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Entrevistas InfoMoney

Schroders: otimista e comprada em Brasil, gestora aumenta exposição em ações de olho em retomada pós-Covid

Brasil ocupa a maior posição do fundo de América Latina da gestora britânica, que tem preferência por nomes cíclicos e expostos à retomada econômica

(Gerd Altmann/Pixabay)

SÃO PAULO – Construtoras, shopping centers, varejistas e empresas na Bolsa ligadas à nova economia, como meios de pagamento e fintechs. Essa tem sido a estratégia da Schroders para aproveitar boas oportunidades na América Latina, região na qual o Brasil detém a preferência.

Com cerca de US$ 785 bilhões em ativos sob gestão ao redor do mundo, a gestora britânica atua em 32 mercados na Europa, na América, na Ásia, na África e no Oriente Médio, e possui diferentes estratégias, dentre elas uma específica de América Latina: o fundo “Schroder ISF Latin American”.

Nesse fundo, que tem patrimônio líquido da ordem de US$ 250,7 milhões, a posição em Brasil, que estava em cerca de 60% há seis meses, foi ampliada e hoje representa 65% da carteira. Na sequência aparece o México, com 25%.

“Dentre os emergentes, o Brasil tem particularmente bons empreendedores, empresas de alta qualidade e bem geridas, além de modelos de negócios que criam bastante valor. Vemos diversas histórias de sucesso nas empresas brasileiras, o que chega a ser algo único e faz com que haja oportunidades atrativas, apesar do cenário macro de alta volatilidade”, disse Pablo Riveroll, que administra fundos da Schroders para investidores no Brasil e na América Latina, em entrevista ao InfoMoney.

A visão vai na contramão da de instituições como BlackRock, JP Morgan e Credit Suisse, que têm reduzido as alocações em Brasil para ampliar em ativos de países como México e Chile.

Por outro lado, as apostas vão em linha com a de outra casa britânica, também otimista com Brasil. Em entrevista ao InfoMoney em abril, a Ashmore compartilhou sua confiança com os ativos domésticos, afirmando que, embora o país tenha fatores preocupantes no curto prazo, os ativos possuem bons fundamentos em um horizonte maior. Leia mais aqui.

De olho na retomada econômica

Diretamente de Londres, onde fica a sede da gestora, Riveroll disse ao InfoMoney por videoconferência que vê potencial de melhora do cenário de pandemia no Brasil nos próximos meses, com o avanço do calendário de vacinação, o que deve impulsionar o desempenho de ações da Bolsa expostas ao crescimento do PIB.

“Nossa visão positiva em Brasil é baseada em uma expectativa de recuperação econômica que esperamos para os próximos seis a 12 meses. Também vemos a moeda muito atrativa e as contas externas, saudáveis”, afirmou o gestor.

Sem mencionar nomes, Riveroll destaca a preferência hoje por papéis com teses mais cíclicas e diz ver oportunidades em ações de grandes varejistas, que tendem a sair da crise com balanços mais robustos e maior participação de mercado, bem como companhias do setor de saúde e do mercado financeiro.

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Segundo o site da gestora, as maiores posições do fundo “Schroder ISF Latin American” ao fim de março estavam em companhias como Vale (VALE3), Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4), B3 (B3SA3), Magazine Luiza (MGLU3) e WEG (WEGE3).

Com uma visão positiva para a moeda brasileira, com expectativa de apreciação em relação ao dólar nos próximos meses, o fundo tem posição underweight (abaixo da média do mercado, equivalente à venda) em exportadoras.

“O Brasil tem forte capacidade para vacinar sua população, o país lida como programas do tipo todos os anos. Então, daqui para frente, vemos uma oportunidade com a economia reabrindo. Os preços das ações estão atrativos por conta ainda das incertezas, mas achamos que, em um horizonte de três a seis meses, com certeza o Brasil estará em um lugar melhor em termos de atividade econômica”, afirmou Tom Wilson, diretor de renda variável para mercados emergentes da Schroders, que também participou da entrevista.

Cenário fiscal e reformas na lupa

Diante de ruídos fiscais que continuam em pauta no noticiário e um ambiente político movimentado no Brasil, a avaliação dos gestores é de que o país ainda precisa provar sua sustentabilidade fiscal para dar mais confiança aos investidores estrangeiros. O andamento de reformas estruturais também é tido como fundamental para as teses brasileiras ganharem mais confiança.

“O que vemos como grande frustração no Brasil hoje são as reformas. Achamos que o cenário político no Brasil é complexo, por isso não estamos esperando grande avanço nessa agenda nos próximos 12 a 18 meses.”
Pablo Riveroll, gestor da Schroders

Além de uma melhora das contas públicas domésticas e da redução no número de contaminações pela Covid, novas oportunidades em ativos brasileiros fariam a Schroders ampliar a alocação no Brasil.

“Vemos valuations atrativos na moeda. O real está barato, as contas externas não são um problema, então acreditamos que há potencial para melhora do cenário nos próximos meses”, avalia Wilson.

Outros emergentes

Tentando desviar de ativos que já englobam muito otimismo nos preços, a Schroders tem apostado em mercados de outros países emergentes além de Brasil, de forma a captar uma valorização das ações e das moedas com a melhora do cenário no pós-pandemia.

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A asset tem posição overweight (acima da média do mercado) em países como Rússia e África do Sul, por exemplo.

Na Ásia, contudo, por conta da boa gestão da pandemia e pelos benchmarks de renda variável terem grande exposição a empresas da nova economia, como de tecnologia, a gestora britânica tem adotado posição underweight nos últimos seis meses, em especial em países como China, Coreia do Sul e Índia. Já em Taiwan, a posição é neutra.

Inflação nos EUA e oportunidades

Durante a conversa, os gestores também comentaram sobre a alta da inflação nos Estados Unidos e como essa questão tem mudado a forma como a Schroders investe no país.

Segundo Wilson, é esperada uma forte pressão inflacionária no curto prazo, o que já está sendo antecipado pelo mercado. A grande questão, diz, é se o movimento será pontual ou vai se estender e virar uma tendência para o longo prazo.

“É difícil prever o que vai acontecer, mas é possível que o mercado passe a ver uma inflação relativamente mais elevada do que a vista na última década”, avalia.

Nesse cenário, a gestora britânica tem optado por reduzir a exposição a ações de crescimento e adicionado nomes mais cíclicos às carteiras. A tarefa, contudo, não tem sido tão fácil: “Os mercados estão hoje em um estágio em que muito do otimismo já foi antecipado, então é preciso ser seletivo ao investir”, afirma Wilson.

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