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A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já está amplamente precificada na bolsa brasileira e pode ser menos prejudicial ao mercado do que parte dos investidores teme, segundo a gestora americana de ETFs Global X. Em relatório publicado na segunda-feira (21) assinado por Paul Dmitriev, a casa afirma que as ações brasileiras apresentam “assimetria positiva” antes da eleição, com potencial de alta maior do que o de queda.
A avaliação foi feita com base em uma visita recente ao Brasil e em conversas com investidores locais. Segundo a gestora, como a coalizão de Lula nunca teve maioria consistente na Câmara dos Deputados, um Congresso controlado pelo Centrão tem limitado repetidamente as ambições fiscais e de reformas do PT e provavelmente voltaria a fazê-lo em um novo mandato.
O relatório descreve a disputa como próxima de um “cara ou coroa”, citando pesquisa divulgada em agosto que mostrava Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico em simulação de segundo turno. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e eventual segundo turno, para 25 de outubro.
Para a Global X, uma vitória da oposição representa a maior fonte de ganho potencial, embora a intensidade de uma eventual alta dependa de quão decisivo e quão precificado for o resultado. A gestora observa que Flávio Bolsonaro vem reduzindo a diferença nas pesquisas e aproveita o avanço de candidatos de centro-direita na América Latina, com vitórias recentes no Chile, na Colômbia, no Peru e na Argentina.

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Como referência, a casa cita a eleição de 2018, quando o índice MSCI Brazil subiu 7,8% no dia seguinte ao resultado do primeiro turno de Jair Bolsonaro, antes de qualquer medida ser adotada. Também menciona o índice Merval, da Argentina, que avançou 26,6% após a vitória do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de outubro de 2025.
Saída de estrangeiros
Os investidores estrangeiros retiraram R$ 18,1 bilhões da bolsa brasileira em agosto, a maior saída mensal dos últimos 12 meses, depois de resgates de R$ 14,9 bilhões em maio e de R$ 7,8 bilhões em junho. Em setembro, o fluxo voltou ao terreno positivo, com entrada líquida de R$ 5,6 bilhões até o dia 19, embora a semana encerrada em 19 de setembro tenha registrado saída de R$ 1,8 bilhão. No acumulado de 2026, o saldo estrangeiro segue positivo em R$ 23,9 bilhões.
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Para a Global X, a onda de vendas de agosto foi uma reação técnica e exagerada ao cenário eleitoral, e não uma reprecificação justificada pelos fundamentos. A gestora afirma que nada nos indicadores atuais do país, como crescimento, qualidade do crédito ou lucros das empresas, se assemelha a um choque como o de 2020, e que movimentos dessa magnitude historicamente representaram pontos de entrada, e não o início de uma redução estrutural dos múltiplos.
Para a gestora, o múltiplo descontado da bolsa já pressupõe uma vitória da esquerda, e a combinação de ações baratas com dividendos elevados tende a não se sustentar após a eleição.
A Global X destaca ainda que o Brasil oferece um dos maiores juros reais entre as principais economias, de cerca de 9,3%, o que ajudaria a sustentar o real mesmo em períodos de saída de capital da bolsa. Em análise dos sete ciclos completos de queda de juros desde 2000, a casa verificou que as ações brasileiras subiram em quatro deles, com alta média de cerca de 96,7%, enquanto nos outros três recuaram em média 14,5%.
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A gestora defende que a oportunidade seja explorada por meio de gestão ativa, e não de fundos passivos. O argumento é que as dez maiores empresas concentram mais de 64% do MSCI Brazil, o que deixa o investidor passivo permanentemente exposto a commodities e estatais, além de haver grande diferença de qualidade de governança entre as companhias listadas.