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Os juros no Brasil estão no maior patamar desde 2016 – mas não é apenas por aqui que as taxas altas estão direcionando as atenções para os investimentos de renda fixa. Diante dos esforços de Bancos Centrais para controlar a inflação em diversos países, os títulos de crédito emitidos por empresa oferecem retornos atrativos em outros cantos do planeta também.
Na Europa, os papéis corporativos de empresas com grau de investimento – em outras palavras, aquelas com o menor risco de crédito do mercado – estão oferecendo atualmente as taxas de retorno mais altas dos últimos dez anos.
Um levantamento realizado pela gestora britânica Janus Henderson indica a taxa de retorno esperado até o vencimento (tecnicamente chamada de yield-to-maturity) do universo de títulos de renda fixa privada europeus está acima de 1% ao ano atualmente, considerando as emissões feitas por empresas com grau de investimento.
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Cerca de um ano e meio atrás, apenas 6% dos papéis denominados em euro ofereciam retornos dessa magnitude – e 40% tinham yields negativos.
Atualmente, dentre 3.500 emissões de títulos corporativos analisadas pela gestora, o menor yield-to-maturity é de 2,3% ao ano, contra o retorno mínimo de -0,58% registrado em meados de 2021.
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Um título de renda fixa pode apresentar taxa de retorno até o vencimento negativa quando a taxa básica de juros de um país é igual ou próxima de zero. Até pouco tempo atrás, lembra Camilla Dolle, head de research de renda fixa da XP, este era o caso em países da Europa.
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Naquele contexto, alguns títulos de renda fixa, inclusive soberanos, pagavam taxas negativas, refletindo o risco de recessão da economia e o estímulo monetário. “O principal raciocínio nesses momentos, para os investidores que compram esses títulos, é que não há escapatória para quem deseja investir com baixo risco”, explica Camilla. O jeito é alocar os recursos nesses papéis, apesar do retorno ruim. “Além disso, havia uma preocupação de que as taxas caíssem ainda mais”.
Embora soe contra-intuitivo para os investidores brasileiros, acostumados a taxas de juros historicamente altas, a visão dos estrangeiros é diferente. “Em certos momentos, eles aceitam perder dinheiro com um ativo seguro porque acreditam que podem perder ainda mais com outros, como aconteceu no início da pandemia”, explica Lucas Collazo, especialista em investimentos do InfoMoney. Em outras palavras, é como se aceitassem pagar mais caro por um título do que ele efetivamente vale para evitar o risco de investir em outros papéis.
O momento atual, no entanto, é diferente, dado que os juros básicos europeus têm sido elevados numa tentativa de esfriar a economia para controlar os preços. A consequência é que as empresas também passaram a realizar emissões com taxas mais altas – não sem consequências.
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Para Tim Winstone, gestor de portfólio de crédito corporativo da Janus Henderson, as preocupações com a possibilidade de recessão na Europa lançam uma sombra sobre os mercados do continente, mas há sinais de que ele pode se sair melhor do que o esperado, o que é positivo para papéis de companhias com grau de investimento.
“Até agora, a Zona do Euro evitou a recessão, com algum crescimento econômico positivo ocorrendo no quarto trimestre de 2022. O clima mais ameno do que o esperado [durante o inverno europeu] significou que os estoques de gás não foram tão consumidos quanto se temia, enquanto o apoio fiscal amorteceu o impacto dos altos preços da energia, que diminuíram um pouco”, detalhou Winstone em um relatório antecipado ao InfoMoney.
Apesar disso, e de um ambiente de inadimplência mais benigno esperado para a Europa em comparação com os Estados Unidos, a renda fixa na Europa está precificando mais o risco de recessão – em outras palavras, oferecendo um prêmio maior em comparação com outros mercados de crédito.
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Dado que as incertezas macroeconômicas ainda são grandes pela frente, Winstone argumenta que “esse colchão de rendimento [yields elevados relativamente aos últimos anos] proporciona um escudo útil contra uma maior volatilidade das taxas”.
O gestor lembra que as emissões de dívida corporativa na Europa estiveram fortes até agora em 2023, e a oferta de papéis casou com uma forte demanda pelos investidores. Em janeiro, as emissões por companhias com grau de investimento somaram 108 bilhões de euros, um nível perto do recorde verificado no mesmo mês de 2009, que somou 110 bilhões de euros.