Juro pré do Tesouro cai ao menor nível desde maio com sinais de economia mais fraca

Curva de juros mantém movimento de retirada de prêmios pelo terceiro pregão seguido, sustentado por sinais de desaceleração da economia que pode abrir caminho para corte da Selic

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As taxas do Tesouro Direto caem com força nesta quinta-feira (3), em nova rodada de retirada de prêmios que atinge toda a extensão da curva. Os prefixados lideram, com o Tesouro Prefixado 2032 recuando de 14,37% antes da abertura para 14,23% às 13h, queda de 14 pontos-base.

O Prefixado 2029 caiu de 13,98% para 13,86%, o menor patamar desde maio, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,42% para 14,30%, ambos com recuo de 12 pontos-base. Nos títulos de inflação, o movimento foi mais moderado. O IPCA+ 2050 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2037 caíram 6 pontos-base, para 7,26% e 7,61%, respectivamente, enquanto o IPCA+ 2032 recuou de 7,98% para 7,93%.

Gustavo Danilo Guimarães, especialista de renda fixa, avalia que o fechamento tem fundamento doméstico. Segundo ele, a desaceleração da atividade econômica, o arrefecimento da inflação, um Caged mais fraco e a perda de força da indústria reforçam a percepção de que a política monetária vem cumprindo seu papel, o que abre espaço para a continuidade dos cortes da Selic.

Avaliando também que a desaceleração da atividade e as leituras recentes de inflação podem abrir espaço para cortes de Selic além do que o mercado já embute nos preços, a XP aumentou a exposição a títulos prefixados nas carteiras recomendadas de setembro e encurtou o prazo médio da classe de quatro para três anos.

O cenário político é o segundo vetor. “As pesquisas mais recentes mostram um equilíbrio maior na disputa eleitoral. Isso tende a incorporar ainda mais a precificação dos ativos para os vencimentos de 2027, 2028 como um todo”, afirma. Para ele, a eleição vem retirando prêmio sobretudo da parte curta da curva, ainda que o resultado em si não represente necessariamente impacto significativo.

O movimento se dá no dia seguinte à forte reação do mercado à pesquisa Quaest, que mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no segundo turno. Na quarta-feira, o Ibovespa disparou 3,05%, aos 185.205 pontos, maior nível em quase quatro meses, e o dólar caiu a R$ 5,10.

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No exterior, o quadro também colabora. Os rendimentos dos Treasuries de dez anos recuam e o dólar opera de lado, ainda que o Brent suba mais de 1% e mantenha a pressão inflacionária ligada às tensões entre Estados Unidos e Irã. Os mercados atribuem cerca de 60% de probabilidade a uma alta de juros pelo Fed neste mês, ante menos de 40% uma semana atrás.

No Brasil, o PMI de serviços voltou ao campo de expansão em agosto, subindo de 49,7 para 50,5, embora a atividade do setor privado como um todo siga em contração por causa da indústria.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 13h01 desta quinta-feira (3):

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TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Reserva 2036SELIC01/01/2036
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0729%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202913,86%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203214,23%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,30%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,93%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,61%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,41%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,44%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,26%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,34%15/08/2060