Rentabilidade dos fundos DI será prejudicada com novas regras do SPB

Ajuste dos bancos às novas regras do SPB prejudica investidores; alguns fundos DI apresentaram variação negativa

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SÃO PAULO – Devido a uma série de fatores negativos, dentre eles o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, a dificuldade que o governo argentino enfrenta para contornar a crise e a fraca recuperação da economia norte-americana, os investimentos em ações acabaram sendo bastante prejudicados nas últimas semanas. Assim, muitos investidores foram atraídos pelos fundos DI e de Renda Fixa, já que são de baixo risco, e, com os juros em 18,50% ao ano, oferecem boa rentabilidade.

Porém, mesmo alguns desses fundos devem ter a rentabilidade prejudicada nos próximos meses, pois os gestores deverão ajustar as cotas de acordo com as regras do novo SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro), que entrou em vigor no último dia 22 e abril.

Preços mudam a cada instante

Quando você aplica num fundo DI, seus recursos são destinados principalmente para compra de títulos públicos pós-fixados. Por isso, esta modalidade de fundo de investimento é considerada a mais conservadora, uma vez que os cotistas sempre ganharão de acordo com o patamar da taxa Selic e com o tempo que o dinheiro foi aplicado.

Porém, devido ao grande número de cotistas e ao elevado volume de dinheiro aplicado, às vezes pode ser difícil para o gestor afirmar com precisão quanto cada cotista possui em determinado dia, já que o mercado financeiro é extremamente dinâmico.

Assim, uma notícia ruim pode prejudicar o mercado, obrigando o governo a pagar taxas mais elevadas para poder vender seus títulos. Ou ainda uma perspectiva positiva para a economia pode animar os investidores, ocorrendo exatamente o inverso. Então, como avaliar exatamente quanto cada cotista possui?

Marcação a mercado vs. marcação pela curva de juros do papel

A forma estipulada pelo novo SPB é a chamada marcação a mercado, ou seja, estabelece que o preço dos papéis deve ser estipulado com base no preço de mercado a cada instante. Porém, alguns bancos costumam estabelecer os preços dos títulos de acordo com os juros que serão pagos, a chamada marcação pela curva de juros do papel. Essa alternativa geralmente confere maiores ganhos aos cotistas, porém, não reflete o real patrimônio do fundo.
Isso porque, caso haja uma corrida aos bancos e muitos investidores queiram resgatar seus recursos, os gestores não conseguirão vender os títulos de acordo com os juros prometidos, acabando por prejudicar os cotistas.

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Fundos se ajustam às novas regras

Assim, visando se ajustar às regras do novo SPB, alguns gestores resolveram alterar as cotas de uma única vez, como o caso do banco Sul América, que registrou cotas negativas em 22 de abril. Já alguns gestores como o Real, Unibanco e Dresdner optaram por provisionar as perdas aos poucos o que, a princípio, não deve gerar cotas negativas, mas afetará a rentabilidade do fundo nos próximos meses.

Um exemplo é um fundo DI do Dresdner, que rendeu apenas 0,84% em abril, contra 1,48% do CDI, que serve como parâmetro para avaliar a rentabilidade dos fundos DI. Finalmente, o banco Fibra resolveu presentear seus clientes, bancando as perdas com o ajuste das cotas.
Já outras instituições financeiras que são contras à nova regra estiveram reunidas com o diretor de política monetária do Banco Central, Luis Fernando Figueiredo, para rever as medidas, tentando pelo menos adiar o prazo para o ajuste.

Fundos mantém atratividade

Apesar desse ajuste, os fundos DI e de Renda Fixa ainda são mais atrativos, principalmente porque os investimentos em ações ainda estão sendo prejudicados pelas incertezas no cenário político interno, devido às eleições presidenciais, e no cenário externo devido ao agravamento da situação na Argentina e dos conflitos no Oriente Médio, assim como a demora na retomada do crescimento econômico nos EUA.

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Diante deste cenário, as perspectivas de recuperação da bolsa nos próximos meses são remotas. Assim, com boa rentabilidade, devido às elevadas taxas de juros no Brasil, e com risco baixo, os fundos DI e de Renda Fixa ainda devem atrair muitos investidores, apesar do ajuste nas cotas.