Publicidade
Cinco anos depois da estreia do Liga de FIIs, o mercado de fundos imobiliários mudou — e a forma de falar sobre esses investimentos também. Para marcar a trajetória do programa, os ex-apresentadores Maria Fernanda Violatti (Mafê), Thiago Fleith Otuki e Wellington Carvalho retornaram à atração para relembrar momentos dessa história e discutir os desafios que permanecem para quem investe no segmento.
Ao lado dos atuais apresentadores Marx Gonçalves e Marcos Baroni, os convidados falaram sobre a evolução da indústria, o amadurecimento do investidor e a transformação da comunicação sobre FIIs. Uma das principais conclusões compartilhadas pelos ex-apresentadores é que, apesar das mudanças no mercado, alguns princípios básicos continuam atuais.
Para Maria Fernanda Violatti, um dos maiores desafios de quem começa a investir é justamente separar informação relevante do excesso de conteúdo disponível. “Eu acho que a gente tem que se atentar bastante com quem a gente escuta. A gente tem muita informação e precisa separar um pouco dessa informação que realmente é só ruído e o que realmente tem fundamento”, afirmou.
Na avaliação dela, o investidor iniciante não deveria ter pressa para montar uma carteira. Antes de olhar para os rendimentos, é necessário entender o que existe dentro de cada fundo, os ativos, os contratos, os riscos e a estratégia da gestão.
“Fundo imobiliário parece simples, porque você vai e compra uma cota e recebe renda, mas por trás tem ativos, contratos, crédito, gestão, riscos muito diferentes”, explica. Para fundos de tijolo, ela recomenda observar localização, qualidade dos imóveis, vacância, contratos, perfil dos inquilinos e o momento do setor. Nos fundos de crédito, a análise deve considerar devedores, garantias, indexadores e riscos das operações.
Leia Mais: Corte da Selic já está na cota dos FIIs? Veja o que pode mover os fundos agora
O perigo de escolher um fundo apenas pelo dividend yield
Um dos pontos mais enfatizados pelos participantes foi a necessidade de olhar além do dividend yield. O rendimento elevado pode ser atrativo, mas também pode indicar que existe algum risco embutido na cotação ou na própria geração daquela renda.
Segundo ela, esse foi um dos temas mais discutidos ao longo da história do próprio Liga de FIIs, justamente porque investidores muitas vezes direcionavam sua atenção para os fundos que apresentavam os maiores rendimentos.
“Um rendimento muito alto pode ser uma oportunidade, mas ele também pode estar sinalizando algum risco”, acrescentou. Para ela, o caminho passa por entender a origem daquele dividendo antes de tomar uma decisão de investimento.
Continua depois da publicidade
A recomendação, nesse sentido, não é necessariamente ter uma grande quantidade de fundos, mas conhecer profundamente os ativos que fazem parte da carteira. “Eu prefiro que o investidor tenha cinco fundos, mas que ele entenda muito bem sobre os fundamentos, sobre o que tem no portfólio desses fundos, que ele se sinta confortável, que ele durma bem com aqueles cinco fundos”, disse.
Entender o perfil do investidor é crucial antes da escolha de FIIs
Para Thiago Fleith Otuki, o primeiro passo é ainda anterior à seleção dos fundos: entender o próprio perfil como investidor. Isso significa definir quanto de renda variável faz sentido dentro da carteira e, posteriormente, qual parcela deve ser destinada aos fundos imobiliários.
“Entenda o seu perfil como investidor, até para ver se faz sentido realmente ter renda variável no seu portfólio”, afirmou. A partir daí, o investidor pode estabelecer um percentual para FIIs e fazer o rebalanceamento da carteira ao longo do tempo.
Continua depois da publicidade
Otuki também defendeu a diversificação entre diferentes segmentos. Uma carteira de FIIs pode combinar fundos de recebíveis, logística, shopping centers, fundos híbridos, corporativos e estratégias multiestratégia, desde que a composição esteja de acordo com o perfil e os objetivos do investidor.
Para quem está começando, ele também recomenda buscar informações em fontes confiáveis e considerar o apoio de profissionais. “Se tiver condições, assinar um serviço de research, de repente seguir uma carteira recomendada ou tomar como base também estudo dos relatórios dos analistas”, afirmou.
Ter uma reserva de emergência é ponto de partida
Wellington Carvalho pontua que essas recomendações fazem parte do “arroz com feijão” de quem pretende entrar no mercado de fundos imobiliários. Mas acrescentou um elemento que considera fundamental antes mesmo da escolha dos ativos: a formação de uma reserva de emergência.
Continua depois da publicidade
“Antes de investir, lembra da reserva de emergência, até para enfrentar uma eventual dificuldade, como o nome já fala, uma emergência, e de repente não precisar sacar esse dinheiro investido com um valor menor do que foi alocado”, afirmou.
Depois dessa etapa, o conhecimento sobre o produto passa a ser essencial. Para Carvalho, estudar com especialistas, analistas e fontes consideradas confiáveis ajuda o investidor a construir uma base para acompanhar as discussões do mercado e identificar o que realmente pode afetar sua carteira.
“A partir do momento que você já tem uma base, mesmo que básica, do produto, você vai conseguir acompanhar as discussões que estão rolando no mercado, vai conseguir separar um ruído, um burburinho, de uma informação relevante para o seu fundo”, explicou.
Continua depois da publicidade
A ideia resume uma das transformações observadas nos cinco anos de Liga de FIIs: com a expansão da indústria e o aumento da quantidade de informações disponíveis, a capacidade de filtrar conteúdo passou a ser tão importante quanto o acesso à informação.
Leia Mais: O que Cyrela e empresas de shopping revelam sobre a “nova carteira” do FII TRXF11?
Confira o episódio completo na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.