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A MRV (MRVE3) reduziu de 12 para pouco mais de quatro o número de operários necessários para entregar o equivalente a um apartamento por mês. O salto de produtividade, conquistado desde a abertura de capital da companhia, é uma das principais respostas da incorporadora para um cenário de mão de obra escassa e custos pressionados — e sustenta uma nova etapa que a empresa chama internamente de ciclo de excelência.
O presidente da MRV, Rafael Menin, reconhece que a construção civil perdeu apelo entre os trabalhadores mais jovens, que preferem ambientes menos desgastantes, mesmo diante de salários que cresceram acima da inflação na última década. Para compensar, a empresa investe em industrialização dos canteiros de obra e em padronização de projetos.
Em entrevista ao programa Expert Talks – Na Mesa com CEOs, conduzido por Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, e Ygor Altero, responsável pela cobertura do setor imobiliário na área de análise da casa, Menin detalhou os desafios operacionais e a estratégia atual da maior construtora habitacional da América Latina.
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A estratégia passa também por concentrar lançamentos em um número menor de cidades, mantendo as equipes trabalhando em sequência dentro da mesma região, sem perder a curva de aprendizado. “Na medida em que eu consigo fazer um pouco mais de volume em menos cidades, essa continuidade da minha produção é cada vez maior”, afirmou o executivo.
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Pressão de custos e a equação da margem
No lado dos materiais, Menin avalia que 2024 e 2025 foram anos comportados em termos de inflação de insumos, mas a alta recente do petróleo deve pressionar os custos ao longo de 2026. Ainda assim, ele se diz confiante de que a recuperação da rentabilidade pode ser mantida.
A confiança se apoia no que o presidente chamou de equação da margem, que combina três fatores: o preço pago pelo terreno, a concepção do produto e a execução da obra. Com terrenos comprados em condições melhores, projetos mais padronizados e canteiros mais eficientes, a companhia espera continuar ampliando margens nos próximos trimestres.
O ciclo de excelência apresentado por Menin se sustenta em dois pilares: recuperação da rentabilidade e maior eficiência no uso do capital. No ciclo anterior, que abrangeu os anos pré-pandemia e o período pandêmico, a MRV destinou um volume expressivo de recursos à compra de terrenos e às subsidiárias Alugo, Resia e Urba.
Agora, segundo o executivo, esse capital deve retornar ao caixa da companhia. A compra de terrenos por permuta, a redução do crédito direto ao cliente e a maturação das subsidiárias devem permitir um balanço mais enxuto. “O somatório fará com que a gente tenha uma geração de caixa muito maior”, disse Menin.
A reciclagem de capital nos Estados Unidos
A Resia, operação americana voltada a empreendimentos para aluguel, é parte central dessa reciclagem de capital. A empresa nasceu em 2012 na Flórida, depois que a família Menin acompanhou de perto a crise imobiliária americana de 2008. Em 2020, foi totalmente incorporada à MRV, que aportou US$ 240 milhões para acelerar os projetos.
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O modelo da Resia consiste em construir prédios destinados exclusivamente à locação, sem unidades à venda, e depois vender os empreendimentos prontos a fundos investidores. O ciclo funcionou bem enquanto os juros americanos estavam baixos e o custo de captação era barato no exterior.
Com a virada nas taxas de juros nos Estados Unidos, a operação passa agora por um redimensionamento, dentro da estratégia mais ampla de devolver capital ao acionista da MRV e fortalecer a geração de caixa da companhia no Brasil.
