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SÃO PAULO – A taxa básica de juros (Selic) no patamar de dois dígitos e as incertezas da Bolsa fazem da renda fixa a melhor oportunidade para o segundo semestre, na opinião do vice-presidente da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), Carlos Massaru.
“Os investidores que olharem para a renda fixa, mesmo para os fundos DI, terão um bom retorno se a taxa de administração for adequada. Quando se analisa outras modalidades, como fundos ligados a índices de preços, [o retorno] também está atrativo. [o prêmio acima do IPCA nos títulos públicos] Está rondando próximo de 6% ao ano, é bastante interessante”, disse Massaru durante a apresentação de resultados da indústria de fundos no primeiro semestre.
Já na Bolsa o cenário ainda permanece incerto e o investidor deve estar ciente da volatilidade. Segundo Massaru, existem oportunidades, mas o trabalho de seleção de papéis é cada vez mais importante. “Na renda variável precisa ter paciência, fazer stock picking (seleção de ações com base na análise fundamentalista) e olhar setores que representem estratégias interessantes”, diz.
Na opinião do executivo, quem optar por fundos de ações de categorias ativas, em que o gestor tem o trabalho de analisar e escolher as ações, pode se dar melhor no longo prazo. “Essas categorias apresentam boa performance ao longo da história. No longo prazo é que se percebe a qualidade do gestor”, disse.
Fundos ou compra direta de ativos
O aumento da procura por ativos de renda fixa isentos de imposto de renda, como a LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e a LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) também merece atenção. Segundo o vice-presidente da Anbima, é natural que os investidores busquem estas aplicações em um cenário de juros altos. “Alguns ativos mostram um grau de competitividade maior em relação aos fundos de renda fixa”, afirmou.
No entanto, ele também lembrou que papéis com maior risco de mercado, como as NTN-B (títulos atrelados à inflação) ainda não são totalmente compreendidos por todos os investidores, por isso faz sentido a aplicação por meio de fundos. “Analisar curva de juros, por exemplo, é uma atividade complexa. O gestor está preparado para isso” , disse.
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Pior captação da história
Mesmo com a alta dos juros, a captação líquida (diferença entre depósitos e saques) da indústria de fundos no primeiro semestre registrou a pior marca da sua série histórica, iniciada em 2002. A diferença entre os depósitos e os saques nos fundos de investimentos foi de R$ 1,94 bilhão no período, ante captação de R$ 103,6 bilhões no primeiro semestre de 2013. Considerando apenas o mês de junho, a captação foi de R$ 8,41 bilhões.
Os fundos do tipo Renda Fixa registraram a pior captação nos primeiros seis meses do ano, com R$ 23,78 bilhões de saques a mais do que depósitos. Para Massaru, a captação negativa desses fundos pode ser reflexo da desvalorização sofrida em 2013, por conta da marcação a mercado dos títulos públicos.
“Parece que rentabilidade do passado influencia bastante o investidor. A educação financeira é importante para mostrar que não se deve entrar do mercado quando ele está em alta e sair em baixa”, destacou.
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O vice-presidente da Anbima é presidente da BBDTVM, braço de gestão de recursos do Banco do Brasil, maior asset do país, com mais de R$ 500 bilhões sob gestão.