Sócio da Alaska

Luiz Alves: Investidor deve esperar alguma realização, mas Bolsa ainda está “ridiculamente barata”

“Blue chips” como Petrobras, Vale, Gerdau e Braskem foram citadas como ótimas oportunidades disponíveis na B3

Luiz Alves Paes de Barros em gravação de aula para MBA Ações e Stock Picking

SÃO PAULO – Após fechar no piso dos 63,5 mil pontos da crise do coronavírus em 23 de março, o Ibovespa se aproximou do patamar dos 95 mil pontos nesta sexta-feira, o que corresponde a uma alta da ordem de 50% em pouco mais de dois meses.

Para um dos mais conhecidos investidores em ações do país, Luiz Alves Paes de Barros, sócio da Alaska Asset Management e detentor do fundo exclusivo Poland, a volta foi rápida demais.

“Pode continuar uns dias [o movimento de alta da Bolsa], mas vamos ter uns bons sustos pela frente”, disse o especialista, durante live promovida pela assessoria de investimentos Monte Bravo. “Vai reajustar, e não vai subir nessa velocidade, não.”

Na avaliação do investidor, o patamar mais adequado para a Bolsa no momento seria mais próximo dos 85 mil pontos e disse que “faz parte do jogo a Bolsa cair um pouco agora”.

Ridiculamente baratas

Apesar do prognóstico, o sócio da Alaska se mostrou bastante otimista com o desempenho das ações quando a pandemia for vencida. Ele acredita que o Brasil será puxado pela locomotiva das grandes economias globais, que já começa a ganhar tração.

O investidor acredita que as “blue chips” de commodities da Bolsa estão muito atrativas nos preços atuais. “Estão ridículos os preços”, disse, em referência a papéis como Petrobras e Vale, acrescentando enxergar as ações como “a grande moleza da Bolsa”.

No caso de Gerdau, por exemplo, o sócio da Alaska enxerga um bom horizonte quando começarmos a ter uma retomada econômica, com a construção civil e os investimentos de longo prazo em infraestrutura voltando a demandar aço.

Por outro lado, Luiz Alves afirmou que alguns setores foram estruturalmente abalados pela crise e não devem ser enxergados como grandes pechinchas, mas, sim, evitados.

“Quem comprar ações de turismo, de restaurantes, vai ser diluído totalmente pela subscrição, que será necessária para deixar essas firmas novas”, afirmou o investidor, que enxerga as companhias aéreas em estado falimentar. “Alguns setores não voltam mais.”

Dólar caríssimo

Apesar da visão positiva para as exportadoras, durante a live, o investidor observou que, sob uma ótica de médio e longo prazo, o dólar está “caríssimo”. “Ao redor de R$ 4 já seria excelente”, disse o especialista, salientando que não é o gestor do fundo Black BDR da Alaska, por isso não poderia falar sobre as estratégias que têm sido adotadas pela casa nas moedas.

A forte valorização da divisa americana em março causou perdas agudas para o fundo Alaska Black BDR, que vinha com uma posição “vendida” (esperando a queda da moeda) em dólar, o que levou a gestora a fazer uma live para acalmar o ânimo dos cotistas.

No contrapé

Ele reconheceu também que foi pego de surpresa pela crise, “super comprado.” O grande erro, segundo o sócio da Alaska, foi que ninguém se precaveu como deveria a partir de dezembro. “Quando começou a crise, ninguém imaginou o que seria.”

Luiz Alves disse que tem mantido uma postura mais cautelosa, sem grandes compras ou vendas no mercado por enquanto.

Apesar do baque, o investidor buscou minimizar a situação, que não teria sido inédita em sua vida, e afirmou que a maior preocupação é com os 200 mil cotistas dos fundos da Alaska. Em alguns casos, os investidores teriam ido no embalo da forte alta da Bolsa nos últimos anos e, na visão do especialista, chegaram a comprar mais do que poderiam.

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