoiada na recuperação dos preços de energia no longo prazo, com retorno estimado em torno de 10% em 2026 somando dividendos e recompras. O Itaú BBA enxerga no papel o maior potencial de valorização de sua carteira, de 41,1%.
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Gerdau (GGBR4)
A siderúrgica é a maior escalada do ranking. Ficou fora da lista de julho, teve quatro das oito indicações em agosto e chega agora a seis. O BTG Pactual apoia a tese em três pilares, e o primeiro é a exposição aos EUA, de onde vem cerca de 75% do EBITDA, com margens que o banco espera acima de 20% por mais tempo, sustentadas por preços do aço em alta e demanda resiliente de data centers.
No Brasil, na avaliação do BTG, “o pior parece ter ficado para trás”, com margens que provavelmente já atingiram o fundo e medidas antidumping iniciais apontando para um ambiente competitivo mais equilibrado. O BB Investimentos destaca o desempenho da operação norte-americana, favorecida pelas medidas de proteção comercial e pela restrição às importações. A Genial trata o papel como a aposta cíclica do mês, com a ação negociando a 0,9 vez o valor de patrimônio enquanto o lucro dos últimos doze meses recua 30%.
Rede D’Or (RDOR3)
A rede hospitalar repete o movimento da Gerdau e sobe de quatro indicações em julho para seis. A companhia registrou EBITDA de R$ 2,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 18,2%, com margem de 19,5%, e o destaque veio da SulAmérica, cujo EBITDA cresceu 53% com queda da sinistralidade para 78,9%.
O BTG Pactual colocou o papel na carteira no lugar da Totvs e vê a ação perto das mínimas históricas, a cerca de 13 vezes o lucro projetado para 2027, um desconto de 30% em relação ao histórico. Para o Santander, a Rede D’Or é a preferência do setor de saúde, com posicionamento dominante e capacidade de seguir ganhando participação em procedimentos de alta complexidade. A XP elevou o peso do papel de 7,5% para 10% e a Terra Investimentos o incluiu na carteira de setembro.
