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O rali dos ativos brasileiros ganhou força na terça-feira (8), com o Ibovespa perto dos 188 mil pontos, o dólar cedendo a R$ 5,08 e as taxas do Tesouro Direto em queda, tudo puxado pelas pesquisas eleitorais. A pergunta que fica é se o movimento já consumiu o desconto que os ativos brasileiros carregavam ou se ainda sobra prêmio para capturar.
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Para Rogério Freitas, CIO do ASA, a resposta está na distância em relação à média histórica, e ela segue larga. “Em termos de valuation, o prêmio de risco hoje no Brasil está muito maior do que a média histórica dos últimos 20 anos”, diz. “Se a gente voltar para a média histórica, a gente tem uma variação de preço muito relevante.”
Prêmio de risco é o retorno extra que o investidor exige para aplicar em um ativo mais arriscado. Quanto maior o prêmio, mais barato está o ativo. Quando ele encolhe, os preços sobem.
O que faz esse prêmio encolher agora é a percepção que um candidato de direita seria mais capaz de entregar um ajuste fiscal crível que o mercado enxerga como essencial para acalmar os investidores e facilitar o trabalho do Banco Central na condução da Selic. Na visão de Freitas, isso levaria a uma reprecificação ainda mais profunda dos ativos mais à frente. “Ao sair de uma Selic de 14% para 7,5% ou 8%, o valor presente dos ativos pode dobrar, triplicar”, diz.
A leitura vem num momento em que o mercado elevou suas apostas em ativos locais à espera de uma eleição mais acirrada. Gestoras aumentaram posições, principalmente em Bolsa, após a direita seguir ganhando competitividade nas pesquisas. Já o JPMorgan recorreu ao mercado de câmbio, preferindo opções às operações direcionais convencionais. O traço comum é a assimetria: todas essas posições ganham bastante se a reprecificação vier e perdem pouco se não vier.
“Existe prêmio de risco em todos os ativos, na Bolsa, nos juros, no câmbio. Se eu tenho uma queda de prêmio de risco, todos os ativos se valorizam, todos”, reforça Freitas.
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A escolha do instrumento, então, depende menos da aposta e mais do prazo de cada investidor. Para quem tolera oscilação e consegue esperar de cinco a oito anos, ele vê assimetria favorável na Bolsa. Para horizontes mais curtos e menor tolerância a volatilidade, aponta a NTN-B (Tesouro IPCA+), que captura a queda do desconto, oferece proteção contra inflação e oscila menos que a renda variável.
O CDI não perde totalmente o espaço, já que segue mais indicado para quem horizonte de investimento mais curto. Já para quem tem excesso de patrimônio e horizonte de cinco a dez anos, na avaliação do Freitas, “o CDI perdeu um pouquinho de apelo”.
“O portfólio tem que estar preparado para a eleição do Lula e para a eleição do Flávio”, recomenda o profissional do Asa.
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