Ajustes da Selic continuam

Tesouro Direto: prêmios dos papéis vinculados à inflação aumentam, enquanto taxas dos prefixados têm queda

Investidores monitoram ata do Copom, aprovação da MP da Eletrobras na Câmara e fala de presidente do Fed

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(Dihandra Pinheiro/GettyImages)

SÃO PAULO – Enquanto os papéis com retornos atrelados à inflação registravam alta dos prêmios, as taxas pagas pelos títulos públicos prefixados negociados por meio da plataforma do Tesouro Direto recuavam na tarde desta terça-feira (22), em meio a revisões para cima do mercado para a taxa Selic neste ano.

Economistas de instituições como XP, Bradesco e Goldman Sachs, Bank of America e Fibra já passaram a projetar a Selic entre 6,5% e 7% ao ano no fim do ciclo de alta.

No Tesouro Direto, entre os papéis atrelados à inflação, os títulos com vencimentos em 2035 e 2045 pagavam taxa real de 4,21%, contra um juro de 4,19% na sessão anterior.

Da mesma forma, o Tesouro IPCA com vencimento em 2055 e juros semestrais oferecia, no meio da tarde desta terça-feira, a inflação mais uma taxa de 4,38% ao ano. Anteriormente, o mesmo título pagava uma taxa real de 4,34% ao ano aos investidores.

Já no grupo dos prefixados, a taxa do título com vencimento em 2026 cedia de 8,66% para 8,65% ao ano. O Tesouro Prefixado com juros semestrais e vencimento em 2031, por sua vez, oferecia rentabilidade de 9,29%. Na última sessão, o papel entregava um rendimento de 9,34% ao ano.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta terça-feira (22):

Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Destaques do dia no Brasil

No cenário nacional, as atenções se voltaram à ata mais recente do Copom. No documento, apesar de ter reforçado que o cenário básico indica ser apropriada a normalização da taxa de juros para um patamar considerado neutro e que antevê um ajuste de mesma magnitude para a Selic na próxima reunião marcada para agosto, o Comitê disse ter avaliado a possibilidade de acelerar a alta dos juros em sua reunião da semana passada.

A instituição entendeu que seria mais adequado manter o ritmo de aperto de 0,75 ponto percentual, elevando a Selic para 4,25% ao ano. Mas as sinalizações dadas sobre um ritmo mais acentuado de alta da Selic foram incorporadas por economistas em revisões nas projeções para o fim do ciclo.

Já no noticiário político do dia, investidores monitoraram a aprovação do texto da Medida Provisória que abre caminho para a capitalização da Eletrobras (ELET3;ELET6) na Câmara, por 258 votos a favor e 136 contra.

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O texto passa agora à sanção do presidente Jair Bolsonaro, que tem 15 dias para a decisão. O modelo de privatização prevê a emissão de novas ações a serem vendidas por meio de uma oferta pública de ações. Na prática, isso faria com que a União perdesse o controle acionário de voto, com a redução da sua fatia nas ações com direito a voto de 61% para 45%.

Ainda no noticiário local, o mercado monitorou as informações sobre a volta de uma tributação sobre o lucro e dividendos. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Economia Paulo Guedes decidiu propor a volta da tributação do lucro e dos dividendos com uma alíquota de 20%.

A alíquota seria maior do que os 15% inicialmente previstos para compensar a perda de arrecadação que o governo terá com o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) de R$ 1,9 mil para R$ 2,4 mil.

A tributação do lucro e dividendos (parte do lucro da empresa distribuída entre acionistas) terá uma faixa de isenção de R$ 20 mil por mês.

O governo também vai reduzir de 25% para 20% a alíquota de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). A ideia é fazer essa redução em dois anos, mas setores empresariais já pressionam para que a queda da alíquota ocorra de uma única vez.

Cena internacional

Lá fora, investidores estão atentos às novas declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, sobre as perspectivas para a inflação e os juros neste ano e nos próximos.

O presidente começou a falar à tarde para a Câmara dos Representantes sobre a resposta do banco à pandemia. O conteúdo foi antecipado e deve indicar que o Fed pode começar a discutir em breve a remoção de algumas de suas medidas inéditas de estímulos, implementadas durante a pandemia.

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De acordo com documento enviado para a imprensa, Powell deve dizer que: “Desde que nos encontramos da última vez, a economia indicou melhora sustentada. Vacinações em massa se somaram a ações fiscais e monetárias sem precedentes, fornecendo forte apoio à recuperação. Indicadores de atividade econômica e emprego continuaram a se fortalecer, e o PIB real deste ano parece caminhar para sua maior taxa de aumento em décadas”.

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