Brasil ainda fora do holofote?

Por que a demora do estrangeiro em apostar na Bolsa pode ser uma boa notícia para o investidor brasileiro

De janeiro a outubro, saída do investidor estrangeiro da Bolsa brasileira somou R$ 30,4 bilhões

SÃO PAULO – Embora a Bolsa brasileira siga em trajetória de alta desde 2016, a baixa atuação do investidor estrangeiro no mercado local tem sido apontada como uma das razões para a valorização deste ano, de 23%, não ser ainda maior.

Nesta semana, o apetite do investidor estrangeiro foi colocado mais uma vez à prova, diante do resultado abaixo do esperado no megaleilão da cessão onerosa, feito pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).

A saída de recursos estrangeiros da Bolsa brasileira somou R$ 30,4 bilhões no ano até outubro, destoando do tom de otimismo defendido por gestores locais. Ainda assim, eles defendem que essa maior cautela do investidor internacional pode ser uma oportunidade para um melhor posicionamento do brasileiro.

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“Para o investidor local, é uma excelente notícia, porque você está permitindo que esse reposicionamento em direção à renda variável possa acontecer sem pressa e sem a competição com o fluxo de estrangeiro, que levaria os preços para outro patamar”, afirmou Luis Felipe Teixeira do Amaral, fundador e gestor da Equitas.

Durante evento da gestora de patrimônio TAG Investimentos nesta quinta-feira (7) em São Paulo,  Amaral, Alexandre Silverio, CIO e responsável pela estratégia de renda variável da AZ Quest, e Luiz Liuzzi, gestor da Kiron, afirmaram que o mundo ainda está muito receoso com Brasil e que investidores globais deixaram de acompanhar o mercado de perto há anos.

“Vai levar muito tempo para a gente consiga reconstruir nossa credibilidade internacional, mas o fluxo vai vir do investidor local, e é suficiente para que, acompanhado do fundamento mais positivo, leve a Bolsa a subir”, disse Silverio, que acredita que o estrangeiro tem uma visão “distante e preconceituosa” sobre o Brasil, que não deve mudar no curto prazo.

Para Liuzzi, da Kiron, o ingresso do estrangeiro na Bolsa só ocorrerá quando o Brasil mostrar expansão. “Quando o investidor estrangeiro observar o crescimento de ganhos e do PIB, esse cenário vai se reverter.”

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