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“A cada casa nova que eu ligo um dia mais cedo, eu quase que dobro essa receita”, afirma Radamés Casseb, CEO da Aegea. O plano é dobrar o faturamento atual de R$ 20 bilhões até 2033 sem precisar conquistar novos clientes.
A estratégia da maior empresa privada de saneamento do país foca em ligar à rede de esgoto quem hoje só recebe água. Cada nova conexão gera um serviço inédito para o morador, com baixo custo extra e alta margem de lucro.
O detalhamento ocorreu no programa Expert Talks, apresentado por Lucas Genoso, chefe de análise de crédito da XP (XPBR31). O debate teve a participação de Guilherme Benchimol, fundador e presidente do conselho da XP.
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Para sustentar esse salto, a companhia aposta alto na automação para reduzir perdas de água e energia. Essa economia vira margem para antecipar obras que ampliam a cobertura sanitária pelo Brasil.
Investimento e sócios de longo prazo
O retorno financeiro de uma nova ligação de esgoto demora, em média, 16 anos para acontecer. Por isso, a empresa carrega uma dívida líquida de R$ 50 bilhões e busca investidores que saibam esperar.
“Se você traz sócios com uma visão de resultado de curto prazo, você não faz a curva da eficiência”, explicou Casseb. Entre os donos estão a Itaúsa (ITSA4) e o GIC, fundo soberano de Singapura.
No último ano, a Aegea gerou R$ 10 bilhões em caixa operacional, com um porte comparado por Benchimol ao de gigantes. Ele citou a Petrobras (PETR4) e a Vale (VALE3) como referências de tamanho.
A virada da companhia, que nasceu comprando concessões pequenas e deficitárias, veio com o novo marco legal do saneamento. A lei aprovada em 2020 permitiu a disputa por grandes projetos de infraestrutura.
A transformação das águas no Rio
O contrato da Águas do Rio é o exemplo mais forte dessa expansão, tendo dobrado o tamanho da Aegea. Desde 2021, a empresa saltou de 1 milhão para 2,5 milhões de ligações, rumo aos 3 milhões.
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A despoluição já mostra resultados visíveis, com a volta de peixes à Lagoa Rodrigo de Freitas. “Tem gente mergulhando”, relatou Benchimol sobre a nova realidade da Baía de Guanabara e da Praia do Flamengo. O executivo é carioca e conhece bem a realidade local.
Outra surpresa positiva foi a queda da inadimplência, que despencou de 35% para a média de 10% no Rio. Entre os clientes de baixa renda, o índice de contas não pagas é ainda menor: cerca de 4%.
Segundo o presidente da Aegea, a população mais pobre valoriza o serviço de qualidade e não foge da conta. O foco agora é manter a eficiência para garantir a universalização do serviço em uma década.
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