Xadrez político

Para SPX, eleições nos EUA devem resultar em menos estímulo fiscal e menor crescimento do país

Gestora espera que os republicanos retomem uma postura de maior austeridade fiscal, em contraponto a uma visão democrata mais benevolente com déficits

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – A eleição de Joe Biden para a presidência dos EUA, com um Senado que deve seguir majoritariamente republicano, foi considerada pela gestora Verde, de Luis Stuhlberger, como a “maneira mais favorável” para a resolução da disputa, no que diz respeito aos preços dos ativos no mercado.

Já para a SPX, de Rogério Xavier, gestor conhecido pelo viés pessimista, o cenário não está sendo analisado com o mesmo entusiasmo.

Após as sinalizações iniciais sobre a nova configuração do ambiente político nos EUA a partir de 2021, a SPX optou por revisar sua expectativa quanto ao tamanho do estímulo fiscal na região.

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Até então, a gestora trabalhava com a projeção de um pacote de US$ 4 trilhões para a economia americana, que agora foi reduzida para US$ 1 trilhão.

Com isso, a estimativa da gestora para o crescimento econômico dos EUA em 2021 também foi revisto para baixo, de 5% para 4%.

Leia mais:
Verde: “Eleição americana parece ter se resolvido da maneira mais favorável para o preço dos ativos”

“Os republicanos, agora na oposição, devem retomar uma postura de maior austeridade fiscal, em contraponto a uma visão democrata mais benevolente com déficits fiscais”, diz a carta da SPX referente ao desempenho do fundo Nimitz no mês de outubro.

A segunda onda da pandemia na Europa, com os governos se vendo forçados a ter de retroceder na estratégia de reabertura, também foi apontada no documento como um risco no radar no ambiente internacional.

“Nesse cenário, só ficamos mais otimistas em relação a uma retomada do crescimento econômico na Europa a partir do segundo ou terceiro trimestres de 2021, apesar da surpresa positiva observada no terceiro trimestre de 2020”, escreve a SPX, na carta.

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A alocação global do fundo Nimitz segue com posições compradas em setores cíclicos nos EUA, e “seletivamente” em empresas que sofreram na pandemia, porém com modelo de negócio inalterado em um horizonte de longo prazo.

Xeque-mate

Em alusão ao enxadrista russo Garry Kasparov, mais jovem campeão mundial de xadrez e conhecido por seu estilo agressivo, a gestora aponta que o Brasil está claramente tomando mais riscos na condução da política econômica, em cima de um tabuleiro em constante mutação.

“No final, caberá ao investidor decidir se quer continuar jogando, via LFT, NTN-B, títulos prefixados de longo prazo, bolsa de valores etc., ou se, assim como [Anatoly] Karpov [adversário de Kasparov] em 1985, concede a vitória e compra dólar para jogar em outro tabuleiro.”

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A carteira do fundo Nimitz da SPX segue com posições tomadas na parte curta da curva de juros, que tendem a se beneficiar de um aumento das taxas, em um ambiente de incertezas fiscais que segue sem evolução relevante nas últimas semanas.

A avaliação dos gestores é de que a pressão pela extensão do estado de calamidade pública em 2021, ou mesmo o apelo a manobras criativas para financiar o Renda Brasil, continuarão a pesar sobre os títulos públicos e sobre a curva prefixada. “Continuamos com grande preocupação em relação à trajetória fiscal.”

Na Bolsa brasileira, a gestora de Xavier informa na carta que mantém no portfólio posições nos setores de utilidades públicas, consumo e mineração, contra o índice Ibovespa.

No livro de moedas, os gestores da SPX dizem estar “seletivamente vendidos” em moedas emergentes.

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No mês de outubro, o SPX Nimitz rendeu 1,62%, ante um CDI de 0,16%, no mesmo período. Em 2020, o fundo sobe 7,21%, contra 2,45% do CDI.

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