Mais cortes

SPX diminui projeção da Selic para até 4% ao fim do ano

Gestora voltou a ter aplicações em juros brasileiros; na Bolsa, aposta recai sobre ações de utilities e consumo

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Rogério Xavier, da SPX, na Expert 2019 (Divulgação)
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SÃO PAULO – Uma das maiores gestoras independentes do Brasil passou a projetar um corte maior na Selic, a taxa básica de juros da economia. Em carta divulgada aos cotistas referente ao mês de setembro, a SPX, que tem quase R$ 40 bilhões em ativos sob gestão, diminuiu sua projeção para a Selic no fim de 2019 de 5% ao ano para a faixa entre 4% e 4,5%.

A queda da Selic estimada pela gestora é mais acentuada do que o consenso de mercado levantado pelo relatório Focus, hoje em 4,75%. A taxa, que serve de referência para as remunerações de renda fixa, está hoje em 5,5%, menor nível da série histórica.

Segundo a SPX, um dos motivos para mudar a projeção para os juros foi a visão do Banco Central em relação aos preços. “Na última reunião do Copom, o BC nos surpreendeu em suas projeções de inflação. Estas mostraram um cenário muito mais benigno do que antecipávamos”, escreveu a gestora. Isso porque, quanto menor a pressão inflacionária, mais espaço o BC tem para diminuir juros.

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“As projeções de inflação do BC indicam que os juros podem cair abaixo de 5% para que a inflação de 2020 convirja para o centro da meta. O hiato do produto continua aberto, e assim deve permanecer durante o horizonte relevante de política monetária”, avaliam os gestores da SPX. Com o novo quadro, a casa voltou a ter posições em juros brasileiros, com aplicações na parte curta da curva.

No câmbio, a SPX segue com posição comprada (com aposta na alta) em dólar, mas zerou a posição comprada em ouro. “Vemos pouco espaço para uma apreciação do real nesse cenário de déficits gêmeos [fiscal e comercial], crescimento baixo e reduzido diferencial de juros entre EUA e Brasil.” Para a gestora, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve entregar novos cortes de juros este ano, “tanto para tentar evitar que a economia se desacelere ainda mais, como para garantir que a inflação atinja a meta”.

Posição comprada em utilities e consumo

No mercado de ações, a SPX está com posição direcional neutra. Para empresas no Brasil, tem alocação comprada nos setores de utilities e consumo, e vendida em empresas do setor industrial.

Em relação à guerra comercial entre Estados Unidos e China, os gestores da SPX enxergam um cenário de contínua deterioração das relações entre os dois países, e consideram a trégua recente apenas passageira e de escopo limitado. “A agenda de longo prazo volta à tona com as questões mais relevantes, como a competição tecnológica e a hegemonia geopolítica.”

O principal fundo da SPX, Nimitz, lançado em 2010, fechou setembro em queda de 0,44%, ante variação de 0,47% do CDI. A rentabilidade negativa no mês foi puxada pelo posição do fundo no setor de commodities. No ano, contudo, o fundo ganha 6,97%, acima do CDI (4,67%).

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