Imóveis

Sr. Dinheiro prova a existência de uma bolha imobiliária – Parte 1

Luis Carlos Ewald, mais conhecido como Sr. Dinheiro, prova, em um artigo dividido em duas partes, que estamos perto de uma bolha imobiliária

Por  Arthur Ordones

SÃO PAULO – Luis Carlos Ewald, mais conhecido como Sr. Dinheiro, prova, em um artigo dividido em duas partes, que estamos perto de uma bolha imobiliária. Veja quando será a hora de investir em imóveis. A segunda parte do artigo será publicada nesta quarta-feira (04).

“Quase todo mundo tem como objetivo prioritário na vida conseguir comprar a sua casa própria. Mas, normalmente os recursos financeiros são escassos e é necessário tomar dinheiro emprestado em Bancos. E isso custa juros e uma vida amarrada em longos financiamentos. Daí, para tomar essa decisão de adquirir o seu teto, duas coisas são fundamentais: um preço justo para o imóvel e uma taxa de juros baixa.

Pois é. No momento os preços dos imóveis estão artificialmente muito altos em todo o país e as taxas de financiamentos imobiliários voltaram a ser impagáveis, com raras exceções tipo Minha Casa Minha Vida .

E para princípio de conversa , do termo “bolha”, tão badalado por aqui, pode ser uma provável crise imobiliária que pode acontecer no curto e médio prazo, por várias razões demonstradas a seguir. Quem tem medo do termo bolha quer desclassificar a nossa situação dizendo que nos EUA era outra coisa, que envolvia especulação, crise bancária, fraudes, etc. É quem comprou e não consegue vender pelo preço acredita que vale. Isso aconteceu muitas outras vezes, mas ninguém se lembra…

E o pior, esses se expressam com a frase mais perversa criada ao longo de oito séculos de crises financeiras: agora é diferente!

Mas, que aqui os preços vão cair, ah isso, vão! Ou, no mínimo, ficarão estagnados, como já estão, por falta de compradores nesses preços, ou seja perdendo a renda de aplicações na atual taxa SELIC, que está muito alta novamente.

E porque deve acontecer a curto prazo? Curto prazo, no caso, será logo após a Copa, pois todos os especuladores apostaram na Copa, como se os estrangeiros estivessem ansiosos para comprar imóveis muito mais caros aqui que nos seus países, para aqui conviver com os eventos de grande emoção do nosso cotidiano…

Acontece que isso foi papo de especuladores para encontrar compradores idiotas. É a clássica teoria, comprovada na prática, do “the greatest fool”. Assim, quem compra um produto que já é caro, pode até se achar tolo, mas pensa em vender para “um idiota maior”, e assim por diante, chegando no final de várias transações até chegar ao the greatest fool, que fica “pendurado na brocha”, isto é, fica sem encontrar comprador. Caso muito parecido com nossas conhecidas pirâmides.

E quem são os especuladores? São todos aqueles que compraram na planta para tentar vender na entrega das chaves, momento crucial do compromisso financeiro. É claro que alguns ganharam, mas muitos leigos, maria-vai-com-as-outras, compraram para ter seu primeiro imóvel para morar e pagarão caro por isso, mas, como vão morar, tudo bem…

Porém, aqueles idiotas que se deixaram levar, em todo o país, e compraram tarde demais salas comerciais com preços artificialmente elevados, vão ter que bancar por um bom tempo para conseguirem alugar: hoje cerca de 30/40% de vacância no Brasil todo (Rio, Niterói, Salvador, Recife, Osasco, Fortaleza, Curitiba, Goiania, São José dos Campos… e por aí vai), pois numa Economia com baixo crescimento e altos custos, quem se arrisca a comprar para empreender com um pibinho na faixa de 2%? Só um idiota maior: ver na internet a “teoria do idiota maior”.

A oferta de financiamentos e as facilidades foram enormes quando as taxas SELIC cairam abruptamente até os históricos 7,25% ao ano. Acontece que agora que já está em torno de 11%/ano os Bancos querem é comprar títulos do Governo, pois rendem muito mais, sem risco e sem trabalho. Daí, financiamento barato agora só no “Minha casa minha vida”, segmento que não deve sofrer crise , mas só serve para baixa/média renda, de até R$ 5.000,00 por família.

E há um ditado do Mercado Financeiro: “O Mercado desconta tudo”. Pois bem, pelo menos 5 grandes construtoras estão à beira da insolvência, com quedas maiores nas suas cotações da Bolsa até mesmo que as da coitadinha da Petrobrás… É sinal de que? Lançaram ações , levaram grana boa para especularem nos preços de terrenos e construções, e agora estão super estocadas e aguentando devoluções.

E o que são esses feirões da CEF pelo Brasil a fora? A CEF comprou aquele montão de imóveis para ela ou tem muita devolução? A caixa preta da CEF não revela a verdade. Hoje se vê anúncios para fins de semana com liquidações de estoques de construtoras com descontos de até 40%! E não é uma só, não: são várias!

Repito: só vale a pena comprar agora é no “Minha casa Minha vida”, porque os preços não subiram por causa da limitação do valor de financiamento em cada Estado. No entanto, tem que examinar o padrão das construções para não comprar gato por lebre…”

CONTINUA…

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