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Os melhores fundos de ações e multimercados em outubro e em 12 meses

Destaques de outubro partiram de carteiras com ações de empresas brasileiras; na classe dos multimercados, impulso do dólar prevaleceu

Gráfico de cotações de ações (Crédito: Shutterstock)
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SÃO PAULO – Em um movimento incomum de se observar nos mercados em 2020, as bolsas nos EUA tiveram desempenho bem pior que o do mercado de ações brasileiro em outubro, principalmente devido às preocupações mais acentuadas na região como reflexo da eleição americana.

Os índices Nasdaq e S&P 500 caíram 2,3% e 2,8%, respectivamente, e o Dow Jones tombou 4,6%, enquanto a queda do Ibovespa foi de 0,69% no mês passado.

Por conta disso, os fundos de renda variável que se destacaram no mercado local no período acabaram sendo aqueles mais voltados às ações de empresas brasileiras, como o Bradesco FIA Selection, que avançou 3,33%, e o BB Ações Valor, com alta de 2,22%.

Apesar do recente resultado negativo das ações americanas influenciado pela disputa política, gestoras com expertise global, como Verde, Kinea e Adam, ainda enxergam nos mercados globais, e nos EUA principalmente, uma ótima alternativa para manter parte do portfólio de investimentos.

Com a vitória do candidato democrata Joe Biden, o ambiente de juros baixos e alta liquidez deve prosseguir, mantendo a atratividade para ativos de risco, como as ações de tecnologia, preveem os especialistas.

Já entre os multimercados, a valorização de 2,28% do dólar em outubro, que já beira os 43% em 2020, foi mais uma vez o fiel da balança na definição dos melhores da categoria.

Ainda assim, fundos como o Quantitas Arbitragem, que concentra a atuação no mercado de juros futuros, teve rentabilidade positiva de 2,41% e conseguiu cravar seu espaço entre os melhores multimercados no mês anterior.

Confira a seguir os cinco melhores e piores desempenhos de fundos de ações e multimercados em outubro.

A queda acentuada das bolsas americanas no mês passado, que já havia ocorrido em setembro, ainda está longe de apagar os fortes ganhos desde abril, refletidos na alta de 31,4% que o Nasdaq acumula em um ano.

Com o reforço da valorização do dólar, predominam entre as maiores rentabilidades no período os fundos de renda variável que investem em BDRs, recibos lastreados em ações de empresas estrangeiras, ou os multimercados de investimento no exterior, em linha com o que já vem sendo observado desde meados de abril.

Confira a seguir os fundos de ações que mais se destacaram em 12 meses, assim como seu desempenho em 36 meses, em 2020 e apenas em outubro.

Importante lembrar que retorno passado não é garantia de rentabilidade futura, embora seja interessante analisar o desempenho histórico dos fundos para observar sua consistência.

Na classe dos multimercados, junto com os investimentos internacionais, o ouro, que se apreciou em 2,3% em outubro e acumula valorização de 74% em 2020 na B3, continua uma das apostas vencedoras do ano.

Para a análise, que tem como base dados extraídos da Economatica, foram considerados fundos não exclusivos com patrimônio líquido médio superior a R$ 100 milhões em 12 meses e mais de 99 cotistas, em outubro.

No caso dos fundos de ações, foram excluídos os setoriais, os indexados e os monoações. Entre os multimercados, não foram considerados fundos de crédito privado.

Olhar para o mercado doméstico

José Alberto Baltieri Filho, superintendente da Bradesco Asset Management (Bram), explica que o Bradesco FIA Selection tem uma carteira relativamente concentrada, que carrega de 15 a 20 ações. É o fundo onde estão as apostas de maior convicção da gestora na Bolsa, que mudam de acordo com o cenário.

Desde meados de junho, afirma o superintendente, o portfólio está voltado principalmente para empresas mais focadas na economia local, que se beneficiam da retomada da atividade em curso, mas com dinâmicas próprias de crescimento.

Como exemplo, ele cita o setor de e-commerce e, mais especificamente, Magazine Luiza e Locaweb.

Baltieri reconhece que são ações que não estão baratas. Mas diz que prefere pagar mais caro por uma empresa com maior grau de segurança quanto à entrega de resultados fortes, do que apostar em uma ação descontada em um setor com perspectivas incertas, como de viagens ou shopping centers.

O gestor também aproveitou a recente onda de IPOs para montar posições relevantes na Petz e na Quero-Quero. “Gostamos de empresas com um modelo de negócio replicável, mas sem perder a capacidade de execução, e em mercados que ainda não estejam consolidados.”

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Pelos juros baixos do financiamento imobiliário e a maior preocupação das pessoas com a moradia diante da popularização do homeoffice, a Cyrela também está na carteira.

Assim como empresas que se beneficiam de maneira indireta desse ciclo positivo para a compra de imóveis, como a siderúrgica Gerdau e a fabricante de porcelanatos Duratex.

Em contrapeso às posições voltadas ao mercado doméstico, o fundo tem algumas exportadoras no portfólio, como Vale e Suzano. “Não podemos esquecer que a China é um dos poucos países que vai crescer em 2020″, diz Baltieri.

Em processo de recuperação desde meados de abril, o Bradesco FIA Selection ainda recua 13,54% em 12 meses, em linha com a queda de 13,33% do Ibovespa no mesmo período.

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Em busca das pechinchas

O BB Ações Valor tem também um portfólio concentrado, com cerca de 15 ações, e procura encontrar aquelas com um potencial de crescimento no médio prazo ainda não refletido nos preços, explica Vinicius Vieira, gestor de renda variável da BB DTVM.

Entre as ações que adicionaram contribuição positiva nos últimos meses e que seguem no portfólio, Vieira cita Light, CSN, Vale e Santander.

Ainda que as posições individuais em cada ação possam mudar a depender da evolução dos preços, setores como energia, siderurgia e mineração e o financeiro tendem a seguir presentes no portfólio por um bom tempo, diz o gestor da BB DTVM.

O ambiente de retomada da economia global esperado para 2021, com a descoberta da vacina contra a Covid-19 e os estímulos monetários e fiscais ainda bastante presentes, deve fazer com que as ações desses setores, que ficaram para trás em 2020 em detrimento às de tecnologia, sejam as protagonistas daqui em diante, prevê Vieira.

“A rotação das ações de crescimento para as de valor já ocorreu em outubro, e deve continuar.” Em 12 meses, o fundo do BB cai 9,34%.

Distorções na curva de juros

Na classe dos multimercados, além dos fundos que se beneficiam da alta do dólar e das bolsas globais, o fundo Arbitragem conseguiu lugar de destaque no recorte mensal.

Rogério Braga, sócio e gestor dos fundos multimercados e de renda fixa da Quantitas, explica que o produto tem uma única estratégia: operações de valor relativo entre os diversos vértices da curva de juros futuros dos títulos públicos prefixados, com vencimentos até 2031.

“Montamos posições vendidas nos títulos que consideramos caros, que tendem a cair de preço, e compradas nos que estão baratos, e que devem subir.”

Cada uma das operações do fundo envolve três diferentes vencimentos da curva, que podem se beneficiar tanto do aumento quando da redução das taxas, sem exposição ao movimento direcional do mercado.

Uma das posições feita mais recentemente que está no portfólio, exemplifica o gestor da Quantitas, é comprada nos títulos janeiro 2023 e janeiro 2025, e vendida no janeiro 2024.

O multimercado, compara Braga, é uma espécie de “long short”, porém, em vez de usar ações, como é mais comum no mercado, tira proveito dos vértices da curva prefixada.

“O cenário macro, isto é, se o Banco Central vai subir ou derrubar os juros, tem menos relevância para a estratégia do que nossa avaliação sobre os trechos da curva que estão baratos e caros.”

Em 12 meses, o fundo sobe 9,05%, contra 3,21% do CDI.

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