Veja quanto investir em CDB para receber R$ 1.000 por mês pelo resto da vida

Simulação mostra como alcançar essa renda vitalícia aplicando em CDBs em diferentes cenários

Lucas Gabriel Marins

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Você já se perguntou quanto dinheiro precisa investir para garantir R$ 1.000 de renda extra todos os meses, pelo resto da vida? Esse valor, que pode parecer pequeno, faz diferença no orçamento: ajuda nas compras da padaria, no lazer e em despesas do dia a dia.

Uma simulação feita por Alan Fonseca, economista e CFO do Grupo Integrado, mostra que é possível alcançar essa renda vitalícia aplicando em Certificados de Depósito Bancário (CDB). Mas o cálculo depende de detalhes como taxa de juros, imposto de renda (IR) e outros fatores.

Com Selic a 15% ao ano

Na quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano. Nesse cenário, e considerando Imposto de Renda (IR) de 22,5%, para obter um rendimento líquido de R$ 1.000 mensais o investidor precisa manter aplicado R$ 110.838,00, segundo Fonseca.

Em junho, porém, o governo editou a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que altera a tributação de aplicações financeiras e ativos virtuais. No caso do CDB, a alíquota passaria para 17,5% – medida que ainda precisa ser analisada pelo Congresso até 8 de outubro, caso contrário, caduca. Se a mudança valer, o montante necessário cairia para R$ 104.120,00, segundo o especialista.

E se a Selic cair?

A Selic não vai ficar em 15% para sempre. Segundo o último boletim Focus, divulgado nesta semana, o mercado projeta queda da taxa básica de juros para a faixa dos 12% em 2026.

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“Em um cenário onde isso ocorra e, considerando que o IR sobre as aplicações em CDB fique em 22,5%, para que o rendimento líquido seja de R$ 1.000,00 mensais, o investidor precisa manter um montante aplicado de R$ 129.346,00“, disse Fonseca

No cenário intermediário apontado pelo especialista – Selic de 12,75% em 2026 e IR de 17,5% (caso a MP seja aprovada) – o montante exigido seria R$ 121.507,00.

Fonseca lembrou que a inflação também exerce sobre o valor do dinheiro no tempo. “Neste sentido, é importante que mantida as condições de Selic e IR, o investidor deve ajustar o montante aplicado para que consequentemente ajuste o valor líquido dos seus rendimentos”.

O mercado proteja uma inflação (IPCA) de 4,4% em 2026, disse. “Com isso, aconselha-se que o investidor também ajuste o montante aplicado na mesma proporção, com o objetivo de manter o poder de compra dos seus rendimentos”.

Veja tabela:

CenárioAlíquota de IRMontante necessário (R$)
Selic 15,00% ao ano22,5%R$ 110.838,00
Selic 15,00% ao ano — se MP 1.303/2025 valer17,5%R$ 104.120,00
Selic 12,75% (projeção 2026)22,5%R$ 129.346,00
Selic 12,75% (projeção 2026) — se MP for aprovada17,5%R$ 121.507,00
Fonte: Grupo Integrado

O que analisar antes de investir em CDBs?

O mercado brasileiro de crédito privado ainda carrega vulnerabilidades relevantes. O caso envolvendo o Banco Master é um dos exemplos mais recentes disso, como foi discutido no podcast Stock Pickers nesta semana.

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Para Sergio Czajkowski Junior, doutor em administração, pós-doutorando em gestão urbana e professor no UniCuritiba, o investidor (especialmente o iniciante) precisa analisar bem o CDB, a solidez instituição financeira e os riscos antes de investir. “É importante que se compare a rentabilidade oferecida por diferentes bancos. Bancos menores podem pagar 120% ou 130% do CDI, mas geralmente carregam mais riscos”, disse.

Sobre a solidez, ele falou que é essencial consultar relatórios de rating de crédito e avaliações de agências especializadas. As três principais são: Standard & Poor’s (S&P), a Moody’s e a Fitch Ratings.

Quais são os riscos?

Entre os riscos, Czajkowski Junior mencionou quatro principais:

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Risco de crédito: Esse é o risco de a instituição financeira quebrar e não conseguir honrar o pagamento dos investimentos dos correntistas. “No Brasil, esse risco é mitigado pela proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o qual não está imune a intempéries mais intensas”. Vale lembrar que o FGC devolve até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, com um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. 

Risco de mercado: Essa hipótese decorre do risco de a taxa básica de juros cair de forma muito intensa. “Se a Selic diminuir em excesso, o rendimento do CDB (que é atrelado ao CDI) também cai. Isso pode fazer com que o capital não gere mais os R$ 1.000 de renda passiva originalmente planejado”.

Risco de liquidez: Ocorre quando o correntista precisar resgatar o dinheiro antes do prazo de vencimento, fazendo com que parte dos ganhos seja consumida por conta do prazo mais curto.

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Risco de inadimplência: É decorrente, em muitos casos, da falta de disciplina financeira ou de projeções financeiras equivocadas, “as quais acabam não redundando em resultados positivos”, concluiu Czajkowski Junior.