Mercado de commodities agrícolas é alternativa para pequeno investidor?

O mercado agrícola, assim como o mercado futuro de maneira geral, é indicado aos investidores com perfil mais especulativo

SÃO PAULO – Investir no mercado futuro de commodities agrícolas (matérias-primas como milho, soja, café, entre outras) pode render grandes lucros – e também fortes perdas para o pequeno investidor. Isto porque este mercado é reconhecido pela sua volatilidade, ocasionada por uma série de fatores, que incluem, inclusive, condições climáticas que podem afetar a produção das commodities.

Se você já tem experiência com o mercado de derivativos e procura ganhos mais expressivos, esta pode ser uma opção para diversificar a carteira de investimentos. Mas, segundo especialistas, é preciso limitar as perdas.

“O mercado agrícola, assim como o mercado futuro de maneira geral, é indicado aos investidores com perfil mais especulativo. Ou seja, são investidores que estão acostumados a operar alavancados e que buscam ganhos expressivos, em troca de um risco maior”, diz o diretor da XTH Investimentos, Rafael Pacheco.

Para operar, é necessário, em primeiro lugar, fazer o cadastro em uma corretora de valores autorizada a operar na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros). De acordo com Pacheco, as operações dos contratos agrícolas podem ser feitas via home broker ou plataformas de negociação, acessíveis ao pequeno investidor.

Em relação à liquidez, ele afirma que a facilidade de comprar e vender depende do tipo de produto negociado. “O mercado de café e boi gordo são bastante líquidos, enquanto que na soja e no milho a liquidez pode vir a ser um problema, mesmo para lotes pequenos”, diz. “Para os mercados menos líquidos, ou para grandes lotes, operar através da mesa da corretora pode ser uma opção interessante”, afirma.

Quem pode investir?
O diretor da XTH afirma que o mercado agrícola é acessível a todo tipo de investidor, inclusive para aqueles que não têm grandes recursos disponíveis para investir. “Com R$ 1 mil já é possível operar day trade no Boi, Milho e Soja, por exemplo. Para operar posição, R$ 3 mil já seriam suficientes para um contrato destas commodities, incluindo a margem e os eventuais ajustes”, diz.

Os contratos futuros de café são um pouco mais caros, segundo o executivo. “Eles custam por volta de R$ 4 mil para day trade e R$ 8 mil para posição”, continua.

Riscos
Para o economista e diretor da FIA (Fundação Instituto de Administração), Celso Grisi, investir em commodities é muito arriscado para o investidor de varejo. Isto porque as variações de preços são bastante imprevisíveis e existe um grande movimento especulativo, o que faz com que o pequeno investidor tenha grandes dificuldades em identificar o momento certo de comprar e vender.

“O mercado de commodities é talvez o mais difícil de todos para se operar”, afirma.

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O economista lembra que uma série de fatores podem influenciar nos preços das matérias-primas, tornando este tipo de aplicação bastante arriscada. “As cotações podem variar bastante por conta de eventos que estão fora da nossa alçada, como problemas climáticos”. Segundo ele, o investidor fica à mercê de fatores naturais, como chuvas excessivas, secas, furacões em todas as partes do mundo, que podem influenciar diretamente no preço das commodities.

O diretor da XTH Investimentos afirma que, no mercado agrícola, são comuns os movimentos intensos de alta ou de baixa sem as “pausas para respiro”, frequentes no mercado de ações. “As expressões ‘já subiu demais’ ou ‘já caiu demais’ definitivamente não se aplicam a este mercado”, diz Pacheco.

Por isso, ele recomenda ao investidor muita atenção no momento de dimensionar as posições, para que as possíveis perdas não ultrapassem o “suportável”. “A utilização de stop (ordem de venda automática quando o ativo atinge determinado patamar) é imprescindível”, aconselha.

Investimento como proteção
Para o professor da FIA, o mercado futuro de commodities agrícolas só é uma alternativa interessante para quem atua com o agronegócio e precisa de proteção para a volatilidade dos preços.

Os vendedores – produtores rurais, por exemplo – utilizam o mercado futuro como um seguro contra eventual baixa de preços e vendem contratos futuros referentes a determinada quantidade de produtos agropecuários.

Já os compradores – agroindústrias e exportadores, por exemplo – querem se proteger contra uma eventual alta de preços em uma determinada data e para isso compram os contratos futuros.

“Este tipo de investimento é interessante para ser feito desta maneira, como uma proteção para a oscilação dos preços”, diz Grisi.