O que mudou ou pode mudar nas captações dos fundos

Patamar da taxa básica de juros deve determinar a rentabilidade dos fundos DI e de renda fixa, assim como as perspectivas para a bolsa

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SÃO PAULO – É inegável que estamos passando por um cenário econômico delicado, em que as maiores economias mundiais caminham para uma recessão, enquanto os países emergentes passam sufoco para pagar suas dívidas, como no caso da Argentina e da Turquia.

O Brasil sente os reflexos dessa crise, a qual acaba sendo refletida nos principais benchmarks dos investimentos: dólar, juros e bolsa. Neste sentido, pairam grandes dúvidas sobre qual será o melhor investimento nos próximos meses, e sobre o impacto das expectativas sobre a captação dos fundos de investimentos.

Possibilidade de queda dos juros deixa fundos DI menos atrativos

A patamar da taxa de juros básica da economia afeta diretamente a rentabilidade dos fundos pós fixados, representados principalmente pelos fundos de investimentos DI. Nesse sentido, a decisão do Copom de manter os juros em 19% pelo quarto mês consecutivo continua colaborando para que no curto prazo este seja um dos investimentos mais atraentes do mercado.
Esse fato é confirmado pela captação destes fundos, que continua sendo uma das maiores no mês, com aporte de R$ 344 milhões até o dia 19 deste mês. Contudo, segundo Alexandre Oliveira, Consultor do Consultinvest Sudameris, “existe uma perspectiva de queda nos juros no médio prazo”, e isto pode fazer com que estes investimentos apresentem fuga de recursos, os quais seriam redirecionados para os fundos pré fixados de forma a continuar aproveitando as taxas praticadas atualmente.
Por outro lado, Marcio de Moraes, do banco Alfa, acredita que ainda é cedo para afirmar com convicção de que haverá essa migração, o diretor da Asset se apóia no fato de que as taxas de juros ainda estão em 19% e o BC não deu nenhum sinal de que abaixará suas taxas em sua próxima reunião. Com isso a possibilidade é grande de que se verifique nos fundos DI o mesmo movimento observado nos fundos cambiais.

O que houve com os fundos cambiais?

A desvalorização do dólar, atingiu em cheio os cambiais fazendo com que eles acumulassem um prejuízo de 6% somente na primeira quinzena deste mês. Este certamente é o principal motivo para que a captação desse investimento tenha se tornado negativa em R$ 366 milhões.
Grande parte dessa fuga provavelmente foi recebida pelo fundos de Renda Fixa Multi-índices e pelos fundos de DI, por apresentarem um risco compatível com os cambiais. No curto prazo, o consenso do mercado aponta que a taxa cambial se estabilizará em algum ponto ao redor de R$ 2,54, ou seja, as expectativas de rentabilidade, neste momento, não são muito otimistas para este investimento.
Oliveira do Sudameris acredita que “como há uma quantidade grande de títulos do governo com vencimento para março de 2002, o governo concentrará seus esforços para manter a taxa de câmbio abaixo de R$ 2,80, que era a cotação do dólar na ocasião do lançamento dos títulos”. Dessa maneira, também é possível que a tendência de fuga nas aplicações cambiais continue sendo observada no médio prazo fazendo com que os fundos cambiais continuem perdendo captação.

Fundos de Ações: perspectivas otimistas

A bolsa de Valores de São Paulo não tem se saído bem este ano, prova disso é a desvalorização sofrida pelo seu principal índice – o Ibovespa- que já acumula perda de % neste ano. No entanto essa queda nas cotações dos papéis negociados na bolsa fez com que estes atingissem patamares atraentes para os investidores, ocasionando uma onda de compras que colaborou para que os fundos setoriais telecomunicações, por exemplo, subissem 25% apenas na primeira quinzena.
Soma-se a isto o descolamento do risco-país do Brasil com a Argentina, o qual fortalece o mercado de capitais brasileiro, fazendo com que a bolsa haja motivos para acreditar que a bolsa será uma boa alternativa de investimento para prazos mais longos. O consultor do Sudameris, Alexandre Oliveira, compartilha deste ponto de vista quanto ao desempenho da bolsa no longo prazo, e esta movimentação em busca destes fundos já pode ser sentida no mercado. É o que indicam os R$ 73 milhões de recursos recebidos pelos fundos de ações, cifra que os coloca a frente de qualquer outra categoria significante de fundos no quesito captação.
Mas não é certo de que haverá uma demanda maior por estes fundos

Contudo convém lembrar que esse tipo de investimento está sujeito a fortes oscilações, o que pode significar que sua rentabilidade volte a cair a qualquer momento, dando seqüência a já conhecida montanha russa dos preços. Dessa forma, é uma tarefa difícil prever se os fundos conseguirão manter-se como os que tem recebido o maior aporte de recursos, na medida em que isso depende diretamente do apetite pelo risco do investidor, o qual em tempos de crise tende a diminuir consideravelmente.

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É sempre uma decisão difícil escolher dentre os diferentes produtos oferecidos pelos bancos a melhor alternativa dado o atual cenário em que passamos. De qualquer forma, vale lembrar que a decisão ideal deverá conciliar rentabilidade com o limite de risco, ou seja a melhor opção é a que traz a melhor perspectiva de lucro aliada ao risco que o investidor está disposto a correr. E que é extremamente complicado fazer estimativas sobre rentabilidade e captação de fundos, na medida que o mercado muda constantemente de direção.
Confira abaixo os dados das principais categorias Anbid:






























Denominação Anbid Patrimônio* Rentabilidade Cap. Líq. no Mês Ações 21.295,56 9,24% 73,00 Renda Fixa 131.605,16 0,76% -558,85 Referenciados 108.408,96 -1,37% -19,16 Balanceados 1.345,68 1,94% -730,50 Multimercados 76.535,94 1,94% -730,50 Total 342.225,28 100% -1.408,73

* em R$ milhões
Obs. Dados referentes a 13/11