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A deposição de Nicolás Maduro após uma operação militar direta dos Estados Unidos na Venezuela sinaliza uma mudança relevante na política externa americana e inaugura, logo no início do ano, um novo capítulo de instabilidade geopolítica.
A ação, realizada sem respaldo formal do direito internacional e que resultou na prisão do ex-presidente venezuelano sob acusações de narcotráfico, reforça a percepção de que Washington voltou a priorizar seus interesses estratégicos acima de normas multilaterais.
Para o CIO da XP, Artur Wichmann, o episódio representa uma retomada explícita da lógica da realpolitik, conceito que marcou a atuação americana durante a Guerra Fria.
“Os Estados Unidos estão sinalizando que seus interesses estratégicos se sobrepõem à moral e ao direito internacional. Isso não é inédito, já vimos algo semelhante no Panamá, em 1989, com a deposição de Noriega”, afirmou.
Na avaliação do executivo, a justificativa oficial do combate ao narcotráfico serve mais como narrativa do que como motivação central da ação.
“A Venezuela não é nem de longe o maior fornecedor de drogas para os Estados Unidos. Se esse fosse o critério, teríamos de falar de México ou Colômbia”, disse.
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Segundo ele, o ponto mais sensível não é a queda de Maduro em si, mas a normalização desse tipo de intervenção direta.
Apesar da gravidade do episódio, Wichmann avalia que o risco de uma escalada imediata é limitado, desde que a ofensiva permaneça restrita ao território venezuelano.
“Se não houver desdobramentos em países como México, Cuba ou Colômbia, a capacidade de gerar instabilidade regional ou global é pequena”, avaliou.

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Nos mercados financeiros, a reação inicial foi marcada mais por seletividade do que por aversão generalizada ao risco.
Para o estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, episódios geopolíticos dessa natureza costumam gerar impacto limitado nos preços dos ativos, desde que não provoquem choques relevantes na economia real.
“Historicamente, esses eventos tendem a ter efeitos pontuais e passageiros”, afirmou.
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Segundo ele, a baixa exposição global à Venezuela explica a ausência de uma reação mais negativa.
“Os ativos estrangeiros já haviam sido expropriados nos governos Chávez e Maduro. A exposição das empresas globais à Venezuela era praticamente zero”, explicou.
Com isso, o mercado passou a buscar setores potencialmente beneficiados pelo novo cenário.
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Entre os destaques positivos estiveram as petroleiras americanas, como Chevron e ExxonMobil.
“O mercado entende que essas companhias podem voltar a operar na Venezuela, onde já tiveram ativos no passado”, disse Ferreira.
O setor de defesa também avançou, refletindo a percepção de um mundo mais instável.
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“Esse ambiente exige maiores investimentos em defesa, especialmente na Europa”, acrescentou.

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As commodities também entraram no radar dos investidores. O ouro, tradicional ativo de proteção em períodos de incerteza, voltou a subir.
“O ouro é o ativo que mais se beneficia de risco geopolítico. Ele já vinha de uma alta expressiva e reage novamente diante desse aumento de incerteza”, afirmou Ferreira.
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