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Startup lança primeiro sistema de Imposto de Renda cripto do Brasil

Plataforma desenvolvida pela empresa irmã da Tokeniza promete resolver a complexidade tributária para investidores, contadores e empresas do setor cripto

Leonardo Guimarães

Mychel Mendes, sócio-fundador da Blue Consult e Tokeniza (Divulgação)
Mychel Mendes, sócio-fundador da Blue Consult e Tokeniza (Divulgação)

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Se a declaração de Imposto de Renda já é uma dor de cabeça para o brasileiro médio, o trabalho de quem investe em criptomoedas é ainda mais difícil. Além da complexidade, as constantes mudanças na legislação não facilitam a vida do investidor. Para resolver essa dor, a Blue Consult, que compartilha o quadro societário com a Tokeniza, está lançando uma plataforma que faz a declaração cripto para os usuários. 

A ferramenta já operava em fase de testes há alguns anos, atendendo uma base interna da companhia, e agora chega ao mercado como um SaaS (software as a service). Já são 1,5 mil usuários ativos na plataforma, mas a meta é mais ambiciosa: chegar a 10 mil antes do fim do prazo para entrega da declaração, no fim de maio. 

“Começamos com planilhas, depois ferramentas próprias, até que, em 2024, decidimos que precisávamos de um sistema robusto nosso”, explica Mychel Mendes, sócio-fundador da Blue Consult e da Tokeniza. 

Viva do lucro de grandes empresas

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Para Mendes, a principal lacuna que a nova plataforma preenche é a falta de uma solução global que integre a visão contábil com a realidade técnica do mercado cripto. “A nível mundial, não existia um sistema que atendesse o que é preciso para fazer uma gestão cripto completa. O investidor tem dezenas de carteiras, redes, exchanges. Precisa processar tudo isso de maneira simples e cumprir a obrigação fiscal”, afirma.

O sistema permite a conexão via API com cerca de 400 fontes de dados, incluindo as principais exchanges globais e brasileiras, além de carteiras de custódia própria. Uma vez conectados, os dados são processados automaticamente para gerar três tipos de documentos essenciais:

A plataforma atende a três públicos distintos: o investidor pessoa física, contadores que gerenciam carteiras de terceiros e o mercado B2B (exchanges, tokenizadoras e P2P), que precisam reportar operações à Receita.

Para o investidor pessoa física, a Blue Consult oferece um modelo “freemium”. O cadastro, a conexão das carteiras e o monitoramento de obrigações – avisos sobre quando é necessário declarar – são gratuitos. A assinatura é exigida para a geração dos relatórios fiscais e arquivos de importação para o programa da Receita.

Embora os contratos com o mercado corporativo sejam mais caros, a principal aposta de faturamento da Blue Consult com a ferramenta ainda é com o investidor de varejo, que deve ganhar em volume. A avaliação de Mendes é que as empresas tendem a ser reativas, buscando essa solução apenas quando estiverem diante de mudanças na legislação. Por outro lado, o investidor pessoa física já enfrenta o risco da malha fina nos próximos meses. 

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Mendes destaca que o endurecimento da fiscalização da Receita Federal. “A pessoa física já vai sentir a dor agora. A Receita preparou o terreno e deixou claro que haverá cobrança”, analisa o executivo.

Segundo ele, a chamada anistia cripto, que cria uma janela de regularização com alíquota reduzida, funciona como um ultimato do fisco, sinalizando que a tolerância com omissões acabou, o que deve impulsionar a adesão em massa à plataforma nesta temporada de declaração.

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Tokeniza foca na internacionalização e curto prazo

Embora a plataforma de IR opere sob o guarda-chuva da Blue Consult, a estratégia está intimamente ligada à Tokeniza, plataforma de tokenização de ativos reais liderada pelos mesmos sócios. 

A empresa tem ajustado sua oferta ao paladar do investidor brasileiro, priorizando ativos de curto prazo, com vencimentos entre 45 a 90 dias, como antecipação de recebíveis e notas fiscais de grandes empresas. “Percebemos que o investidor local prefere liquidez rápida”, nota Mendes.

O próximo grande passo da Tokeniza é a internacionalização. A empresa foi aprovada no programa StartUP Visa de Portugal e prepara sua entrada na Europa ainda este ano. A tese é clara: arbitragem de taxas de juros. “Queremos captar investidores lá fora para ativos brasileiros. Mesmo com o risco cambial e país, oferecer um retorno de 8% a 10% ao ano em euro (lastreado em ativos brasileiros que pagam 20% em reais) é extremamente atrativo para um europeu acostumado com taxas de 3% ou 4%”, projeta.

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Para o futuro, Mendes vê a tokenização deixando de ser um assunto complicado para o público geral para se tornar a infraestrutura padrão do mercado financeiro. “Daqui a cinco anos, acredito que a Bolsa será toda tokenizada. O investidor nem vai saber que está usando blockchain, mas vai preferir pela segurança e transparência que a tecnologia oferece”, conclui.