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As taxas do Tesouro Direto abrem com leve recuo nos prefixados nesta quinta-feira (14), após a disparada da véspera provocada pela crise política envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Vorcaro. A devolução, contudo, é parcial: os prefixados cedem entre 8 e 9 pontos-base nesta manhã, recuperando apenas cerca de um terço da alta acumulada na quarta-feira.
O Tesouro Prefixado 2029 caiu para 13,98%, de 14,07% no fechamento de quarta-feira, reduzindo para 20 pontos-base o avanço acumulado desde o início da semana. O Prefixado 2032 recuou para 14,15%, de 14,23%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi negociado a 14,21%, de 14,29%, ainda acima da marca de 14% ao ano que havia sido cruzada na sessão anterior.
O dólar seguiu o mesmo movimento de alívio, abrindo próximo de R$ 5,30 antes de recuar ao entorno de R$ 4,99. “Não é que essa percepção de risco político sumiu, mas é muito comum ver movimentos de correção e realização de lucros depois de dias de movimentação muito intensa”, avalia Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da Stonex.
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Nos títulos de inflação, o comportamento foi misto. O Tesouro IPCA+ 2032 avançou 5 pontos-base para 7,73%, de 7,68%, operando no sentido contrário aos prefixados. O IPCA+ 2040 se manteve estável em 7,20%, e o IPCA+ 2050 recuou levemente para 6,99%, de 7,01%, voltando abaixo da marca de 7% ao ano. O IPCA+ 2060 com juros semestrais caiu para 7,14%, de 7,16%.
O choque que movimentou os mercados na quarta foi desencadeado por uma reportagem do The Intercept Brasil, confirmada por outros veículos revelando contato entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O senador confirmou ter pedido dinheiro ao empresário, mas negou ter oferecido vantagens em troca, afirmando que buscava apenas patrocínio privado para o filme “Dark Horse”, sobre sobre Jair Bolsonaro. O Ibovespa chegou a cair 1,8% na reta final do pregão de quarta com investidores precificando risco eleitoral, e os DIs dispararam, arrastando os prefixados para os maiores níveis em semanas.
Para Michael Viriato, estrategista-chefe da Casa do Investidor, o episódio ilustra um princípio que os investidores devem ter em mente em momentos de volatilidade intensa. “A hora de mexer na carteira não é necessariamente porque o mercado está se movimentando, mas porque o cenário mudou”, afirma, sobre a precificação feita por parte do mercado sobre a chance de vitória da direita nas eleições de outubro.
A abertura desta quinta sugere que o mercado aguarda novos desdobramentos do caso antes de reverter de forma mais expressiva o prêmio de risco político incorporado na curva na véspera. Mattos aponta que o noticiário político segue com potencial de trazer maior direcionamento ao longo do dia, ao lado do monitoramento do Estreito de Ormuz e do encontro bilateral entre Trump e Xi Jinping.
Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h25 desta quinta-feira (14):
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,0816% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 13,98% | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,15% | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,21% | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 7,73% | 15/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,20% | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 6,99% | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,14% | 15/08/2060 |