Renda fixa

Taxas de títulos do Tesouro Direto recuam nesta quinta-feira após nova alta da Selic

Investidores repercutem decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos

Por  Mariana Zonta d'Ávila, Bruna Furlani -

SÃO PAULO – Os prêmios oferecidos pelos títulos públicos abriram o dia em queda, mas não apresentavam direção única durante as negociações da tarde desta quinta-feira (17). Investidores ainda repercutem a decisão tomada ontem pelo Banco Central, que elevou a taxa Selic em 0,75 ponto, para 4,25%, conforme esperado pelo mercado financeiro.

O título indexado à inflação com vencimento em 2035 pagava uma taxa anual de 4,03% na tarde de hoje, contra 4,08% na quarta-feira (16). Da mesma forma, o prêmio pago pelo Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2055 cedia de 4,27% para 4,25% ao ano.

Entre os títulos com retorno prefixado, o papel com juros semestrais e vencimento em 2031 pagava uma taxa anual de 9,04% nesta quarta-feira, ante 9,11% na sessão anterior, enquanto a taxa anual paga pelo Tesouro Prefixado 2026 era de 8,41% ao ano – a mesma oferecida anteriormente.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta quinta-feira (17):

Fonte: Tesouro Direto

Em comunicado divulgado após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e visto como hawkish (favorável ao aperto monetário) pelo mercado, a autoridade monetária afirmou que a continuação do processo de normalização monetária, com outro ajuste da mesma magnitude, deverá ser vista na próxima reunião, em agosto.

O BC reforçou ainda que uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução “mais tempestiva” dos estímulos monetários.

Em live do InfoMoney logo após a decisão do BC, Patrícia Pereira, estrategista-chefe da MAG Investimentos, destacou que o comunicado retirou o trecho em que falava em “ajuste parcial” dos juros, indicando agora que deve levar as taxas para o patamar considerado “neutro”.

A estrategista viu o comunicado praticamente em linha com o que era esperado pelo mercado, mas pontuou a “novidade” de o Copom deixar a porta aberta para subir a Selic em um ponto percentual ou mais em agosto.

Também presente na live, Thaís Zara, economista sênior da LCA Consultores, enxergou essa sinalização de alta de juros até acima do 0,75 p.p. como uma resposta às indicações de que a deterioração do quadro inflacionário está sendo mais rápida do que o previsto.

Além disso, a economista da LCA apontou que o BC ressaltou no comunicado que a atividade econômica melhorou bastante, o que por si só não seria uma novidade. Porém, ao traçar seu balanço de riscos, a autoridade monetária não vê mais o risco de uma inflação mais baixa que o esperado vindo de uma frustração com o ritmo da atividade.

“Isso significa que o BC tem uma avaliação muito mais firme de que a atividade de fato está retomando do que ele tinha na reunião anterior”, afirmou Thaís.

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Em relatório, Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, destacou que a decisão desta quarta-feira deixou claro que o Copom está prestando atenção aos dados econômicos e à piora do cenário inflacionário, adotando uma política do tipo “o que for necessário” para controlar os preços.

“Avaliamos que, ao endurecer a linguagem e sua sinalização para frente, incluindo a possibilidade de alta superior a 75 pontos-base na reunião de agosto, o Copom tem uma chance muito maior de combate de ancorar as expectativas de inflação e de não ter que ir além da neutralidade”, escreveu Ramos, em relatório.

Neste cenário, o economista do Goldman Sachs diz esperar nova alta de 0,75 ponto na próxima reunião (com probabilidade de 33% de um aumento na casa de 1 p.p.), com riscos crescentes de a Selic alcançar os 7% em 2022.

Juros nos EUA

Na cena externa, o destaque fica por conta da decisão de política monetária pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, que manteve ontem as taxas de juros entre 0% e 0,25% ao ano, e reforçou que irá manter o programa de compra de ativos e com isso seguir injetando liquidez na economia.

A grande surpresa partiu da sinalização de que agora a autoridade monetária americana espera duas altas de juros até o fim de 2023. Anteriormente, a indicação era de que as taxas permaneceriam perto de zero até 2024.

Mesmo mantendo o discurso de que as pressões inflacionárias são “transitórias”, a autoridade americana aumentou a sua projeção para a inflação, de 2,4% para 3,4% neste ano. Para o próximo ano, também foram feitos ajustes: agora, a expectativa é de 2,1%, contra 2,0% projetados anteriormente.

Outro ponto que chamou a atenção do mercado foi o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell. Segundo ele, a autoridade monetária começou a discutir o processo chamado de tapering, em que há a redução da compra de ativos e consequente menor injeção de liquidez na economia.

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