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Onde investir R$ 5 mil, R$ 50 mil e R$ 500 mil?

Segundo a consultora financeira, Eliana Bussinger, é válido lembrar que, apesar de ser importante investir, é preciso estudar bem antes de tomar qualquer decisão

Dúvida
(ThinkStock)

SÃO PAULO – Juntar um dinheiro que não precisará ser usado por um longo período de tempo é muito bom, pois isso pode garantir uma aposentadoria saudável ou, a um prazo mais curto, possibilitar a realização de planos e sonhos, como a compra de um carro e um apartamento ou uma viagem para outro país.

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No entanto, juntar milhares de reais e deixá-los debaixo do colchão só irá atrasar essas realizações, pois dinheiro em casa (ou na conta corrente) não rende e, ainda por cima, desvaloriza com o tempo, por conta da inflação, que diminui o valor de compra dele. É preciso ter na cabeça que dinheiro gera mais dinheiro, ou seja, com ele investido, é possível multiplicá-lo ao longo do tempo, tornando os sonhos mais palpáveis em menos tempo.

Segundo a consultora financeira, Eliana Bussinger, é válido lembrar, que, apesar de ser importante investir, é preciso estudar bem antes de tomar qualquer decisão, pois a gama de possibilidades é enorme e cada um dos tipos de investimento é para uma determinada quantia, para um tipo de investidor e para um prazo, que sempre tem que ser pré-determinado.

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Qual é a quantia que tenho disponível para colocar em uma aplicação e que sei que não precisarei usar por um bom tempo: R$ 5 mil, R$ 50 mil, R$ 500 mil? Quanto a mais vou poder colocar todo mês na aplicação? Em quanto tempo vou precisar desse dinheiro? Qual é o meu objetivo com ele: comprar um bem, fazer uma viagem, garantir uma boa aposentadoria ou alguma outra coisa? Qual é o meu perfil de investidor: conservador, moderado ou arrojado? De acordo com a especialista, tudo isso deve ser respondido pelo futuro investidor antes de escolher sua aplicação, pois cada detalhe influencia. “Além disso ainda é importante levar em consideração coisas como gênero, estado civil, idade e localização geográfica”, completou.

Pensando nisso, o InfoMoney, junto com a consultora financeira, escolheu três quantias para indicar as melhores opções de investimento, mas claro que isso dependerá também de todos os outros fatores citados acima. É importante frisar que as indicações de investimento não valem como uma regra, mas sim como algumas alternativas entre tantas outras e que, ainda por cima, variam de acordo com as características do investidor.

R$ 5 mil
Com essa pequena quantia a gama de possibilidades fica pequena e correr risco com ela pode ser perigoso, afinal, pode ser que tudo seja perdido em uma “manobra errada”. O mais indicado, de modo geral, segundo a especialista, é colocar essa pequena quantia na poupança, pois apesar de seu baixo rendimento, de 0,5% ao mês ou 6,17% ao ano, ele oferece uma incrível facilidade no manejamento dos recursos, ou seja, você pode tirar e colocar a qualquer hora, sem burocracia e sem taxas, sem falar que o investimento também não cobra impostos.

De acordo com Bussinger, o CDB também pode ser interessante para essa quantia. “CDB de banco pequeno, que paga 100% ou mais do CDI, pode ser uma boa também, mas é importante conseguir uma taxa legal. Existem muitos tipos diferentes de CDB, então é preciso examinar e ver o período, os juros e o imposto”, explicou.

Outra alternativa são os Títulos do Tesouro Direto, como os pré-fixados: LTN e NTN-F; ou os pós fixados: NTN-B, atrelado ao IPCA, e os LFTs, atrelados à Selic. A rentabilidade deles costuma ser superior à da poupança e o risco também é muito pequeno, mas é válido lembrar que exige um prazo maior e cobram imposto de renda. Outro ponto importante é que cada um deles é mais indicado para um determinado cenário macroeconômico, portanto é preciso analisar bem o ‘pano de fundo’ antes de escolher o título.

R$ 50 mil
Para a quantia de R$ 50 mil, o leque de possibilidades se abre um pouco. A poupança já fica totalmente desinteressante, pois perde para a inflação e ainda rende bem menos do que outros produtos que se tornam viáveis com esse montante. Os CDBs também já não são mais tão atrativos para esse investidor, porém, os títulos do Tesouro ainda podem ser uma boa pedida.

Em relação às novas possibilidades, a consultora financeira lembrou-se dos LCIs (Letras de Crédito Imobiliários) e dos LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio). “Além de elas não cobrarem imposto de renda, ainda tem a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para aplicações de até R$ 250 mil, caso o banco quebre”, disse Bussinger.

As LCAs são títulos emitidos por bancos, lastreados por dívidas contraídas no setor do agronegócio. Estes títulos foram lançados pelo governo com objetivo de ampliar os recursos disponíveis ao financiamento agropecuário. A sua rentabilidade pode ser definida por taxa de juro pré-fixada, com a qual o investidor sabe a sua remuneração no momento de compra, ou pós-fixada, que geralmente é baseada em um percentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que, por sua vez, oscila sempre muito próximo da Selic, ou seja, quanto maior a taxa básica de juros do país, maior será a rentabilidade do título.

Já as LCIs são papéis lastreados em créditos imobiliários por hipotecas ou alienação fiduciária de um imóvel e que dão aos seus tomadores direito de crédito pelo valor nominal, juros e atualização monetária se for o caso.

Com um montante desses, é importante lembrar também que o mercado acionário já fica mais interessante para quem quer lucros fortes. O risco da renda variável é maior, mas a possibilidade de rentabilidade também é bem superior. O investidor só não pode se esquecer de diversificar bem a sua carteira de ações, para diminuir os riscos, afinal, quanto mais ativos na carteira, menor a chance de grandes perdas. O ideal é ter, no mínimo, cinco papéis diferentes, mas para um portfólio de R$ 50 mil, se tudo for colocado em ações (o que não é indicado, visto que o capital tem que ser bem dividido entre renda fixa e variável), esse número pode ser maior, como algo entre 10 e 15 ativos.

Uma última sugestão para uma carteira desse valor são os Fundos Imobiliários, que são um veículo de investimento coletivo em negócios imobiliários, mas não apenas imóveis propriamente ditos. O gestor ou administrador pode investir o dinheiro do fundo (dinheiro dos cotistas) em diversos ativos, como imóveis, CRIs, LCIs, LHs, fundos de renda fixa, títulos públicos, ações, debêntures, cotas (de FIA, FIP, sociedades e FIDCs) e CEPAC (Certificado de potencial adicional de construção). 

R$ 500 mil
Já para essa quantia mais elevada, o investidor passa a ter outras oções de investimentos mais sofisticadas. Além do mercado acionário, que continua interessante, o que fica muito atrativo neste caso são os CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e os FIDCs (Fundos de Investimento de Direitos Creditórios), que exigem que o investidor seja qualificado e possuem um risco maior. “Mas, quanto maior o risco, maior a possibilidade de rentabilidade”, lembrou a consultora.

Os CRIs podem oferecer uma rentabilidade maior que as letras de crédito, mas não possuem a garantia do FGC, portanto, a escolha do papel é ainda mais importante. “Sempre verifique a classificação de risco, que normalmente é emitida por alguma agência para este tipo de investimento”, completou a consultora.

Os FIDCs são um tipo de aplicação em que a maior parte dos recursos é destinada à aquisição de direitos creditórios, que vem dos créditos que uma empresa tem a receber, como duplicatas, cheques e contratos de aluguel. O direito de recebimento desses créditos é negociável, ou seja, a empresa o cede a terceiros e isso é feito por meio do FIDC.

 

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