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Ibovespa cai 1,8% após notícia sobre contato entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Reta final do pregão foi de forte aversão a risco no mercado, com investidores de olho no cenário eleitoral

Equipe InfoMoney

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O Ibovespa fechou com queda de 1,8%, após uma tarde movimentada em que renovou mínimas constantemente e perdeu a marca dos 178 mil pontos, em meio à informação de que o senador e candidato à Presidência da República, Flavio Bolsonaro (PL-RJ), pediria dinheiro – conforme reportagens do Intercept Brasil e de Malu Gaspar (O Globo) -, para o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para pagar despesas com o filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a cair 1,97%, a 176.787 pontos, com o índice fechando próximo às mínimas, com queda de 1,80%, a 177.093 pontos. Em meio ao ambiente de aversão a risco, o dólar também disparou, com ganhos de 2,31% e superando os R$ 5.

“[A notícia] Pesa, pois o candidato da direita com mais chance de vencer a eleição deste ano está envolvido diretamente com o Banco Master, conforme a notícia”, diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. “Temos de esperar o que o Flávio vai falar, mas já contaminou a campanha”, completa, dizendo ainda que a MP do governo para reduzir o preço da gasolina já era esperada, mas reforça a piora dos ativos brasileiros.

Mais cedo, Flávio foi questionado por um repórter do Intercept Brasil sobre o tema, em conversa com outros jornalistas, antes da publicação da reportagem do veículo que revela a negociação. “É mentira, de onde você tirou isso?”, afirmou Flávio Bolsonaro, se afastando do local onde respondia perguntas de jornalistas.

Depois, o jornalista diz que o Intercept divulgaria mensagens de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro. O senador chama o repórter de militante e diz: “É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso? É dinheiro privado, dinheiro privado, dinheiro privado.”

“A queda da bolsa tem a ver com a notícia do áudio vazado do Flavio Bolsonaro, sem dúvidas. Isso também faz, inclusive, juros futuros e dólar subirem por conta da aversão ao risco. Ainda em destaque, hoje tivemos uma pesquisa eleitoral que mostrou uma recuperação de popularidade e das perspectivas de segundo turno do Lula, que voltou a estar a frente do Flávio, mas tudo dentro da margem de erro ali e no empate técnico”, avalia Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

O especialista complementa: “acredito que o mercado se ressinta não por uma paixão pelo Flávio Bolsonaro, mas porque o mercado hoje tem uma preferência até bastante explícita por uma mudança de regime para uma candidatura de oposição que traga uma política econômica mais ortodoxa, uma política fiscal mais responsável, uma visão mais pragmática ali para as despesas públicas para a dívida pública”.

Para Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil, o cenário doméstico já era negativo por conta do risco fiscal crescente proveniente de medidas populistas do governo, como o fim da “taxa das blusinhas” e o anúncio do governo de um novo programa que pode usar até R$ 30 bilhões do Tesouro Nacional para ajudar na compra de veículos para motoristas de aplicativos e taxistas.

Assim, com um lado político apresentando medidas populistas que elevam o risco fiscal do país, e o outro lado envolvido em notícias envolvendo Vorcaro, o risco Brasil cresce e reflete na Bolsa, com o investidor diminuindo a exposição a ativos de risco, aponta o diretor.

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Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, ressalta ainda a forte volatilidade que ocorre nos mercados às vésperas das eleições, também por conta do noticiário mais intenso. “Esses temas vão ser utilizados por um lado e pelo outro durante a campanha”, elevando a volatilidade na bolsa e no câmbio, avalia.

O cenário eleitoral acabou dominando os holofotes, descolando ainda mais o Ibovespa de Wall Street, onde o S&P 500 fechou em alta de 0,58%, renovando máxima, mesmo após os dados de preços ao produtor registrar em abril a maior alta desde o começo de 2022, em parte devido ao aumento dos custos de energia.

(com Estadão Conteúdo e Reuters)

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