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SÃO PAULO – 2014 já está quase chegando, então os investidores devem começar a ficar atentos em relação ao que comprar e vender na bolsa de valores, para poderem se destacar em meio a um cenário turbulento e volátil, trazido pelas incertezas das eleições e um cenário macroeconômico nada favorável.
No ano que vem, de acordo com Walter Mendes, gestor da Cultinvest, a economia vai crescer muito pouco, cerca de 2%; a inflação continuará alta; o câmbio ficará em ascensão, pressionado durante o ano inteiro; e a taxa de juros vai continuar subindo para segurar a inflação. “Por um lado, temos desemprego baixo, o que deve continuar, mas, por outro, a inflação segura o crescimento de renda e o crescimento baixo limita o crescimento do consumo, ou seja, é um cenário muito negativo para o país, principalmente na área de consumo”, afirmou o especialista.
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Já em relação ao cenário internacional, o gestor explicou que está muito melhor, com recuperação da economia norte-americana e estabilização da China e da Europa. “O corte dos estímulos e a possibilidade de alta na taxa de juros dos EUA já mostram a melhora da economia norte-americana. Isso vai fazer o dólar se valorizar ante o real, o que vai beneficiar muito alguns setores brasileiros”, disse.
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É exatamente neles que os investidores têm que ficar atentos, segundo Mendes. “As companhias exportadoras – como do setor de Papel & Celulose – bem como companhias que tem os preços de seus produtos referenciados no exterior – como as do setor Siderúrgico e de Alimentos (incluindo frigoríficos) – cujo consumo não depende de crédito e nem crescimento econômico, são as que mais devem se beneficiar”, explicou.
O gestor não citou nenhum papel específico, mas vale lembrar que as principais companhias de cada um desses setores são: Suzano (SUZB5), Klabin (KLBN4) e Fibria (FIBR3) (Papel & Celulose); Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3) (Siderurgia); e Minerva (BEEF3), Marfrig (MRFG3) e BRF (BRFS3) (Alimentos – Frigoríficos).
Outro setor que irá performar bem no ano que vem, segundo o gestor, é o de bancos. De acordo com Mendes, eles foram muito pressionados na sua margem pelo governo, que usou os bancos públicos para obrigar os privados a diminuírem suas margens. Com isso, eles aumentaram o credito, o risco e a inadimplência. “No entanto, agora, os valuations deles ficaram bastante interessantes e, com a Selic mais alta, eles devem aumentar a margem financeira líquida, então eles estão numa situação um pouco melhor, comparada com a média da bolsa”, contou.
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Os principais bancos privados na bolsa são: Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11).
Por fim, no campo positivo, o gestor lembrou também do setor de Infraestrutura, que pode ter uma melhora com o aumento de investimentos em concessões de aeroportos, portos, estradas, rodovias e ferrovias.
As principais companhias de capital aberto nesse segmento são: CCR (CCRO3), Triunfo Participações (TPIS3), Ecorodovias (ECOR3) e Mills Engenharia (MILS3).
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Já no campo negativo, segundo o especialista, está o setor de varejo, de forma geral (Lojas Renner [LREN3], Hypermarcas [HYPE3], Magazine Luiza [MGLU3], entre outras) e as construtoras (Brookfield [BISA3], Rossi Residencial [RSID3], PDG Realty [PDGR3], entre outras), que vão continuar se prejudicando dessa taxa de juros mais alta e o crescimento baixo. “Mudanças internas dentro das empresas ou questões microeconômicas podem fazer uma ou outra se destacar, mas, de forma geral, irão cair”, disse.
Por fim, o setor de Telecom (Tim [TIMP3], Oi [OIBR4], Telefônica [VIVT4]) também está na lista negra de Mendes. “o setor deve enfrentar um ano difícil, pois não se beneficia em nada dessa situação de aquisições e os fatores macroeconômicos também não ajudam”, finalizou.
*É importante frisar que o gestor não citou nenhuma empresa citada no decorrer da matéria.