A mão do Estado

SPX: “Em tempos de inundação de liquidez, é impossível saber o tamanho dos buracos”

Em carta a cotistas do fundo Nimitz, asset de Rogério Xavier questiona até quando a liquidez dos bancos centrais sustentará otimismo dos mercados

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SÃO PAULO – Diante da retomada trôpega da atividade que se espera à frente, em um ambiente no qual os impactos relacionados ao coronavírus ainda estão longe do fim, a gestora SPX avalia que tem ficado cada vez mais evidente o papel do Estado na sustentação dos preços dos ativos no mercado financeiro.

“Essa recuperação econômica irregular e incompleta, dependente de um grande apoio fiscal e do comportamento imprevisível da doença, contrasta com o otimismo dos mercados, onde a mão dos bancos centrais se torna bem visível”, diz a gestora de Rogério Xavier, na carta aos investidores do fundo multimercado Nimitz referente ao mês de julho.

Por enquanto, escrevem os gestores no documento, a mão dos bancos centrais continua regendo o mercado. “A grande questão é saber até quando essa influência externa será suficiente para manter os prêmios de riscos contidos e indiferentes aos problemas idiossincráticos. Em tempos de inundação de liquidez, é impossível saber o tamanho dos buracos.”

Em recente participação no podcast “Outliers” (veja mais aqui), Rogério Xavier afirmou que as crises não acontecem do dia para a noite. “É como banco grande quando quebra: vai estalando. O trabalho do gestor é perceber os sinais de problemas e se posicionar.”

Distribuição do portfólio

Por entender que as políticas monetária e fiscal continuarão provendo suporte para a economia global, a gestora afirma na carta que tem buscado alocações em países nos quais enxerga espaço para acomodação adicional, ou onde acredita haver distorções nos preços.

No Brasil, após o Banco Central ter cortado os juros em 0,25 ponto percentual, embora a porta para uma nova redução não tenha sido fechada, a SPX acredita que a Selic será mantida no atual patamar por algum tempo. A carteira do multimercado vem com alocações aplicadas em juros reais e compradas em inflação.

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Em relação à Bolsa, o fundo Nimitz está comprado (com aposta na alta) em empresas dos setores de utilities, telecom, consumo e mineração, contra o Ibovespa.

Já nas bolsas globais, a asset segue com dois temas principais norteando o portfólio: ciclo econômico, no qual tem privilegiado ativos mais sensíveis à queda do custo de capital e menos à atividade corrente; e posições assimétricas em caso de vitória democrata na presidência e no congresso dos EUA.

No livro de moedas, os gestores do fundo Nimitz preveem a valorização do euro, diante de uma tese que ganha força no mercado global de fortalecimento da moeda única da zona do euro, e a queda das divisas de países emergentes.

Já no segmento de crédito privado, nos mercados desenvolvidos, a SPX segue com exposição comprada em títulos com rating grau de investimento.

Na América Latina, a casa diz que continua com posições em nomes de menor exposição às consequências da pandemia. “Reduzimos nossos hedges para aproveitarmos essa janela pré-eleições americanas, em que vislumbramos um ambiente mais benigno para ativos de risco, com excesso de liquidez e potencial de retorno atrativo em alguns setores.”

Em julho, o SPX Nimitz rendeu 0,99%, com ganho de 4,02% em 2020, contra variações de 0,19%, e 1,95% do CDI, nos mesmos períodos.

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