Agente de mudança

Sob demanda crescente, XP Private seleciona as gestoras mais engajadas nas práticas ESG, aqui e lá fora; confira os destaques

Metodologia própria de rating foi desenvolvida para fazer a seleção, que não trabalha com o conceito de filtro negativo

Energy innovation light bulb graphic interface.
(Getty Images)

SÃO PAULO – O aumento das preocupações dos investidores com aspectos relacionados à responsabilidade ambiental, social e de governança das empresas nos últimos anos desencadeou uma oferta também cada vez maior de estratégias de investimento que ostentam o selo “ESG”.

É preciso, contudo, que o investidor esteja atento para diferenciar os gestores que estão engajados, de fato, em ter um portfólio que leve em conta essas três vertentes, daqueles que querem apenas pegar carona em uma tendência em alta, mas sem uma preocupação genuína com o tema.

Para ajudar o brasileiro nessa missão, a XP acaba de lançar aos clientes do segmento private, área que atende bolsos a partir de R$ 10 milhões e que tem R$ 228 bilhões sob administração, o fundo multimercado “Portfólio ESG”.

O produto tem objetivo de retorno no longo prazo de 3% a 4% ao ano além do CDI e volatilidade de 6%. Com início no fim de fevereiro, o multimercado é direcionado apenas para investidores qualificados, aqueles com mais de R$ 1 milhão em investimentos, e tem tíquete inicial de R$ 500 mil.

Como explica Guilherme Anversa, gestor da XP Advisory, o produto será formado essencialmente por três grandes grupos, entre gestoras locais e estrangeiras com fundos de ações, renda fixa e multimercados: aquelas em fase inicial no processo de implementação das práticas ESG para a escolha dos seus investimentos; as que já estão em um estágio mais avançado; e aquelas que já são consideradas referência no tema.

Quasar e Brasil Capital fazem parte do primeiro grupo da seleção inicial com a qual nasce o produto, enquanto Constellation e JGP estão entre as gestoras consideradas avançadas pela XP, que considerou apenas casas com ao menos R$ 100 milhões em ativos sob gestão e histórico mínimo de quatro anos.

No caso dos nomes de referência em questões ESG, apenas gestoras estrangeiras atendem aos critérios estabelecidos, com destaque para BlackRock, Nordea e Systematica.

Sem filtro negativo

Para fazer a seleção dos gestores, Marina Cançado, head da área de “sustainable wealth” (gestão sustentável, na sigla em inglês) da XP, conta ter sido desenvolvida uma metodologia própria de rating, que leva em consideração tanto as práticas responsáveis adotadas internamente pela gestora bem como uma análise dos investimentos no portfólio.

Segundo Marina, há evidencias no mercado internacional que apontam que as gestoras que ainda têm melhorias a fazer no quesito ESG entregam retornos superiores àquelas que já estão consolidadas no tema, pelo valor ainda a ser destravado.

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Para Artur Wichmann, CIO da XP Private, o objetivo com o lançamento do fundo é atuar como um agente transformador do mercado local no que diz respeito aos investimentos responsáveis.

A ideia, diz, não é vetar da análise para o fundo determinados investimentos carregados nas carteiras, prática conhecida no mercado como filtro negativo, mas, sim, “provocar” as gestoras a promover melhorias no que tange à ótica ESG.

“Ao agir com o filtro negativo, você dá uma resposta bastante clara, mas não age como um promotor de mudança, e sua capacidade de influenciar mudanças positivas diminui”, afirma Wichmann.

De toda forma, de seis em seis meses, a XP fará uma reavaliação da evolução das práticas ESG, especialmente no caso das casas ainda em fase inicial no processo.

O prazo para que mudanças possam ocorrer no portfólio por conta disso, contudo, precisa ser um pouco maior, de modo a dar tempo para que as melhorias sejam implementadas de maneira adequada, explica Marina.

Melhores ideias globais

Além do fundo de fundos, a XP lançou no fim de fevereiro a “Carteira ESG” para clientes baseados no exterior. O produto de mandato discricionário não se trata de um fundo propriamente, mas de uma carteira recomendada, com as melhores ideias em termos de investimento ESG no mercado global, já bem mais avançado que o Brasil no assunto.

Entre os cerca de 20 produtos que compõem as recomendações, estão o Mirova Global Green Fund, o Nordea Climate Change, o Heptagon Future Trends e o Wellington Global Impact Bonds.

Pela maturidade do mercado global em comparação ao doméstico, Marina assinala que, no caso da “Carteira ESG”, já é possível contar com investimentos temáticos de forma mais relevante em comparação ao “Portfólio ESG”.

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“O trem já saiu da estação e não vai mudar. Cada vez mais vamos ver os investidores com a preocupação de ter uma visão completa sobre seu investimento, incorporando a visão ESG para ajudar a entender melhor o risco e o retorno do portfólio”, afirma Wichmann.

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