Tateando no escuro

SPX: surpresas inflacionárias evidenciam incertezas sobre os rumos do mercado

Apesar da situação complexa de médio prazo, a gestora de Rogério Xavier entende que o Brasil se afastou do precipício fiscal

Rogério Xavier, da SPX, durante evento da XP nesta terça. Crédito: Divulgação/XP

SÃO PAULO – O resultado das medidas extraordinárias de estímulo adotadas pelos governos ao longo dos últimos meses para combater a pandemia tem estado entre as principais preocupações no radar dos investidores.

Dados da atividade econômica e da inflação nos Estados Unidos são acompanhados com lupa pelos agentes econômicos em busca de pistas a respeito dos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

A análise nada trivial ganha, contudo, ares ainda mais desafiadores diante do ineditismo do cenário macroeconômico global.

“Vimos surpresas inflacionárias ao redor do mundo, com destaque para o CPI americano de abril, que evidencia como é elevada a incerteza sobre o processo de formação de preços num contexto de tamanhos desequilíbrios econômicos”, destaca a gestora SPX, na carta de gestão do multimercado Nimitz referente ao mês de maio.

Na avaliação da asset de Rogério Xavier, as projeções otimistas do mercado parecem não considerar adequadamente a postura bastante incomum adotada pelos bancos centrais na tentativa de reverter os estragos provocados pela pandemia.

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“Os participantes de mercado traçam cenários base mirabolantes e aprofundam suas alocações, espremem todo o prêmio vislumbrado caso o cenário, nada básico, se realize”, diz a carta da gestora, que avalia que dificilmente os juros reais continuarão em níveis tão negativos quanto os implícitos hoje nos títulos americanos.

De toda forma, os gestores da SPX apontam também no documento que, antes de mudar sua postura e indicar o início de um aperto das condições monetárias, o Fed deve aguardar por novos dados de emprego e inflação. “Por hora, ele continua oferecendo amplo suporte e provendo um desequilíbrio estável nos mercados.”

Mais longe do precipício

A SPX lembra ainda que países emergentes, sobretudo os exportadores de commodities como o Brasil, têm se beneficiado desta janela positiva de curto prazo, à medida que o choque positivo dos termos de troca impulsiona a arrecadação fiscal e com dados mais positivos que o esperado do PIB.

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“Apesar da situação complexa de médio prazo, o país se afastou do precipício fiscal e ganhou mais tempo para endereçar seus problemas econômicos”, dizem os gestores na carta. “É preciso aproveitar a oportunidade e aprofundar as reformas, para que este não seja um equilíbrio instável.”

Frente ao cenário traçado, a SPX aponta enxergar para os próximos meses curvas de juros mais inclinadas no mercado global, especialmente em países que exageraram na dose de estímulo fiscal e monetário.

Já no mercado local de juros, a gestora segue com posições compradas em inflação implícita, que devem ganhar com um aumento das projeções do mercado para os índices de preços, e aplicadas em juros reais na parte intermediária da curva.

Na renda variável, a SPX tem apostas nas bolsas da Europa e do Japão dentro da temática de recuperação econômica, enquanto, nos Estados Unidos, o foco está mais voltado para operações de valor relativo entre empresas que se beneficiam versus empresas que se prejudicam com a proposta de aumento de impostos corporativos.

Em relação à bolsa brasileira, a gestora tem alocações compradas nos setores de consumo, mineração e serviços financeiros. Em maio, o fundo multimercado Nimitz teve desvalorização de 0,57%, contra os ganhos de 0,27% do CDI. No acumulado do ano, o fundo sobe 6,71%, ante 0,96% do benchmark.

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