Por que rebalancear pode ser um grande erro

Colunista acredita que fazer trocas entre ações para equilibrar o portfólio nem sempre é uma boa ideia

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SÃO PAULO – A sabedoria convencional afirma que rebalancear é uma prática para controlar o risco do investimento. Contudo, o colunista Paul Merriman, do site MarketWatch concluiu que uma parte dessa crença pode estar errada.

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O colunista afirma que, após décadas defendendo o rebalanceamento da carteira, ele chegou a uma conclusão surpreendente: rebalancear os ativos do capital não só é desnecessário como pode ser também contraproducente.

Antes de explicar as razões pelas quais afirma isso, Merriman ressalta a parte do “evangelho do rebalanceamento” que permanece intacta. Ele afirma que ainda faz sentido fazer as trocas regularmente, talvez uma vez ao ano, entre ações e títulos.

Isso faz com que o investidor consiga manter um risco geral em seu portfólio – por exemplo 60% em ações e 40% em títulos – e manter o perfil através dos altos e baixos do mercado de renda variável. A regra é simples: após uma grande quedas nas ações, compre mais a preços menores, após grandes altas, venda.

Por muito tempo o colunista disse o mesmo sobre diferentes classes de ações. No entanto, isso pode não estar certo.

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O colunista se questionou sobre esse ponto, até que decidiu testá-lo em pesquisa. Merriman focou em quarto classes de ações nos EUA: large-caps, small-caps, large-caps de valor e small-caps de valor.

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Essas quatro categorias possuem retornos de longo-prazo muito diferentes e o colunista acreditou que era prudente rebalanceá-los anualmente, como qualquer outro assessor financeiro.

Usando dados dos últimos 50 anos, o colunista descobriu que o S&P 500 (representando as large-caps) subiu em média 9,4%, as large-caps de valor subiram 12,4%, as small caps 11,8% e as small-caps de valor 16,7%.

Qual seria o retorno, caso esse portfólio, iniciado em 1963, com quantidades iguais dessas quatro classes de ativos com rebalanceamento anual? A resposta foi de encorajadores 12,8%, número maior do que três das quatro classes.

Isso dá mérito à diversificação. Contudo, o rebalanceamento teria usualmente levado mais dinheiro para as large-caps, a categoria menos produtiva das quatro. Se o portfólio nunca tivesse sido alterado, teria marcado 13,9%.

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Através de meio século, esse 1,1% a mais faz uma diferença imensa. Assumindo que cada classe começou com dez mil dólares, o portfólio teria crescido para US$ 6,6 milhões contra apenas US$ 4,2 milhões com o rebalanceamento.

Em outras palavras, as trocas custaram ao portfólio 2,4 milhões de dólares, levando 36% de seus ganhos. Esse é um grande preço a se pagar, afirma Merriman. Qual o benefício que o portfólio ganhou em retorno?

Supostamente o principal objetivo de equilibrar o portfólio é para reduzir o risco. Nesse caso de 50 anos isso aconteceu? O colunista afirma que não consegue achar evidências que comprovem isso.

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Um risco óbvio é deixar a maior parte do dinheiro em apenas uma classe de ativo – no período observado foram as small-caps de valor. Na época de uma catástrofe no mercado, isso deixa o investidor muito exposto.

Assim, o colunista afirma não ter razões para acreditar que as dinâmicas de equilibrar o portfólio vão mudar fundamentalmente no futuro. E então ele dá seu conselho em três partes.

Primeiro: Todos os investidores devem continuar se equilibrando entre ações e títulos, essa é uma tática legítima para controlar risco.

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Segundo: Jovens investidores provavelmente vão se sair melhor no longo prazo se não rebalancearem suas ações.

Terceiro: Investidores mais velhos, incluindo aposentados, devem ser mais conservadores e não deixar nenhuma classe sair muito fora da porcentagem desejada. Para esses investidores, equilibrar pode ser uma boa ideia. Não precisa ser todo ano, mas, ao menos a cada quatro ou cinco anos.